Claudia Ohana caracterizada como Tânia Flores, a vilã cômica de 'Festa no Arraial, O Musical'João Pedro Hachiya / Divulgação
Claudia Ohana estrela musical inspirado em Shakespeare no Rio
Atriz de 63 anos fala sobre o desafio de interpretar a vilã Tânia Flores no espetáculo, rotina intensa de trabalho e envelhecimento
Rio - Claudia Ohana está de volta aos palcos do Rio em "Festa no Arraial, O Musical", espetáculo livremente inspirado em "Sonho de uma Noite de Verão", de William Shakespeare. Aos 63 anos e com mais de quatro décadas de carreira, a atriz interpreta Tânia Flores, uma vilã cômica que une humor, exagero e música. A montagem fica em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, até 27 de setembro.
"O convite surgiu de uma maneira muito gostosa. Quando me apresentaram o projeto, fiquei encantada com a proposta de trazer essa história para o universo das festas juninas, com música, dança e toda essa brasilidade. E poder trabalhar com a Thereza Falcão, que é uma diretora que admiro e respeito muito, também foi um grande incentivo. Gosto muito do universo que ela cria, dessa capacidade de trazer magia e delicadeza para as histórias", conta.
A trama leva a história de Shakespeare para uma pequena vila nordestina em plena festa junina. Hérmia (Lorena Tucci) e Lisandro (Bernardo Mesquita) são um jovem casal apaixonado que sonha em se casar na grande noite do arraial, mas acontecimentos inesperados atrapalham os planos dos dois. A partir daí, a história mistura encontros e desencontros amorosos, humor e fantasia, com criaturas encantadas da mata que interferem no destino dos moradores. Ao todo, a montagem reúne 14 artistas entre atores, cantores e instrumentistas.
No palco, Claudia encontra um tipo de personagem diferente das vilãs que marcaram sua trajetória na televisão. "A Tânia, especialmente, tem uma característica que a torna muito diferente: ela é uma vilã cômica, cheia de personalidade, e existe um equilíbrio muito divertido entre o humor quase farsesco e a verdade da interpretação. Encontrar esse tom é um desafio delicioso, porque preciso transitar entre o exagero, o humor e, ao mesmo tempo, fazer com que ela seja verdadeira e humana, e ainda cantar. Nos tiram da zona de conforto, e eu amo um desafio!", afirma.
A temporada chega em meio a uma sequência de projetos. No primeiro semestre deste ano, Claudia concluiu as gravações dos filmes "A Grande Virada", dirigido por Halder Gomes, e "Não Me Lembro", de Fábio Flecha. Antes de "Festa no Arraial", também esteve nos palcos com "As Amantes de George Washington", ao lado de Priscila Fantin.
Apesar da agenda cheia, desacelerar ainda não está nos planos. "Eu gosto de falar que, quando você faz teatro, cinema e televisão ao mesmo tempo, uma coisa ajuda a outra. Por enquanto, não tenho vontade de desacelerar. Mas, para isso, me poupo muito, não vou a qualquer evento, não vou a qualquer festa e cuido de mim para poder aguentar o ritmo de trabalho", explica.
Envelhecimento sem tabu
A passagem do tempo é outro assunto que Claudia trata com naturalidade. A atriz reconhece que o etarismo ainda atinge principalmente as mulheres e defende que a maturidade não deve limitar os papéis oferecidos no mercado. Para ela, a experiência trouxe mais liberdade, autoconhecimento e segurança também fora dos palcos.
"Eu acho que ainda precisamos naturalizar muito mais o envelhecimento. Todo mundo quer viver muitos anos, mas ninguém quer envelhecer e existe uma contradição enorme nisso. Envelhecer é um privilégio que nem todas as pessoas têm, então não faz sentido tratar a idade como se fosse um defeito ou um insulto", declara.
A relação com a própria imagem também mudou com os anos. "Prefiro pensar no que ganhei ao longo desses anos: experiência, liberdade, autoconhecimento e uma relação muito mais generosa comigo mesma. Continuo me cuidando, gosto de me sentir bem, de me olhar no espelho e gostar do que vejo, mas esse cuidado vem de um lugar de carinho, e não de uma tentativa de voltar no tempo", diz.
'Vamp' ainda faz parte da história
Entre os personagens mais lembrados da carreira está Natasha, de "Vamp" (1991). A novela completou 35 anos em 2026, e a vampira voltou à televisão em uma participação em "Êta Mundo Melhor!" (2025-2026). Para Claudia, a associação com a personagem nunca foi um incômodo. "É muito bonito perceber que as pessoas guardam tanto carinho por uma personagem como a Natasha que foi um fenômeno e acabou atravessando gerações. Nunca enxerguei essa associação como um incômodo. Pelo contrário, vejo como um presente e como parte importante da minha história", afirma.
A atriz também não descarta interpretar Natasha outra vez. "Sempre senti que a novela precisava de uma continuação. Natasha é uma personagem que nunca morre, acharia incrível agora com a minha idade voltar a fazer essa personagem tão icônica", admite.
Para os próximos meses, Claudia evita revelar detalhes, mas adianta que novos trabalhos estão a caminho. "Tenho muitos projetos e sonhos que ainda quero realizar. Neste momento, existem algumas coisas acontecendo, mas prefiro esperar o momento certo para falar. Continuo com a mesma vontade de trabalhar, experimentar novos caminhos e contar boas histórias. Posso dizer que, em breve, teremos novidades", antecipa.







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