Cantora TamyMelina Furlan / Divulgação

Rio - Natural do Espírito Santo, Tamy homenageia Roberto Carlos no show, carinhosamente apelidado por ela de “RoberTAMY Carlos”, neste sábado (18), às 21h30, no Dolores Club, no Centro. A cantora revisita a obra do Rei a partir de uma linguagem própria com o objetivo de apresentar os grandes sucessos do artista para o público da nova geração. 
"Ele é uma grande referência. E eu fico muito feliz de estar com esse projeto, cantando essas músicas e levando isso adiante. Meu maior desejo é aproximar essa obra de pessoas que ainda não tiveram tanto contato com ela, principalmente a geração mais nova. E também provocar quem ainda não se conectou. Quando alguém chega e diz “achei que não gostava…”, eu sinto que estamos no caminho", afirma Tamy. 
Clássicos como "Estrada de Santos", "Proibido Fumar" e "Como É Grande o Meu Amor" estão garantidos na apresentação. "Espero que as pessoas se emocionem, dancem e cantem muito comigo. Essas músicas batem forte porque trazem memórias de família, de momentos, de histórias vividas. Mas, do jeito que a gente fez, essa memória vem de um jeito leve, vivo, quase como uma descoberta de novo. É um show para se conectar, para cantar junto e também para lembrar da força de um artista que contou tantas histórias, mudou a música brasileira e segue atravessando gerações". 
A releitura contemporânea de "Com Muito Carinho e Amor", eternizada na voz de Roberto e lançada por Tamy na última sexta-feira (10), também fará parte do setlist. "Trouxe a música para o meu universo, colocando a minha cara, a minha brasilidade e o meu jeito de sentir o ritmo, levando a canção para um lugar mais pulsante, mais ligado ao groove", explica Tamy. "É uma faixa inspirada no pagodão baiano, com melodias e vozes sobrepostas". 
A artista, então, opina sobre a a importância de reinterpretar as canções do artista, que completa 85 anos, neste domingo (19), a partir de uma perspectiva feminina. "Quando eu canto esse repertório, a música muda de lugar. A mesma letra ganha outro corpo, outra intenção. No cancioneiro do Roberto, eu gosto de olhar também para o contexto. Estamos falando de um artista de outra geração, com uma trajetória muito longa, e que sempre cantou o amor a partir da experiência dele", analisa. 
"O que me chama atenção é que esse amor sempre esteve num lugar de admiração, entrega e afeto. E isso aparece na forma como ele canta. Existe uma sensualidade ali que valoriza a mulher. É um canto que acolhe, que exalta, que coloca a mulher num lugar de presença. Quando eu canto essas músicas, eu atravesso essas canções com a minha experiência. Desloco o ponto de vista, mas mantenho o sentimento intacto", destaca.
A relação de Tamy com as canções do cantor, considerado um dos ícones da música brasileira, é antiga. "Cresci ouvindo Roberto em novela, em filme, em casa, e também vivendo esses rituais que existiam em torno dos lançamentos... Tem um lugar pessoal importante, porque sou do Espírito Santo, assim como ele. Isso sempre foi simbólico pra mim. E sempre me chamou atenção a forma como ele canta. A interpretação, a afinação, o jeito de dizer as palavras", aponta ela, que recorda a emoção de ver o artista no palco. 
"Já assisti a um show do Roberto no Uruguai, e foi muito marcante. É uma catarse. O público canta tudo, se envolve, e ele conduz isso com uma segurança impressionante. Ele sabe estar no palco, sabe o tempo da fala, do olhar, da música. É um artista completo. Recentemente, também vi ele participando de um show do Gil, e a voz dele estava impecável. Um artista com quase 85 anos cantando daquele jeito é realmente impressionante". 

Trajetória autoral 
Com músicas em produções como a novela “Viver a Vida” e o filme “A Onda da Vida”, Tamy conta como é ver suas composições ganharem as telas. "Esse movimento veio de forma muito natural. Eu já vinha com uma bagagem grande de escuta e de criação, então me senti pronta pra ocupar esse lugar. Isso ficou mais evidente na canção 'Sempre Vai Ser Carnaval', de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, que acabamos de lançar, e onde eu entro completamente como intérprete. Ao mesmo tempo, ver uma música minha ganhar o mundo através de uma novela ou de um filme é uma experiência muito especial".
"Quando entra numa produção como “Viver a Vida”, a música deixa de ser só minha e passa a fazer parte da memória das pessoas. Isso é muito potente. Eu não parei de compor. Inclusive, tenho duas músicas novas feitas com o pianista Luiz Otávio, que devem ganhar forma ainda este ano. E estou muito aberta a esse momento de troca. Tenho vontade de colaborar mais, de participar de outros projetos, de cantar no disco de outras pessoas também. É um momento de movimento, de criação, de encontro", conclui.