Rio - Protagonizado por Luiz Fernando Guimarães, o espetáculo "Baixa Sociedade" está em cartaz até o dia 26 de julho - exceto nos dias de jogo do Brasil -, no Teatro Clara Nunes, na Zona Sul do Rio, e aborda temas como status, desejo de pertencimento e aparência, com bom humor. Na trama, o ator de 76 anos interpreta o ambicioso Otávio, que tenta sustentar uma imagem de sucesso diante da família e da sociedade.
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"O Otávio representa o coletivo, a necessidade de um lugar ao sol, eu acho que é muito da coletividade, essa coisa da internet, das pessoas quererem aparecer. Acho que tem tudo a ver com a peça que a gente está representando", aponta o artista, que comemora os 50 anos de carreira nos palcos.
"Isso é coisa pra caramba, né? E o Otávio, pra mim, é um personagem muito bom. Me sinto dono total dele e entendo completamente. Gosto da jogada, da ironia dele, gosto do deboche do texto, de contracenar com os atores que eu estou contracenando. É uma alegria estar em cena. Acho que essa alegria transparece para o público. A gente faz o espetáculo junto. Um teatro não se faz sozinho sem a participação da plateia. Então, esse espetáculo é uma comemoração de 50 anos. E comemoração tem que estar todo mundo junto", diz. 0
Isabella Santoni, que divide o palco com Luiz Fernando, assim como Paulo Mathias Jr e Bruna Trindade, destaca a atualidade do texto, apesar da obra ter sido escrita por Juca de Oliveira (1935-2026) nos anos 1970.
"Na época em que a peça foi escrita, essa pressão (por ascensão social) existia dentro de certos círculos sociais. Hoje, com as redes sociais, ela parece ter invadido todos os espaços da vida. Existe uma necessidade constante de performar sucesso, felicidade, pertencimento, estabilidade… e isso acaba criando relações muito atravessadas pela imagem", acredita.
Luiz concorda: "Ele impressiona as pessoas, porque as pessoas se identificam com esse universo. Eu sempre falo, no final da peça, se elas não se identificam com aquilo que elas viram, elas pelo menos conhecem pessoas que têm características muito semelhantes".
Na história, Santoni dá vida à ricaça Ana Maria, ex do Otavinho (Paulo Mathias Jr). Mesmo com o casamento marcado com outro homem, a personagem deseja reconquistar o ex e pede ajuda para Otávio, que enxerga uma oportunidade de se dar bem com a reconciliação dos dois.
"Minha personagem vive dentro desse ambiente de aparências e tensões familiares, mas ao mesmo tempo carrega ausências muito profundas. Tem sido interessante encontrar esse equilíbrio entre o humor da peça e os silêncios emocionais dessas relações", diz.
Contracenar com Luiz Fernando tem sido motivo de alegria para a artista. "É um ator extremamente generoso e muito presente em cena. Ele tem uma escuta muito viva, então, a dinâmica entre os personagens nunca fica mecânica. Tudo ganha mais verdade e humanidade. Me sinto muito livre contracenando com ele porque é daqueles atores que te dá segurança para arriscar e descobrir coisas novas", elogia.
Trabalho na televisão
Luiz retornou às novelas após oito anos para uma participação na reta final de "Três Graças". O ator interpretou Michelangelo, que se tornou amigo de Juquinha (Gabriela Medvedosky) e Lorena (Alanis Guillen), e celebrou o casamento das duas. "Eu adorei fazer... e fiquei impressionado com a resposta do público. Primeiro em relação ao meu trabalho, que foi muito sutil. Não fiz comédia, como estou acostumado a fazer. Fiz um personagem bastante intimista e teve um alcance inesperado. Fiquei realmente lisonjeado com a quantidade de elogios e foram muitos mesmo".
O ator, inclusive, comenta que deseja explorar mais o formato televisivo. "Gostei muito. Eu não dominava, não é que eu domine, mas eu achei um nicho, digamos assim, que tenha um espaço para eu desenvolver as minhas ideias. Acredito, eu tenho muitas ideias e eu acredito que, se a televisão me der a oportunidade, eu gostaria muito de desenvolver e experimentar novas oportunidades, novos personagens que eu ainda não fiz. E eu tenho muitos, eu tenho um diário guardado com muitos personagens. Então, acho que a gente pode, se eu tiver o convite, naturalmente, que eu vou adorar essa oportunidade".
Isabella, que ganhou projeção nacional em "Malhação", revela se pretende voltar aos folhetins. "A televisão faz parte da minha formação e da minha história como atriz... Tenho um carinho enorme por esse formato e reconheço a importância que ele teve na minha trajetória. Ao mesmo tempo, acho que hoje o audiovisual vive um momento muito interessante, com diferentes formatos convivendo. As séries e o streaming abriram espaço para outras linguagens, outros tempos de narrativa e personagens mais complexos. Isso também me transformou como atriz. Hoje me interessa estar em projetos que realmente me provoquem artisticamente e façam sentido para mim, independentemente do formato".
Serviço
"Baixa Sociedade" Até 26 de julho Sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h Local: Teatro Clara Nunes Endereço: Shopping da Gávea - Rua Marquês de São Vicente, 52 - Loja 370 Ingresso: a partir de R$ 70 (meia)