De grandes novelas a momentos históricos do cinema brasileiro, artista fez da arte a sua grande paixãoReprodução/TV Globo
O Brasil se despede de uma de suas grandes damas da televisão. Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, no Rio de Janeiro, deixando para trás uma trajetória que se confunde com a própria história da dramaturgia brasileira. A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada.
E falar de Glória é falar de uma artista que nunca precisou de exageros para se tornar inesquecível. Durante mais de seis décadas, ela transitou pelo teatro, pelo cinema e pela televisão, construindo personagens que atravessaram gerações e ajudaram a transformar a teledramaturgia brasileira.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Glória começou sua trajetória artística no teatro e, ainda jovem, encontrou na televisão um espaço para mostrar toda a sua força. Seu talento logo a levou a trabalhos de grande repercussão e, ao longo da carreira, ela participou de mais de 40 produções televisivas.
Uma atriz de muitos personagens e muitas histórias
Se tem uma coisa que Glória Menezes sabia fazer como poucas, era se transformar. Ela podia ser delicada, divertida, dramática ou completamente provocadora. E talvez seja justamente essa versatilidade que explique por que tantos de seus personagens continuam tão vivos na memória do público.
Um dos trabalhos mais lembrados é Laurinha Figueroa, de "Rainha da Sucata", novela exibida em 1990. A personagem mostrou uma Glória diferente, poderosa e cheia de nuances, em uma atuação que até hoje é lembrada quando se fala nas grandes vilãs da televisão brasileira.
Mas seria impossível resumir sua carreira a um único papel. Glória também esteve em produções como "Irmãos Coragem", "Brega & Chique", "A Favorita", "Páginas da Vida" e "Senhora do Destino", entre tantos outros trabalhos. Em cada um deles, deixava uma marca muito particular.
E olha que bonito: antes mesmo de se tornar um dos grandes nomes da televisão, ela também ajudou a escrever capítulos importantes do cinema nacional. Glória integrou o elenco de "O Pagador de Promessas", filme dirigido por Anselmo Duarte que fez história ao conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, feito inédito para o cinema brasileiro.
Uma história de amor que também virou parte da memória do público
A vida de Glória também foi marcada por uma das histórias de amor mais conhecidas da televisão brasileira. Ela foi casada durante 59 anos com o ator Tarcísio Meira, até a morte dele, em 2021.
Os dois formaram não apenas um casal na vida real, mas também uma dupla muito querida pelo público. Trabalharam juntos em diferentes momentos e ajudaram a construir uma imagem de parceria que atravessou décadas.
A perda de Tarcísio foi um momento muito doloroso para Glória. Nos anos seguintes, a atriz passou a levar uma vida mais reservada, longe dos holofotes, mas sem jamais deixar de ser lembrada pelo público e pela classe artística.
Uma despedida deixando a sensação de dever cumprido
Nos últimos anos, Glória já estava mais afastada das novelas. Seu último trabalho em uma novela da TV Globo foi **"Totalmente Demais"**, em 2015, quando interpretou Stelinha. Depois disso, fez participações pontuais e passou a aparecer cada vez menos na televisão.
Em 2025, porém, sua história ganhou uma homenagem especial no programa "Tributo", que revisitou momentos importantes de sua vida e de sua carreira. Foi uma oportunidade bonita de olhar para trás e perceber a dimensão do caminho que aquela menina de Pelotas havia percorrido.
E talvez seja justamente isso que fique agora: a dimensão de uma vida inteira dedicada à arte.
Glória Menezes não foi apenas uma atriz que participou de grandes novelas. Ela foi parte da memória afetiva de milhões de brasileiros. Entrou nas nossas casas, provocou risos, lágrimas, torcida e indignação. Viveu personagens que continuam sendo lembrados mesmo anos depois de suas histórias terem chegado ao fim.
Hoje, a televisão brasileira fica um pouco mais silenciosa. Mas a obra de Glória está longe de se calar.
Porque grandes artistas não vão embora completamente. Eles permanecem nas cenas que a gente revê, nas personagens que a gente ainda comenta e, principalmente, nas lembranças que construíram com o público.
Glória Menezes parte aos 91 anos, mas deixa uma história que não envelhece. E que privilégio o nosso ter podido assistir a tudo isso.

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