Atriz Fernanda PimentaReprodução / Instagram

Rio - Fernanda Pimenta chega à reta final de "Coração Acelerado" com um feito especial na carreira. Em sua estreia na televisão, a atriz goiana, com mais de 20 anos de trajetória, assumiu o desafio de interpretar Irene e Amélie, duas personagens de perfis opostos na novela das 19h da TV Globo.
"Fiquei muito feliz quando soube que Amélie entraria na história, mas também pensei: 'Meu Deus do céu, duas personagens, como vai ser?'. Era algo complexo e muito desafiador, mas recebi a novidade com alegria porque demonstrava a confiança da equipe no meu trabalho. Termino essa experiência com um sentimento de realização, felicidade e saudade. Na verdade, já estou com saudade", conta.
Irene começou a trama como governanta e cozinheira da casa de Zilá (Leandra Leal). Após romper com a empresária, abriu uma loja de empadão goiano ao lado de Walmir (Antonio Calloni). Amélie, prima que viveu na França, chegou a Bom Retorno com modos sofisticados e foi contratada por Zilá como personal chef.
Para evitar que a nova personagem parecesse apenas uma versão refinada de Irene, Fernanda trabalhou diferenças na expressão corporal e na voz. "Meu maior desejo era diferenciar bastante as duas personagens. Pensei nos aspectos físicos, na postura, nos gestos e na voz. Irene tem a coluna mais arqueada e uma postura mais servil, enquanto a outra tem uma postura mais ereta. Irene também tem uma voz mais grave, matuta e com sotaque goiano. Já a outra tem uma voz mais aguda, que remete ao francês", explica.
Mesmo com o contraste entre as duas, a atriz reconhece maior proximidade com a cozinheira. "Acho que a Irene se parece mais comigo. Ainda tenho esse jeito meio matuto, que também aparece no meu sotaque. Mas adoro interpretar personagens distantes de quem eu sou. Me diverti muito com essa Amélie metida justamente por causa dessa distância", diz.
Nos próximos capítulos, Irene entrará em conflito com Gael (André Luiz Frambach) por causa de Naiane (Isabelle Drummond). A relação com Walmir também poderá avançar, já que ele revelará a João Raul (Filipe Bragança) o desejo de morar com ela.
Fernanda destaca que o romance representou uma mudança importante na trajetória da personagem e elogia a parceria com Antonio Calloni. "Foi um grande presente contracenar com o Antonio. Irene começa em um ambiente muito hierárquico e de exploração, no qual precisa manter uma postura servil diante de Zilá. Quando consegue romper com isso, passa a vislumbrar, ao lado de Walmir, a possibilidade de uma nova vida", afirma.
O casal, no entanto, enfrenta dificuldades por causa do vício de Walmir em apostas. Para a atriz, Irene exerce um papel delicado ao permanecer ao lado dele. "O amor entre eles é construído com base na cumplicidade e na confiança. Em determinado momento, essa confiança fica abalada, mas o sentimento continua ali. É um tratamento delicado, que exige paciência e escuta", avalia.
Teatro e palhaçaria
Após o fim das gravações da novela, Fernanda volta aos palcos do Rio. Ela apresenta "Quando se Abrem os Guarda-chuvas" no dia 22 de julho, às 20h, e "Malagueta na Labuta" no dia 29, às 21h, na Sede da Cia dos Atores, no Centro. "Vou apresentar dois espetáculos solo. Um deles foi criado no Rio de Janeiro, em 2011. O outro é um solo de palhaçaria, no qual interpreto a palhaça Malagueta. Serão apresentações únicas, com apenas 60 lugares", declara.
Fernanda começou no teatro em 2003 e passou a estudar palhaçaria cerca de três anos depois. "Depois que conheci a palhaçaria, acredito que me tornei uma atriz melhor. O palhaço traz o riso, mas também o erro e o drama. Para mim, a palhaçaria é uma filosofia de vida", conclui.