Rio - Depois de trabalhar como repórter do "Domingão do Faustão" e comandar programas em canais pagos, como BandSports e FoxSports, Leticia Datena estreia em rede nacional como apresentadora à frente do"Webmotors TV", no SBT, e celebra os 10 anos de carreira focada no automobilismo.
"É uma conquista muito bacana. Quase ninguém sabe a batalha diária que é para se sobressair em um universo majoritariamente masculino, e ainda atuando muitas vezes em projetos internacionais, onde compito com pessoas de outras nacionalidades sendo estrangeira. Então, me orgulho de estar à frente da Webmotors TV, em um canal tão tradicional como o SBT", afirma.
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Filha de José Luiz Datena, a jornalista comenta como é estar inserida no meio automobilístico, que antes era mais representado e apresentado por homens, e analisa os avanços femininos neste cenário.
"Encaro como um movimento natural. As pessoas se interessam pelo que são estimuladas a se interessarem, e desde cedo os meninos brincam de carrinho e as meninas de boneca. E acho que isso não é mais uma regra. Os pais e a escola estão entendendo a olhar mais para as predisposições de cada um. Por outro lado, na sociedade, como um todo, existe uma abertura maior para as pessoas serem o que elas querem. E a indústria automobilística já aprendeu a olhar para a mulheres como consumidoras de carros. Mas ainda acho que esse movimento está no começo, tem que ganhar força".
Apesar do talento, Leticia sofreu preconceito neste meio. "Já sim, entretanto muito mais quando trabalhava com futebol. Hoje, depois de muito trabalho, esforço e oportunidades incríveis de mostrar o meu trabalho, me sinto respeitada e valorizada no meio automobilístico. No Brasil, estar à frente de transmissões e ser um dos rostos da Stock Car, por quase seis anos, ajudou muito neste processo. Mas construí um currículo sem precedentes no Brasil, com três coberturas de Dakar (Senegal) in loco (este ano, inclusive, fui convidada pela organização para cobrir a corrida, o que é algo muito raro), fui a única brasileira da história a trabalhar como apresentadora do WRC (World Rally Championship)... Enfim, foi muito trabalho e esforço".
A paixão da jornalista por carros começou na adolescência. "Fui daquelas meninas que esperou ansiosamente fazer 18 anos para comprar um carro. Mas não era ligada em assistir competições automobilísticas. A paixão surgiu quando cobri meu primeiro rally, em 2016, no Chile. Era um evento gigante, tradicional no país e fui chamada para ser uma das repórteres dessa etapa... Entrei porque era fluente em inglês e espanhol e podia entrevistar as autoridades. Mas me apaixonei pelo circo todo e acabei ficando no campeonato, e depois uma coisa foi levando a outra. Evolui na carreira rápido porque mergulhei de cabeça", destaca.
Além de ser apresentadora oficial da Stock Car, ela integra o time de profissionais de comunicação da Fórmula E, que pertence ao mesmo grupo da Fórmula 1. "Fazer o que ninguém faz traz significado para uma trajetória. Estou sempre em busca de realizar coisas inéditas e me desafio sempre".
Entre os momentos mais marcantes da trajetória profissional, a jornalista destaca: "Acho que cobrir dois Dakar na Arábia Saudita, viajando durante 20 dias pelo deserto, em acampamento, dormindo em tendas, é tão difícil e prazeroso ao mesmo tempo que me fez confirmar duas coisas: que eu realmente me especializei em cobrir eventos automobilísticos nas condições mais extremas e desafiadoras, e também que eu realmente sou apaixonada pelo que faço".
Filha de peixe, peixinha é
A comunicação está no DNA de Leticia. Fruto do antigo relacionamento de Datena com a jornalista Mirtes Wiermann, a comunicadora diz se costuma trocar ideias com os pais sobre trabalho. "Já fiz muito isso. Mas a minha área de atuação há muito tempo já distanciou muito do que faz a minha família. Eles trabalham em um estúdio, e trabalho em autódromos, deserto, montanhas. Minha jornada de trabalho é longa, cada corrida é em uma cidade ou país diferente... Então já não trocamos mais tantas figurinhas, o trabalho é muito diferente".
A apresentadora, inclusive, recorda com carinho um conselho que recebeu do pai. "Para eu sempre levar qualquer gravação como se fosse ao vivo e sempre ter meu estilo próprio. Dicas de terceiros podem ser boas, mas seguir a sua intuição é o que te faz único".