Espetáculo ’Wicked A História Não Contada das Bruxas de OZ’ estreia no Rio nesta quarta-feira (15)João Caldas / Divulgação

Rio - A espera acabou! Com direito a uma superprodução, o espetáculo "Wicked – A História Não Contada das Bruxas de OZ" chega ao Rio, nesta quarta-feira (15), depois de dez anos e três temporadas de sucesso em São Paulo, em 2016, 2023 e 2025. O musical, que ficará em cartaz até dia 6 de setembro, na Cidade das Artes, retrata a história não contada das bruxas de Oz, antes da Dorothy chegar ao mundo governado pelo Mágico de Oz, e aborda temas como amizade e coragem. 
"O Rio esperou bastante por essa temporada. A gente chega com uma responsabilidade grande, mas também com muita alegria e vontade de entregar um espetáculo à altura dessa expectativa... O público pode esperar toda a força de Wicked: emoção, humor, uma montagem grandiosa e uma história que continua surpreendendo até quem já a conhece", avisa Baccic, que dá vida ao Mágico de Oz. 
Elphaba, a famosa Bruxa Má do Oeste, é vivida por Myra Ruiz, que protagonizou todas as temporadas brasileiras da adaptação do clássico da Broadway. "Acho que agora sou a Elphaba mais turbinada no sentido emocional... Cada ano que passa, a minha Elphaba se torna mais completa", analisa a atriz. 
Com a pele verde, a personagem foi rejeitada a vida toda pelo pai e precisou enfrentar o preconceito das pessoas. Ao chegar na Universidade Shiz, ela se torna amiga de Glinda, uma garota bem popular, e passa a defender os direitos dos animais falantes de Oz, contrariando o governo. "Elphaba sempre luta contra o sistema, a favor do que é certo e acaba sendo prejudicada por isso", explica Myra. 
Fabi Bang, intérprete de Glinda, é outra veterana da produção. "Dez anos se passaram desde a primeira vez que estreei esse papel, e a Fabi de hoje mudou muito — virei mãe, amadureci, vivi tantas coisas. A Glinda inevitavelmente ganha novas camadas com isso. O frescor e a comicidade dela continuam intactos, mas hoje eu sinto que ela tem mais profundidade no drama. Eu entendo as dores dela de um jeito muito mais maduro agora. É a mesma Glinda, mas com o coração ainda mais blindado de vivência". 
A jovem começa a história como uma pessoa fútil e autocentrada, mas termina com uma maturidade profunda. "É muito fácil julgar a Glinda de fora, mas ela é humana e comete erros por medo de perder o amor e a aceitação das pessoas. Ela é criada para ser a "perfeita", a líder, e carregar essa expectativa é um peso enorme. Quando ela erra, é tentando acertar ou tentando sobreviver a um sistema político que ela demorou a entender que era corrupto. Eu sinto mais compaixão do que julgamento pelas escolhas dela."
O Mágico de Oz, por sua vez, atua diretamente na manipulação do destino de Elphaba e Glinda. Baccic relata o maior desafio em humanizar o personagem. "É não interpretar o Mágico apenas como um vilão. Ele é um homem carismático, inseguro e profundamente seduzido pelo poder. Acredita que controla a narrativa e que suas escolhas são justificáveis em nome de algo maior. Para humanizá-lo, procuro entender de onde vêm seu medo, sua vaidade e sua necessidade de controle".
"Isso não o absolve, mas torna tudo mais interessante, porque o perigo nem sempre aparece com cara de vilão. Às vezes, ele chega sorrindo, contando histórias e convencendo todos de que sabe o que é melhor. Quando descobre que é o pai de Elphaba, essa estrutura se rompe por um instante: aquilo que ele perseguia e tentava destruir estava ligado a ele de maneira íntima e irreversível", avalia.
Já a cantora e atriz Karin Hils dá vida à Madame Morrible, diretora da Universidade e braço direito do Mágico de Oz. "É uma personagem sofisticada, inteligente e extremamente manipuladora. O grande desafio é justamente encontrar o equilíbrio para que ela seja convincente sem perder a humanidade. Interpretá-la também me fez refletir por ela ser uma assessora de imprensa que passa a ter o controle da narrativa, sobre como o poder e a influência podem ser usados tanto para construir quanto para destruir."
Uma das cenas mais marcantes do espetáculo é quando Elphaba sobrevoa a plateia do teatro. Além dessa, há outros momentos com números aéreos. A grandiosidade da produção, dirigida por Ronny Dutra, também impressiona pelos números. São 35 cenários completos, que pesam cerca de 38 toneladas, 15 efeitos diferentes de ilusionismo, mais de 4 mil metros de tecido utilizados na confecção dos 150 figurinos e 1.200 pontos de iluminação automatizados.
Com temas atuais, preconceito, aparências, cancelamento e amizade feminina o elenco opina sobre a atualidade dos assuntos mesmo com o passar do tempo. "Essa história é ainda mais necessária ser contada hoje do que em sua estreia na Broadway em 2003, porque ela fala sobre algo que continua muito presente na nossa sociedade: a facilidade com que julgamos as pessoas antes de conhecê-las. 'Wicked' nos lembra que existem muitas versões de uma mesma história e que nem sempre quem é apontado como vilão é."
Baccic acrescenta: "Ao mesmo tempo, é uma história sobre afeto, amizade e sobre a coragem de sustentar quem se é, mesmo quando o mundo tenta dizer o contrário". 
Confira algumas cenas do espetáculo: 
Serviço: 
"Wicked - O Musical"
De 15 de julho a 6 de setembro
Quartas, quintas e sextas, às 20h; Sábados, às 15h e 19h; e domingos, às 14h e 18h30
Local: Cidade das Artes Bibi Ferreira
Endereço: Av. das Américas, 5300, Barra da Tijuca
Ingressos: a partir de R$ 50