Bruno Mazzeo ao lado da estátua do pai Chico AnysioReynaldo Zangrandi / TV Globo

Rio - A vida e obra de Chico Anysio (1931 - 2012) serão retratadas na série documental "Chico Anysio: um Homem à Procura de um Personagem", lançada nesta quinta-feira (25), no Globoplay. Filho do humorista, Bruno Mazzeo é quem assina a direção e o roteiro da produção, que conta com cinco episódios. 
"A série não é uma 'homenagem', um 'especial', mas um mergulho não só na obra, mas na alma de Chico Anysio. É um documentário profundo, como não podia deixar de ser, uma vez que é um filho juntando o quebra-cabeças da vida do pai", afirma Mazzeo. 
A série mostra a vida de Chico, desde a infância no Ceará, a vinda para o Rio de Janeiro, o início na rádio, até o seu sucesso na TV com o ‘Chico Anysio Show’, atração que transformou o humor na televisão brasileira, inaugurou o uso do videotape e apresentou os primeiros de seus mais de 200 personagens. Durante a vida, o artista enfrentou desafios na carreira, teve seis casamentos e foi alvo da imprensa. A obra aborda ainda como aconteceu o afastamento do ícone da comédia das telas da TV, seu legado artístico e o fim da vida.
"A ideia sempre foi aprofundar no Francisco, em paralelo com a trajetória incrível do Chico. O Francisco era um ser humano que tinha falhas, inseguranças, fraquezas e até depressão. Acho que conseguimos mostrar um lindo e verdadeiro retrato do meu pai. Com certeza, ele deve estar feliz com o resultado", diz o diretor. 
Bruno também adianta como o documentário explora a importância dos personagens do pai no imaginário popular brasileiro. "Ao lembrar seus personagens, temos a real noção do quanto eles ainda estão no imaginário do brasileiro, muitos bordões são repetidos até hoje nas ruas. Alguns entrevistados contam de onde vieram inspirações para a criação de alguns personagens. Isso, além de ser curioso, deixa bem claro que a matéria-prima do Chico vinha das ruas".  
Convidados
Repletos de imagens de uma rica pesquisa com conteúdos de acervo que ilustram a grandiosidade de Chico, os episódios desvendam o legado do criador também através de depoimentos inéditos e emocionantes de amigos, parceiros e familiares. "Não entrevistei ninguém que não conhecesse profundamente meu pai, que não tenha convivido com ele, seja profissional, seja pessoalmente", destaca Bruno.  
Entre os nomes convidados para falar sobre o artista está o de Fernanda Montenegro, uma das companheiras do artista no início da carreira, que, emocionada, declara: "Falar de colegas da dimensão dele toca o coração". José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, mais conhecido como Boni, também ressalta a importância do humorista: "A disposição dele para a vida era tão grande que ele certamente não viveu plenamente. Fez tudo aquilo que queria, foi um sucesso imenso, mas o Chico Anysio era maior que o próprio Chico Anysio".
Heloisa Périssé explica como o artista se conectava com o público. "Seus personagens tocavam o brasileiro porque ele pegava a essência do que estava acontecendo no momento. O Chico era muito antenado, um cara que já ficou no ar de domingo a domingo. Sempre foi muito preocupado em saber o que o povo falava para trazer isso para a arte dele. Realmente o artista vai aonde o povo está".
Já Lucio Mauro Filho, filho de Lucio Mauro e amigo de longa data de Bruno Mazzeo, lembra com carinho de Chico e enaltece seu vasto acervo de personagens. "São brasileiros vindos de todos os lugares. Inclusive, ele e meu pai também são imigrantes. Imagina os personagens que Chico Anysio foi conhecendo até chegar ao Rio de Janeiro e a São Paulo? Acho que, em algum momento, ele pensou: ‘Eu estou com esse material todo pronto'".
Quem também marca presença na série é Marcos Palmeira, sobrinho de Chico Anysio, e exalta a capacidade dele de se conectar com a essência do país. "Acho que ele representava muito esse Brasil profundo. Conseguia, com a leveza do humor, ser um observador dos seres humanos. Acredito que essa comunicação era muito direta", recorda. "Talvez esse documentário não seja apenas sobre a trajetória do mais importante humorista brasileiro. Mas, também, um resgate", conclui Mazzeo. O documentário conta com a participação de outras personalidades como Tom Cavalcante e Renato Aragão, por exemplo.