Mariana Sena faz estreia no horário nobre em ’’Quem Ama Cuida’Divulgação/Balbino

Rio - Mariana Sena estreia no horário nobre em "Quem Ama Cuida", da TV Globo, na pele de Elenice, uma dona de casa dedicada à filha e ao marido, Tom (Allan Souza Lima), com quem vive um relacionamento abusivo. A atriz emenda o terceiro folhetim na emissora após integrar o elenco de "Mar do Sertão" (2022) e "Garota do Momento" (2024), e comemora o primeiro convite que recebeu na carreira artística. 
"Estou muito honrada de ter sido convidada para este trabalho. Sempre fiz testes e gosto muito de fazer o processo, mas agora foi diferente, pela primeira vez alguém olhou um personagem e pensou: 'vou chamar a Mariana para fazer!', não me testou. No início, fiquei com medo de não dar conta. Aquela coisa da 'síndrome do impostor' por ser uma personagem tão complexa", afirma ela, que comenta o desafio que o novo papel trouxe para a própria trajetória artística.
"Eu acho que ter sido convidada para uma novela foi um ponto para eu entender o meu amadurecimento dentro da emissora. Fico muito feliz por me confiarem uma personagem que tem me desafiado. Me sinto lisonjeada e feliz de estar sendo vista e reconhecida. É um ponto muito positivo", analisa.
O convite também mostra a confiança na capacidade de Mariana para viver uma personagem com enredo tão denso. "É  importante estar vivendo isso porque sempre quis fazer uma novela das nove, é minha primeira novela do Walcyr Carrasco e da Claudia Souto, minha estreia como mãe na dramaturgia... então é a minha primeira vez de muitas coisas. Estou muito feliz e empolgada. A cada dia são novas descobertas". 
A atriz explica que a complexidade da filha de Rosa (Tatiana Tiburcio) foi o que mais a atraiu no convite para integrar o projeto. "Quando eu soube que ela era uma personagem feliz e solar, mas que vivia dentro de casa um relacionamento abusivo, me senti detentora de grandes poderes. Me senti com muita responsabilidade nas mãos, ainda mais no período que estamos vivendo", declara. 
Mariana também destaca a importância social em abordar uma triste realidade enfrentada por muitas mulheres. "Infelizmente, somos um país recordista de feminicídios e todo feminicídio começa com um relacionamento abusivo, se desenvolve uma violência que vai crescendo e muitas vezes o fim é trágico. Peguei essa responsabilidade e quero construir uma personagem que seja real, potente e fiel à realidade dessas mulheres do nosso país", pontua. 
Para dar vida à personagem que enfrenta uma relação tóxica, a atriz buscou informações em artigos, estatísticas, filmes e documentários para compreender melhor a realidade retratada na novela. "Através do texto, fui construindo a vulnerabilidade desta mulher, o amor que ela tem por esse homem. A história dela está muito vinculada ao relacionamento, a maneira como ela se comporta, pensa e se coloca diante das situações". 
A artista também buscou compreender de forma profunda a realidade de mulheres que vivem este tipo de relacionamento, recorrendo a experiências próprias e relatos de pessoas próximas. "Além da terapia que faço há 12 anos, precisei trabalhar algumas coisas em mim, reviver experiências do passado, para poder emprestar para a personagem ao mesmo tempo que mergulhei nas pesquisas. Infelizmente é um problema mundial. Alguém sempre tem uma amiga, um parente ou ela própria já viveu esse tipo de relação", lamenta.
A troca com Allan Souza Lima nos bastidores contribui para dar profundidade e credibilidade na relação conturbada vivida pelos personagens. "O Allan é um ótimo parceiro, tem uma ótima escuta e a gente conversa e troca bastante para construir esse casal da maneira mais real possível. É um relacionamento abusivo que precisa de nuances porque não é violento o tempo todo", observa. "Há momentos de love bombing, que são momentos em que parece que está tudo bem. Estamos construindo juntos. É a primeira vez que eu construo um personagem em dupla e faz super sentido", avalia. 
A expectativa é que a trajetória de Elenice alcance mulheres que passam por situações semelhantes na vida real e seja um ponto de virada. "É o meu maior desejo. São muitas 'Elenices' pelo Brasil afora. Se a história dela servir para tocar uma mulher que vive uma relação tóxica, provocar uma identificação e for um incentivo para ela buscar ajuda e se libertar daquela situação de violência, é um indicativo que estamos no caminho certo, fazendo um trabalho com responsabilidade social". 
Mãe de Ayomi, de 2 anos, Mariana acredita que a maternidade teve influência direta na forma como construiu a relação de Elenice com a filha, Dafne. A personagem será interpretada por Valentina Cavalheiro na primeira fase e por Arlyane Carvalho na segunda, após passagem de tempo no folhetim. 
"Sou uma outra mulher, outro ser pensante, corpo e cabeça. Isso influenciou muito na criação da minha relação com a Dafne. Acho que depois da maternidade tem sutilezas, outras emoções e maneiras como a gente vê as situações e enxerga o que está ao nosso redor. Sinto que sou mais potente pós-maternidade. Como mãe sinto que o olhar influencia bastante e está presente na relação com as atrizes", analisa. 
A amizade entre Elenice e Adriana (Leticia Colin) será impactada após a fisioterapeuta ser condenada injustamente pela morte do marido, o milionário Arthur Brandão (Antonio Fagundes) graças a um depoimento de Tom. O marido de Elenice recebeu dinheiro de Ademir (Dan Stulbach) para ser testemunha de acusação no julgamento da protagonista.
"Ela é uma amiga muito acolhedora. Aquela pessoa que se sente responsável pelo conforto e manutenção do bem-estar das pessoas ao redor dela. Elenice tem a Adriana como irmã, então tudo o que acontece com a amiga afeta muito. Ela chega a se sentir responsável pelo que aconteceu com a Adriana, inclusive, a relação entre as duas muda bastante justamente por causa dessa responsabilidade", antecipa. 
O impacto da amizade com a protagonista não é visto por Mariana como o motivo dos conflitos no casamento de Elenice e Tom, já que a relação abusiva já está estabelecida na dinâmica do casal. "Como todo relacionamento tóxico, quando o abusador percebe que a vítima pode sair daquela relação porque existe alguém próximo que está abrindo os olhos dela, ele tenta fazer com que essa pessoa fique distante. Adriana não cai na lábia do Tom, então, como boa amiga tenta abrir os olhos dela e isso com certeza traz mais conflito para a relação", reflete.