Rio - Depois de interpretar Moacir em "Dona Beja", da HBO Max, Vandré Silveira faz uma participação especial em "Quem Ama Cuida", da TV Globo, como o misterioso Edson. O personagem, que fica na trama até esta terça-feira (21), finge que é rico e vive um romance com Carmita (Deborah Evelyn). Ele, entretanto, planeja aplicar um golpe na mãe de Bruna (Fernanda Marques). Prestes a completar 25 anos de carreira, o ator celebra a repercussão deste trabalho, faz um balanço de sua trajetória e afirma que boas histórias continuam sendo o principal critério para escolher seus projetos.
- O Edson chega em "Quem Ama Cuida" para movimentar a vida da Carmita. O que mais chamou sua atenção quando recebeu o convite para fazer essa participação especial?
Edson é um homem que aparenta ser rico para não despertar nenhuma desconfiança em relação a sua real intenção. Ele se aproveita da vulnerabilidade de Carmita para se dar bem financeiramente. Carmita é experiente, ela não cairia facilmente na lábia deste homem. Há uma conexão real entre eles. E nesse caso é pelo desejo. Essas pessoas são hábeis em seduzir e envolver suas vítimas.
- Mesmo em uma participação mais curta, o Edson desperta curiosidade logo nas primeiras cenas. Como foi encontrar o tom desse personagem sem entregar logo de cara quais eram suas verdadeiras intenções?
Busquei essa conexão real entre eles. Esse encontro incendeia. E ele oferece todas as justificativas que amparam Carmita. A mulher com a qual ele é casado está doente e por esse motivo ele tem dificuldade em se separar. Mas a todo momento ele se declara para Carmita e faz muitas promessas. Um clássico! Também mostra uma vida de conforto e posses, o que desperta segurança nela.
- Como foi dividir cena com Deborah Evelyn? Houve alguma troca ou aprendizado que você leva dessa parceria?
Deborah é uma grande atriz e tivemos uma feliz parceria. Conversamos sobre a natureza dessa relação cheia de desejo e o jogo entre nós fluiu maravilhosamente. Aliás, as cenas foram muito divertidas de gravar.
- Participações especiais costumam exigir que o ator conquiste o público em pouco tempo. Esse formato muda a forma como você encara o trabalho? Por quê?
Encaro sempre da mesma forma, com dedicação e entrega. Há uma torcida para que o personagem e a trama caiam no gosto popular. Aliás, o retorno tem sido maravilhoso! É muito bom quando há a possibilidade de aprofundar a construção de um personagem.
- Em poucos meses você passou por uma novela de streaming, uma participação na novela das nove e segue em turnê pelo país com o monólogo "A Hora do Boi". O que esse momento representa para você?
Um momento de realização profissional. Tenho uma trajetória sólida no teatro e esses personagens mais recentes, especialmente o Edson, têm dado maior visibilidade ao meu trabalho.
- Você completa 25 anos de carreira. Quando olha para essa trajetória, o que o Vandré de hoje faz de diferente do ator que estava começando?
'Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.' Me inspirei em Geraldo Vandré para responder a essa pergunta. Aliás, meu nome é uma homenagem a ele. Meu pai era fã. Aprendi ao longo dessa trajetória de 25 anos a importância de realizar, de sair do lugar de passividade e espera. O caminho se apresenta ao dar o primeiro passo. Realizei projetos autorais no teatro que me moldaram como artista e ator. E é a partir deste lugar que construo minha trajetória.
- Você costuma alternar teatro, cinema, streaming e televisão. O que faz você aceitar um projeto hoje? É o personagem, a história, a equipe...?
Boas histórias. Acredito que nós atores estamos a serviço de contar boas histórias que inspirem reflexão e mudanças concretas no mundo.
- Em "Dona Beja", você interpretou um personagem que levantava discussões importantes sobre preconceito. Como você enxerga o papel da dramaturgia em provocar esse tipo de reflexão?
Em 'Dona Beja', Moacir é o capitão da guarda do ouvidor de Minas. Um dragão de Minas que se relaciona intimamente com Severina (Pedro Fasanaro) e que esconde da sociedade essa relação que foge aos padrões da época. Penso que a dramaturgia é uma ferramenta poderosa em espelhar costumes, hábitos e comportamentos e gerar reflexão, diálogo e possíveis desdobramentos na realidade cotidiana.
- O monólogo "A Hora do Boi" trata de questões ambientais e da relação entre humanos e animais. O que esse espetáculo diz sobre o artista que você quer ser?
Diz sobre o artista que sou, comprometido com uma visão de mundo que busca por respeito e igualdade entre todos os seres. Precisamos mudar nossa relação com os recursos naturais, com nossos semelhantes, seres humanos e com as outras espécies. Os animais não humanos não estão à serviço da humanidade. Chega de tanta exploração e crueldade.
- Depois desse ano tão movimentado, o que ainda falta realizar profissionalmente? Quais são seus próximos planos?
Estou sempre pensando e gestando novas ideias e projetos. Neste momento, estou focado com a circulação do espetáculo 'A Hora do Boi' que fará temporada no CCBB BH em agosto. Aliás, estou feliz em retornar aos palcos da minha cidade natal, Belo Horizonte.