Roberta Miranda promete no repertório faixas como ’Majestade, o Sabiá’ e ’Vá com Deus’ em show no Vivo RioDivulgação

Considerada a rainha da música sertaneja, Roberta Miranda celebra os 40 anos de carreira no palco do Vivo Rio, na Zona Sul, neste sábado (19). A cantora e compositora paraibana apresentará ao público carioca parte do repertório inédito do próximo projeto audiovisual, que será gravado em outubro. 
"Subir ao palco, completando 40 anos de carreira, é algo que me assusta, no bom sentido. Quando a gente olha para trás, percebe que a vida passou como um vento, um sopro. Mas, ao mesmo tempo, fico muito feliz, porque, se Deus quiser, deixo um legado de pessoas com o coração cheio de paixão e poesia, que também tem amor e paixão pela arte como eu tenho. Esse é o legado que eu quero deixar", afirma a artista.
Natural de João Pessoa, na Paraíba, a cantora demonstra animação para a apresentação. "Os cariocas, assim como todos os meus fãs, não somente do Brasil, mas do mundo, são maravilhosos. Mas, o Rio de Janeiro estava com muita saudade da Roberta Miranda. Por isso, esse pontapé da nova turnê e do novo audiovisual é dado pelo Rio", explica. Após a estreia no Rio, a turnê deve seguir por pelo menos outras dez capitais brasileiras, além de datas no interior de São Paulo.
Roberta adianta que a roupagem do espetáculo é inédita. "É um repertório diferente, com uma timbragem diferente. Desde janeiro, estou trabalhando nesse repertório junto com meu produtor de Brasília, o Ítalo, e tenho certeza de que, além de todas as canções lindas que vocês tanto pediram para que estivessem nesse novo repertório, também teremos bastante modão. Afinal, sou representante da música sertaneja, e não poderiam faltar os modões."
Além da turnê, um novo projeto audiovisual também fará parte das comemorações. "Artisticamente, me representa muito, porque chego à excelência. Trabalhei em cima de mais de 440 canções e vocês não têm ideia de como foi difícil para a gente escolher apenas 20 músicas. Foi uma loucura. Eu chegava a sonhar com as músicas, porque cada canção que eu retirava era como se cortasse na carne. Foi muito difícil", lembra. 
"É uma nova fase, sim, porque cada música foi trabalhada de uma forma diferente, com o corpo da música mais balanceado, sem retirar a característica de cada canção. Não podemos esquecer que esses 40 anos da Roberta Miranda foram também um pedido dos fãs para que eu voltasse àquela Roberta dos anos 80. Tanto é que, hoje, todo mundo (principalmente, os artistas mais novinhos) regrava as minhas canções. Posso dizer que esse audiovisual estou fazendo para o meu fã, para o meu público e para o meu coração", acrescenta.
Dona de faixas como "Majestade, o Sabiá" e "Vá com Deus", Roberta revela como equilibra a essência que a consagrou como um dos maiores nomes femininos do sertanejo com as constantes transformações da indústria. "Completar 40 anos de carreira e se manter no topo exige dedicação, resiliência e reinvenção. O mercado musical mudou muito, e eu precisei me adaptar", explica.
Ela ainda fala sobre a evolução tecnológica. "Hoje, as redes sociais são um caminho muito legal. As pessoas estão muito mais próximas da Roberta Miranda humana, da 'Maria', digamos assim. Até porque eu sou uma pessoa que brinca, faço dancinhas no TikTok, de vez em quando também estou ali no Instagram, tentando levar uma vida mais leve e transmitir isso para as pessoas. Porque não é uma frase pronta ou uma frase de praxe e sim uma verdade: a vida é rápida. Então, vamos trazer um pouco mais de leveza para a nossa alma."

'Perdi muitos amores'

Ao analisar a trajetória artística, Roberta conta o que faria de diferente se pudesse voltar ao início da carreira. "Mudaria algumas coisas, faria menos shows, curtiria mais a vida, a minha família, os meus amigos e me dedicaria mais ao meu amor, porque eu perdi muitos amores por causa da minha carreira, perdi quase toda a minha família. Então, eu não curti a vida. Eu só trabalhei. Fazia mais de 160 shows por ano. Já cheguei a fazer cinco shows em um único dia. Mudaria isso", desabafa.
"Tanto é que eu quase perdi a minha saúde mental e a minha saúde física. Tive síndrome do pânico, quase perdi a carreira. Isso acabou me fazendo perder alguns fãs também. Era amor, paixão. Naquela época não existiam redes sociais. Eles mandavam recados, mandavam telegramas, e assim a gente se comunicava. Então, é isso que eu mudaria na minha vida. De 15 anos para cá, eu puxei o freio. Hoje, faço um número X de shows", detalha.
Mas, no tempo livre, ela não só descansa. "Mexo em projetos, trabalho em outras coisas, vou estudar. Estou estudando neste exato momento. Mas eu mudaria isso, sim. Eu viveria muito mais, porque só estou vivendo de uns aninhos para cá e olha que não são férias, hein? Porque a minha cabeça não para", conclui.