Agrado Garcia foi criada na caravana da madrinha e sonha em ser cantora sertaneja Manoella Mello / TV Globo

Rio - Isadora Cruz, de 27 anos, chega a um novo marco na carreira ao assumir sua terceira protagonista na televisão. A partir desta segunda-feira (12), a atriz estreia como Agrado Garcia em "Coração Acelerado", novela das 19h da TV Globo escrita por Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento. Na trama, a jovem cantora e compositora vai encarar os desafios da estrada em busca de espaço e reconhecimento musical. 
"Sinto que temos esse lugar do sonho muito parecido porque virar uma estrela da música sertaneja pra quem é do Goiás realmente é quase um sonho impossível, muitas pessoas querem o mesmo. Sendo uma atriz de João Pessoa (PB), era muito distante pra mim. Estrear um projeto incrível com pessoas maravilhosas era distante. Eu não conhecia ninguém desse meio artístico", confessa a atriz. 
Depois do sucesso como Roxelle em "Volta Por Cima" (2024), a artista conta que a protagonista também carrega um traço divertido, em sintonia com o humor característico da faixa horária. "Agrado tem um lado cômico que vem do texto da novela mesmo. É uma personagem maravilhosa, destemida, corajosa e tem uma autenticidade muito grande. Ela tem uma força de entender que o bonito da gente é ser real, verdadeiro e não perder a essência".
A jovem cresceu na caravana da madrinha, Zuzu (Elisa Lucinda), após a mãe, Janete (Letícia Spiller), que sofreu várias injustiças, fugir da cidade fictícia de Bom Retorno e levá-la junto. "Ela vive de peito aberto. Com muita coragem, fé e crença, porque ela veio de uma criação de duas mulheres muito fortes e livres. Ela busca essa liberdade todos os dias. E o país é feito de mulheres tão fortes. Então as novelas precisam servir de espelho para a nossa sociedade. Pra mim é uma honra fazer parte dessa história", celebra. 
A personagem encontra na música sua forma de expressão e de conexão com o mundo. "Ela começa escrevendo as próprias canções e colocando nas letras o que acontece na vida dela. Por isso eu acho que as músicas autorais da novela vão emocionar o público e atravessar as pessoas porque são reais", diz a atriz. 
Para compor Agrado, Isadora se inspirou em grandes referências da música sertaneja, como Marília Mendonça (1995-2021). "Eu me inspiro tanto na Marília porque ela começou como compositora, passou por muita coisa para conseguir ser respeitada como intérprete e Agrado passa por todo esse processo também. Estou vivendo uma cantora sertaneja porque tantas mulheres lutaram por isso. É um meio tão machista e agora a gente pode ter voz e contar as nossas próprias histórias".
A artista destaca que o universo musical é um novo território que ela está explorando e onde encontrou outras maneiras de mostrar sua arte. "Eu nunca cantei profissionalmente e está sendo muito gostoso poder descobrir novos jeitos de contar histórias através da música. O sertanejo une tantas pessoas de lugares diferentes do Brasil porque tem uma linguagem que fala de assuntos universais: amores, dores, prazeres e corações partidos de uma forma simples. O poder do sertanejo é sua honestidade e simplicidade", destaca. 
Na trama, Agrado é alvo da procura de João Raul (Filipe Bragança), o menino que ela conheceu na infância durante um concurso de calouros em uma rádio no interior de Goiás. O destino separou os dois mas deixou lembranças: a medalhinha de Santa Cecília e uma pulseira com as iniciais do outro.
"O amor de João Raul e Agrado é muito épico. Acho que essa coisa de um astro da música sertaneja se apaixonar por você é muito incrível, né? É meio que a história da Cinderela. Acho que é muito gostoso como menina jovem acompanhar essa história de amor e acho que iria me apaixonar por ela", acredita Isadora. 
Um obstáculo no romance dos mocinhos é Naiane (Isabelle Drummond). A influenciadora namora o sertanejo e não pretende abrir mão da mídia que o envolvimento traz. O triângulo amoroso formado por um casal de cantores e uma criadora de conteúdo na ficção gerou comparações do público com Zé Felipe, a ex-mulher Virginia Fonseca, e a ex-namorada Ana Castela.
"É a sincronicidade da vida. Por isso que a novela tem esse cheirinho de sucesso porque é um espelho da vida de tudo que está acontecendo na sociedade agora. Não foi planejado que essa novela iria estrear em 2026 quando a história desse trio estaria bombando. Então acho que essa é a magia da arte, das escritas que são verdadeiras e nossas autoras tiveram um pensamento à frente do tempo", opina a artista. 
Isadora e parte do elenco de "Coração Acelerado" desembarcaram na Região Centro-Oeste do Brasil para filmar cenas do folhetim. "Gravamos em várias cidades diferentes de Goiás e tem sido muito lindo descobrir essa cultura que as pessoas de lá são apaixonadas pela terra, tem essa vontade de lutar e essa honra pelas raízes. O próprio sertanejo honra muito a sua tradição e está sempre se renovando".
Carreira Internacional 
Antes do sucesso nacional, Isadora morava em Los Angeles e já colecionava projetos em diversos países. Ela integrou o elenco do filme "Men At Work: Miami", da Holanda, "Auguri", da Itália, e os curtas Thanks For Sharing" e "Looking For Jude". A atriz não descarta trabalhos fora do Brasil. 
"Eu tenho muita vontade de viver mulheres e contar histórias que me inspiram seja aqui, na Paraíba, nos Estados Unidos ou na Europa. Acho que meu coração segue o caminho do que chega perto do que eu acredito. Se um dia eu tiver uma personagem maravilhosa, que eu acredite e faça sentido contar essa história, pra mim será um prazer interpretar", afirma. 
A artista ainda comenta o prêmio Rose d'Or Awards 2025 que "Guerreiros do Sol", do Globoplay, ganhou na categoria Melhor Telenovela, produção na qual interpretou a protagonista Rosa. Para Isadora, a valorização estrangeira das produções brasileiras é motivo de orgulho. 
"Acho muito lindo esses olhares internacionais para o Brasil, finalmente, porque temos uma cultura tão rica. É tão difícil fazer arte no país, mas quando a gente faz é a coisa mais linda do mundo. Vem do suor e do sangue derramado porque sabemos o quanto é difícil, a gente move montanhas para fazer uma série, um filme e o cinema independente. Quando o mundo reconhece essa potência é incrível", analisa.