"A revolução não será fofinha", diz Céu, que lança disco novo, 'Apká!'

Aos 39 anos, Céu fala de música e do desafio de criar dois filhos num momento tão conturbado do país e do mundo

Por RICARDO SCHOTT

Céu
Céu -

Rio - Engajada e consciente, a cantora Céu, mãe de dois filhos (Rosa, de 9 anos, e Antonino, de 1 ano e 10 meses) perguntou-se algumas vezes sobre o que a havia levado a criar duas crianças num mundo tão conturbado. 'Apká!', o novo disco, vem embalado por todas essas dúvidas e certezas. Ao mesmo tempo em que toca em assuntos politizados e atuais, aponta para a felicidade que sente em ser mãe novamente: o título vem de uma expressão que Antonino costumava usar quando bebê, para expressar felicidade plena.

"Foram suas primeiras palavras. Ele falava e ria depois! Era bem claro que estava expressando alegria e satisfação. Isso para uma mãe, que está lá morta de sono, noites e noites sem dormir, amamentando... É aquele sorriso que reverte tudo em amor. É a comprovação que toda essa dedicação está de fato funcionando", alegra-se Céu, de 39 anos. "Meus dois filhos me trouxeram porções generosas de clareza".

"Penso que o compromisso de educá-los para serem pessoas legais é de extrema importância, educar é um desafio enorme. E essa nova geração é muito impressionante. Estão vindo com um chip potente, com mais ferramentas e, acredito eu, mais capacidade que a minha geração. Sigo acreditando no amor", completa a cantora, que prevê mudanças após os tempos difíceis — os quais canta em 'Forçar o Verão', de versos como "uma nuvem se aproxima do cartão postal/feito um convidado que ninguém quer receber/mas quando ele vem/não quer mais sair".

Céu acredita no amor como revolução. "Só ele é capaz de nos fazer nos colocar no lugar do outro, movimento que eu diria ser dos mais importantes para a revolução começar. E a revolução não será fofinha. Terá muito ódio e destruição, já está tendo. O antídoto será mesmo o amor", afirma ela, que em 'Apká!' gravou 'Ocitocina (Charged)', cujo nome é o do hormônio do amor.

"A gravidez nos transborda de hormônios de conexão com nossos estados primitivos, os ruins e bons também. Ela está intimamente ligada com a ambivalência. O disco fala desses contrastes todos", diz a cantora.

E como é ter dois filhos separados por quase uma década? Há diferenças geracionais entre eles? "Bom, a Rosa tem uma demanda emocional superprofunda, é muito sensível e delicada. Ele já é mais danado, explorador, pestinha mesmo. Mas ainda não sei até que ponto isso tem a ver com geração, acho que ainda é só sobre personalidade mesmo", conta a cantora, que às vezes, posta em seu Instagram sobre a experiência com os dois filhos. "Precisamos falar mais de pós-parto, puerpério, e menos de 'você tem que ter esse berço x', 'você precisa comprar tantos macacões da marca y'", escreveu na rede social.

As duas crianças já têm uma vida musical: Rosa participou recentemente cantando em um disco do pai, o músico Gui Amabis, 'Miopia'. Também esteve no disco anterior de Céu, 'Tropix', cantando em 'Varanda Suspensa'. "Ela sempre foi aos shows, desde pequenininha, e é muito musical", conta a mãe. Antonino também ama música. "A favorita dele é uma do Stevie Wonder, 'Ma Cherie Amour', bem romântica", diz Céu, rindo.

 

Disco novo

Céu lança o disco no Rio no Circo Voador, em 7 de dezembro. "Tô esperando esse show mais do que os próprios cariocas. Amo o Rio, amo esse palco. Esperem um show quente!", avisa. Duas participações chamam a atenção. Uma delas é a dupla Tropkillaz, mais popularmente conhecida por trabalhar ao lado de Anitta em músicas como 'Bola Rebola' e 'Vai Malandra'. Os DJs e produtores André Laudz e Zé Gonzales já haviam colaborado com ela em outras ocasiões e, no disco novo, aparecem em 'Eye Contact'.

"Tem um outro lado do Tropkillaz que é muito legal e é mais desconhecido, assim como um meu também. Temos uma troca muito gostosa, dessa experiência de poder transitar com leveza no universo do outro. Eu também adoro beats mais pesados. E amo dançar", conta ela. Já 'Pardo', que também está em 'Apká!', é um presente de ninguém menos que Caetano Veloso.

"Sou uma fã dele desde muito menina. Foi impactante ganhar essa canção, tão forte, importante e bela. Dei literalmente um grito quando chegou no meu inbox", alegra-se.

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Céu Divulgação/Fabio Audi
Céu e a mãozinha do filho Antonino Reprodução Instagram
Céu Divulgação/Fabio Audi
Céu Divulgação/Marcos Costa
Disco novo de Céu, "Apká" Divulgação

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