Paulo Ricardo é um dos técnicos do ’The Voice Brasil’Bella Pinheiro / Divulgação

Paulo Ricardo é um dos novos técnicos do "The Voice Brasil", que vai ao ar aos domingos no SBT, e tem conciliado o desafio atual com os shows da turnê "Reinventar". Em entrevista ao MEIA HORA, o artista de 64 anos, que ganhou notoriedade nacional nos anos 1980 como vocalista do RPM, relembra os bastidores do convite feito por Boninho, diretor da atração, revela seus critérios nas audições às cegas, comenta a relação com os outros técnicos - Lauana Prado, Diogo Nogueira e a dupla Matheus & Kauan - além de abrir o jogo sobre sua relação com a moda e o desejo de voltar a atuar na teledramaturgia. Confira! 
- Paulo, você já esteve no programa como convidado e orientador em outras edições, mas como surgiu o convite para ser técnico e o que te motivou a aceitar esse desafio?

Eu e o Boninho estávamos conversando sobre o programa no estúdio do Roberto Carlos, quando estávamos ensaiando para seu 50º especial de fim de ano que rolou em 2024, e eu disse que adoraria participar. Este ano passei na casa dele para buscar um vinil que ele me trouxe de Nova York, e ele me fez o convite. Tivemos uma experiência juntos muito bem-sucedida quando fui jurado do "Superstar" em 2015 e 2016, então, tudo se encaixou e está sendo uma delícia, com candidatos de altíssimo nível, no domingo, no horário nobre do SBT e no Disney+. Bom demais!
- O que faz você virar a cadeira durante as audições às cegas? E quais características uma voz precisa ter para te fazer apertar o botão nos primeiros segundos?

É um critério subjetivo, mas dificilmente eu aperto o botão nos primeiros segundos. Normalmente espero até o refrão pra ter noção da tessitura, do alcance da voz da pessoa, e valorizo muito a originalidade e a entrega, a emoção!

- Como é escolher essas vozes "sob pressão", já que o tempo de decisão é curto? Você já se arrependeu de não ter virado a cadeira para alguém, por exemplo?

Já. Faz parte. Sou ansioso e fui o primeiro a fechar o time. Naturalmente vieram duas ou três vozes muito boas quando eu já não podia mais virar a cadeira, mas a vida é assim. Melhor um pássaro na mão, e meu time está maravilhoso!

- Sua carreira é marcada por reinvenções. Você busca candidatos versáteis ou prefere vozes que tenham um estilo de nicho bem definido?

Nem sempre a canção que o candidato defende na primeira audição às cegas o representa melhor. Mas entre versatilidade e estilo, eu fico com o estilo.

- Nesta temporada, temos a dinâmica dos "Diamantes". Acaba sendo mais desafiador "julgar" uma voz que já tem uma estrada no programa, sem saber que quem é a pessoa, a história dela...

Curiosamente, o diamante que me escolheu é um artista completo, muito talentoso, que canta, compõe e tem uma performance de cair o queixo. Já era fã do WD há muito tempo e é uma honra tê-lo no meu time!

- Como você se define como técnico, Paulo? É do tipo exigente, paizão...? E o que você considera fundamental transmitir para esses novos artistas sobre a realidade da indústria musical fora da TV?

A grande maioria dos candidatos do "The Voice" é de profissionais, alguns inclusive já participaram de outras edições e alguns vieram do "The Voice Kids". A própria Lauana Prado, hoje ocupando a cadeira de técnica, já foi candidata! Então, o sarrafo é muito alto e estamos lidando com detalhes, estilo, interpretação. O programa se chama "The Voice", mas evidentemente não se trata apenas da voz. Elementos como presença de palco, carisma, performance, e a capacidade de se comunicar podem fazer a diferença.
Além disso, é inevitável que o gosto pessoal interfira. Por isso acredito que quem me escolheu (parece que somos nós, mas na verdade são eles quem nos escolhem, já tem algum tipo de identificação. Então, minha maior preocupação é ser justo, útil e nos divertirmos juntos, porque, afinal de contas, todos estamos ali para entreter, emocionar e divertir vocês com a poderosa magia da música!

- Como é sua relação com os outros técnicos nos bastidores?

Demos muita sorte nessa temporada! O relacionamento é leve, cheio de humor e camaradagem. Rolou a chamada química, além do respeito e admiração mútuos.
- Você mantém ou planeja manter contato com os participantes do seu time após o término do programa, talvez até para futuras parcerias musicais?

Ainda estamos no começo, mas, sim, pelo altíssimo nível do que ouvi, é bem possível que role um desdobramento. Sobretudo no pop rock, onde precisamos muito de novos talentos!

- Seu visual tem chamado a atenção também. Você se considera um cara vaidoso? Gosta de moda?

Adoro moda e vejo o figurino como uma arte em si, uma parte fundamental do estilo e personalidade do artista. Costumo dizer que é possível identificar o gênero musical de cada um pelo que ele está vestindo. Além do mais, procuro sempre me renovar e apresentar algo diferente a cada nova turnê. Para o público e para mim mesmo. A moda, como a música pop, é muito volátil e está em constante evolução. Então, procuro acompanhar este movimento e incorporá-lo da melhor maneira ao show como um todo.

- Você acabou de estrear a sua nova turnê, intitulada "Reinventar". Como é conciliar a rotina das gravações do "The Voice Brasil" com os palcos?

Eu amo o que faço, mas sem o planejamento minucioso do meu empresário Duda Magalhães, seria muito difícil conciliar todas as demandas. Temos que escolher, priorizar e estar bem, tranquilo e descansado para exercer da melhor maneira possível essa enorme responsabilidade que é influenciar a vida e a carreira de tantos artistas em ascensão. Vamos começar as batalhas e é aí que o bicho vai pegar!

- Recentemente, você comentou que está aberto a voltar a atuar em novelas, relembrando sua experiência na teledramaturgia. Que tipo de papel faria você aceitar um convite neste ofício?

Essa é uma visão do diretor, do casting. Eu realmente não sei como sou visto, percebido em um contexto dramatúrgico, e confesso que tenho a maior curiosidade! Já tive que recusar convites por conta das turnês e confesso que me arrependi. Mas ficaria muito empolgado com um personagem que não tivesse nada a ver com o estereótipo do cantor de rock. Estão surgindo alguns convites. Assim que fechar alguma coisa, eu te aviso!