O equilíbrio volta quando a gente respeita o próprio ritmoReprodução/Instagram

Olá, meninas!
Se você deu aquela exagerada clássica nas festas de fim de ano, respira fundo: tá tudo bem. Ceia farta, sobremesa repetida, um brinde aqui, outro ali… faz parte do pacote. O problema é quando o corpo começa a reclamar depois — inchaço, cansaço, intestino bagunçado e aquela sensação de “meu Deus, preciso recomeçar”. A boa notícia é que não precisa de dieta maluca nem de castigo alimentar pra voltar ao eixo. Com carinho e pequenos ajustes, o equilíbrio volta.

O nutricionista Brian Sumner, da clínica Atma Soma, reforça que o ponto de partida precisa ser realista. Nada de metas impossíveis ou cobranças exageradas. Segundo ele, quando a gente tenta compensar os excessos com radicalismos, a chance de frustração é enorme. Então a ideia é simples: deixa o exagero no passado, não se culpa e começa aos poucos, respeitando seu ritmo.

E o corpo costuma dar sinais bem claros de que passou do limite. O inchaço aparece fácil, muito por conta do excesso de sódio e da pouca água. O intestino também sente — seja travando ou funcionando rápido demais — sem falar no cansaço, na falta de disposição e até na ansiedade, que costuma dar as caras quando alimentação, sono e rotina saem do lugar.

Um dos primeiros gestos de autocuidado nesse retorno é beber mais água. Parece óbvio, mas faz toda a diferença. A nutricionista Luisa Macedo Nunes, também da Atma Soma, explica que o álcool desidrata o corpo e aumenta a perda de líquidos. Quando essa reposição não acontece, o organismo entra em modo retenção, o que gera inchaço e desconforto. Ela sugere, inclusive, intercalar água entre as bebidas alcoólicas e apostar em chás como hibisco, cavalinha, carqueja ou chá-verde — sempre sem adoçar. Brian complementa dizendo que a hidratação ajuda até a evitar aquela fome que não é fome de verdade, mas sede disfarçada.

Outro passo importante é voltar a olhar para a comida de verdade com mais carinho. Frutas, legumes, verduras, grãos e fibras ajudam o intestino a se reorganizar e ainda trazem mais saciedade. Quando combinados com boas fontes de proteína, o corpo começa a se sentir nutrido de novo. A lógica aqui é simples: descascar mais e desembalar menos. Refrigerantes e bebidas adoçadas podem ficar em segundo plano, enquanto refeições mais equilibradas ganham espaço ao longo do dia — sem exagerar à noite.

Mexer o corpo também ajuda muito nesse processo. Caminhadas, corridas leves ou qualquer atividade aeróbica já dão aquela força para eliminar líquidos e recuperar a disposição. E se der pra incluir exercícios de força, melhor ainda, já que períodos de excesso costumam vir acompanhados de menos movimento e alguma perda de massa muscular.

Dormir bem é outro pilar que muita gente subestima. O álcool bagunça o sono e impede aquele descanso profundo que realmente recarrega as energias. Criar uma rotina mais certinha, evitar café e estimulantes à noite e respeitar o horário de dormir faz mais diferença do que parece.

E claro, o intestino merece atenção especial depois das festas. Luisa explica que tanto a constipação quanto a diarreia são comuns nesse período. Pouca água, poucas fibras e muita gordura dificultam o funcionamento normal. Além disso, o álcool pode desregular o sistema digestivo, causando azia, gases e aquela sensação chata de barriga estufada que piora ao longo do dia — mesmo quando a gente acorda se sentindo “mais leve”.

Agora, sobre aquela sensação de privação que bate quando a gente tenta se reorganizar… Brian traz uma dica simples e muito realista: não precisa cortar tudo. Se a vontade for comer algo específico, compre uma porção menor. Uma fatia de torta, um panetone pequeno. Assim dá pra matar a vontade sem escorregar no exagero.

Ele também alerta para as dietas muito restritivas. Até podem funcionar no curto prazo, mas raramente se sustentam. O mais importante é entender o que faz sentido pra você, pro seu corpo e pra sua rotina. Comparação não ajuda, e restrição demais costuma abrir caminho para a compulsão. No fim das contas, o equilíbrio vem muito mais da constância do que da radicalização.

Ou seja: menos culpa, mais escuta do corpo e escolhas possíveis. Seu corpo não precisa de punição — ele só está pedindo cuidado