Mulheres conectadas pela leitura

A gaúcha Winnie Bueno e as irmãs cariocas Victoria e Michelle Guimarães criaram projetos para doação e troca de livros

Por Lucas França

No alto, Victória e Michelle Guimarães: troca de livros. Acima, Maria Júlia, com um exemplar de 'Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil'. À dir., a gaúcha Winnie Bueno, criadora do projeto de 'Tinder de Livros'
No alto, Victória e Michelle Guimarães: troca de livros. Acima, Maria Júlia, com um exemplar de 'Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil'. À dir., a gaúcha Winnie Bueno, criadora do projeto de 'Tinder de Livros' -

Rio - "Eu conecto pessoas através de livros". É assim que Winnie Bueno, gaúcha de 31 anos, se autodefine no Twitter. Por meio da rede social, a doutoranda em Sociologia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) desenvolveu o projeto 'Tinder de Livros'. A ideia é unir, como no aplicativo de relacionamentos, pessoas negras que queiram ou precisem de um livro com um possível doador.

Winnie explica o processo que, parece complicado, mas na verdade é bem simples. Quem quer comprar um livro para alguém lhe manda uma mensagem direta. Do outro lado, quem pretende receber um exemplar envia para Winnie as informações do livro, além do endereço completo onde a entrega deve ser feita, com CEP e nome do destinatário. Ela tira um print, uma captura de tela, dos dados e encaminha para o doador. Pronto, está feito o processo! "É tudo bastante artesanal", ela afirma.

A iniciativa de Winnie surge para utilizar livros como ferramenta de luta contra o racismo. Esta decisão, para ela, é um retorno às experiências pessoais que já teve, quando buscava entender nas páginas de publicações o funcionamento da discriminação racial no Brasil. "Possibilitar que livros cheguem em pessoas que têm dificuldade de encontrá-los é uma ótima forma de se aliar contra o racismo", defende.

Winnie conta que tem "o desenho de um aplicativo sendo desenvolvido", mas a possibilidade de perder "a sensação de contato" entre as pessoas é algo que ela não quer. Foi justamente a facilidade de relação com o doador de livros que atraiu a estudante Maria Júlia, de 22 anos, ao projeto. Apresentado pela tutora no estágio, o 'Tinder de Livros' rendeu a Maju um exemplar de 'Racismo, Sexismo e Desigualdade no Brasil', de Sueli Carneiro. A doação foi essencial para os estudos da jovem.

"Foi para colaborar na pesquisa do meu TCC, que tem como tema 'A inserção das estudantes negras de pedagogia nos estágios'. Como estou gastando com muitos livros, menos um já seria bom. O projeto é incrível porque ajuda estudantes a se apropriarem de conhecimentos sem sacrificarem orçamentos reservados para a permanência na universidade", explica.

Outras frentes

Projetos similares ao 'Tinder de Livros' podem ser encontrados sob gerência de outras pessoas. É o caso das irmãs cariocas Victoria, de 24 anos, e Michelle Guimarães, de 29. Elas perceberam que no apartamento que dividem muitos livros ficavam parados, cheios de poeira na estante. Após uma breve conversa, a decisão de criar uma rede de empréstimos foi natural. Atualmente, são cerca de 25 publicações que circulam entre contatos, conhecidos e amigos das duas, em uma articulação feita pelo Instagram.

"A gente acredita muito no potencial de crescimento do projeto. A expectativa é de que, a partir dessa rede, surja uma coletividade presencial, em que haja principalmente o olho no olho e a troca de experiências enquanto leitores e leitoras negras, experiências de vida", diz a jovem, empolgada com a iniciativa.

 

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