Paulo Ricardo é um dos técnicos do ’The Voice Brasil’Bella Pinheiro / Divulgação
Eu e o Boninho estávamos conversando sobre o programa no estúdio do Roberto Carlos, quando estávamos ensaiando para seu 50º especial de fim de ano que rolou em 2024, e eu disse que adoraria participar. Este ano passei na casa dele para buscar um vinil que ele me trouxe de Nova York, e ele me fez o convite. Tivemos uma experiência juntos muito bem-sucedida quando fui jurado do "Superstar" em 2015 e 2016, então, tudo se encaixou e está sendo uma delícia, com candidatos de altíssimo nível, no domingo, no horário nobre do SBT e no Disney+. Bom demais!
É um critério subjetivo, mas dificilmente eu aperto o botão nos primeiros segundos. Normalmente espero até o refrão pra ter noção da tessitura, do alcance da voz da pessoa, e valorizo muito a originalidade e a entrega, a emoção!
- Como é escolher essas vozes "sob pressão", já que o tempo de decisão é curto? Você já se arrependeu de não ter virado a cadeira para alguém, por exemplo?
Já. Faz parte. Sou ansioso e fui o primeiro a fechar o time. Naturalmente vieram duas ou três vozes muito boas quando eu já não podia mais virar a cadeira, mas a vida é assim. Melhor um pássaro na mão, e meu time está maravilhoso!
- Sua carreira é marcada por reinvenções. Você busca candidatos versáteis ou prefere vozes que tenham um estilo de nicho bem definido?
Nem sempre a canção que o candidato defende na primeira audição às cegas o representa melhor. Mas entre versatilidade e estilo, eu fico com o estilo.
- Nesta temporada, temos a dinâmica dos "Diamantes". Acaba sendo mais desafiador "julgar" uma voz que já tem uma estrada no programa, sem saber que quem é a pessoa, a história dela...
Curiosamente, o diamante que me escolheu é um artista completo, muito talentoso, que canta, compõe e tem uma performance de cair o queixo. Já era fã do WD há muito tempo e é uma honra tê-lo no meu time!
- Como você se define como técnico, Paulo? É do tipo exigente, paizão...? E o que você considera fundamental transmitir para esses novos artistas sobre a realidade da indústria musical fora da TV?
A grande maioria dos candidatos do "The Voice" é de profissionais, alguns inclusive já participaram de outras edições e alguns vieram do "The Voice Kids". A própria Lauana Prado, hoje ocupando a cadeira de técnica, já foi candidata! Então, o sarrafo é muito alto e estamos lidando com detalhes, estilo, interpretação. O programa se chama "The Voice", mas evidentemente não se trata apenas da voz. Elementos como presença de palco, carisma, performance, e a capacidade de se comunicar podem fazer a diferença.
- Como é sua relação com os outros técnicos nos bastidores?
Demos muita sorte nessa temporada! O relacionamento é leve, cheio de humor e camaradagem. Rolou a chamada química, além do respeito e admiração mútuos.
Ainda estamos no começo, mas, sim, pelo altíssimo nível do que ouvi, é bem possível que role um desdobramento. Sobretudo no pop rock, onde precisamos muito de novos talentos!
- Seu visual tem chamado a atenção também. Você se considera um cara vaidoso? Gosta de moda?
Adoro moda e vejo o figurino como uma arte em si, uma parte fundamental do estilo e personalidade do artista. Costumo dizer que é possível identificar o gênero musical de cada um pelo que ele está vestindo. Além do mais, procuro sempre me renovar e apresentar algo diferente a cada nova turnê. Para o público e para mim mesmo. A moda, como a música pop, é muito volátil e está em constante evolução. Então, procuro acompanhar este movimento e incorporá-lo da melhor maneira ao show como um todo.
- Você acabou de estrear a sua nova turnê, intitulada "Reinventar". Como é conciliar a rotina das gravações do "The Voice Brasil" com os palcos?
Eu amo o que faço, mas sem o planejamento minucioso do meu empresário Duda Magalhães, seria muito difícil conciliar todas as demandas. Temos que escolher, priorizar e estar bem, tranquilo e descansado para exercer da melhor maneira possível essa enorme responsabilidade que é influenciar a vida e a carreira de tantos artistas em ascensão. Vamos começar as batalhas e é aí que o bicho vai pegar!
- Recentemente, você comentou que está aberto a voltar a atuar em novelas, relembrando sua experiência na teledramaturgia. Que tipo de papel faria você aceitar um convite neste ofício?
Essa é uma visão do diretor, do casting. Eu realmente não sei como sou visto, percebido em um contexto dramatúrgico, e confesso que tenho a maior curiosidade! Já tive que recusar convites por conta das turnês e confesso que me arrependi. Mas ficaria muito empolgado com um personagem que não tivesse nada a ver com o estereótipo do cantor de rock. Estão surgindo alguns convites. Assim que fechar alguma coisa, eu te aviso!





