Nabiyah Be concilia trabalho no audiovisual com turnê musical Divulgação / Jorge Bispo
Nabiyah Be explora bastidores do futebol em 'Jogada de Risco'
Atriz comenta papel como agente da FIFA, relações de poder na trama e planos de conciliar projetos no Brasil e no exterior
Depois de 14 anos, Nabiyah Be está de volta ao Brasil para um novo capítulo profissional. Filha do cantor e compositor jamaicano Jimmy Cliff e da brasileira Sônia Gomes, a atriz integra o elenco de "Jogada de Risco", série do Globoplay que mergulha nos bastidores do futebol, e interpreta Alessia, uma poderosa agente da FIFA que chega ao país em busca de novos talentos.
"Voltar e estrear em uma produção brasileira foi uma oportunidade de me reconectar com minhas raízes, minha cultura e, de certa forma, também com a menina de 18 anos que deixou o país sonhando em construir uma carreira na atuação. Ao longo desses anos, vivi experiências e participei de projetos internacionais que contribuíram muito para meu crescimento profissional e pessoal. Voltar com toda essa bagagem trouxe uma sensação muito bonita de pertencimento", afirma.
A chegada de Alessia acrescenta novas camadas às disputas de poder na história. Ela chama atenção pela personalidade forte e a capacidade de interferir nos rumos de outros personagens. "É uma mulher muito poderosa, segura de si, inteligente e tem uma presença muito marcante. Ao mesmo tempo, ela é um tanto arrogante, o que me permitiu fugir de um estereótipo e explorar nuances divertidas de se fazer. Também foi um desafio gostoso porque nunca havia interpretado uma personagem britânica. Pude trabalhar o sotaque e descobrir que tenho facilidade para explorar diferentes sotaques".
Embora o futebol seja o pano de fundo da produção, a série direciona o olhar para as relações financeiras e políticas que se estabelecem longe dos gramados, revelando como influência e dinheiro podem determinar os rumos do esporte.
"O que é sempre interessante é observar as relações de poder e como elas são estabelecidas e mantidas quando ninguém está olhando. Eu não fazia ideia de nada do futebol, era leiga mesmo, mas fazendo a Alessia, uma mulher que gere tanto poder e dinheiro, percebi como o mercado funciona. Líder com poder e dinheiro acaba tendo suas semelhanças em diferentes plataformas", analisa.
A agente se aproxima de Maurício (Cauã Reymond) e Cris (Mariana Sena). Alessia encontra na advogada um motivo para rever sua postura. A identificação entre elas abre espaço para uma relação que ultrapassa as negociações profissionais. "Sinto que ela chega a priori só pelos próprios interesses. O que a motiva a ajudar a agência é a Cris. Acho que ela se vê na Cris e quer genuinamente que ela avance na vida e na carreira. Sinto que esse espelho a motiva a mudar de direção".
Nabiyah destaca a naturalidade da parceria com a colega e a interação do elenco. "A Mariana é uma atriz incrível e uma pessoa maravilhosa. Também tive a oportunidade de trabalhar com um elenco muito experiente e que me proporcionaram muitos aprendizados. Estar ao lado de pessoas com trajetórias tão diversas foi uma oportunidade de observar, aprender e também contribuir com o meu olhar", celebra.
A experiência em "Jogada de Risco" é somada a trabalhos internacionais que marcaram a carreira da artista, como o filme "Pantera Negra" (2018) e a série "Daisy Jones & The Six". Em cada produção, Nabiyah vivenciou processos distintos.
"Em 'Daisy Jones & The Six' estive muito próxima da construção do projeto desde o início. Participei do desenvolvimento do arco da personagem, dos ensaios com a banda e, como o trabalho atravessou o período da pandemia, tivemos um tempo muito longo de preparação e convivência. Foi um processo de muita dedicação e imersão. 'Pantera Negra' foi meu primeiro filme e uma produção de grande porte. Por ser um longa de ação, tudo era novo para mim e foi uma oportunidade enorme de aprendizado", conta.
Em sua volta ao país, a atriz também passou a enxergar novas possibilidades para a carreira. Além de “Jogada de Risco”, ela integra o elenco de outras produções brasileiras, entre elas o filme "Viver é Melhor que Sonhar", dirigido por Eduardo Albergaria, que retrata a trajetória de Belchior.
"Esse retorno ao Brasil abriu meus olhos para novas possibilidades e reforçou o quanto é especial poder transitar entre diferentes mercados e culturas. Depois de tantos anos trabalhando fora, voltar e fazer parte de produções brasileiras despertou em mim a vontade de não precisar escolher entre um lugar ou outro, mas poder construir uma trajetória que dialogue com os dois".
Além da atuação, Nabiyah se dedica à música e está em turnê com "O QUE O SOL QUER". Para ela, as duas áreas oferecem diferentes formas de contar histórias. "A música sempre esteve muito presente na minha vida e foi, inclusive, uma das minhas primeiras formas de expressão. A atuação chegou como uma outra maneira de contar histórias e de me conectar com as pessoas. O desafio é conciliar as agendas e estar inteira em cada projeto. Uma coisa também alimenta a outra", diz






Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.