Especialista explica os cuidados que fazem diferença durante o tratamento Divulgação

Olá, meninas!
Se você usa alinhador transparente ou algum aparelho removível, provavelmente já tem aquela rotina de tirar o dispositivo, escovar os dentes e colocá-lo de volta. Mas será que isso é suficiente? A resposta é não. O próprio aparelho também precisa de cuidados específicos para evitar o acúmulo de resíduos, bactérias, biofilme e até aquele cheirinho desagradável.

Os alinhadores transparentes ganharam espaço justamente por serem mais discretos, mas isso não significa que possam ficar de fora da rotina de higiene. E existe um detalhe importante: limpar o dispositivo do jeito errado pode até prejudicar o material.

Um estudo publicado em 2026 na Clinical and Experimental Dental Research analisou pesquisas sobre o impacto dos alinhadores transparentes no microbioma oral e observou mudanças na composição dos microrganismos presentes na boca durante o tratamento.

Outra pesquisa, publicada em 2025 na Scientific Reports, comparou diferentes formas de limpeza de alinhadores impressos em 3D. Entre os métodos avaliados, a escovação com creme dental foi justamente a que mais aumentou a rugosidade da superfície do dispositivo.

Ou seja: não é só uma questão de deixar o alinhador bonitinho e transparente. A maneira como ele é higienizado também importa.

Por que o alinhador pode acumular bactérias?

Pense que o alinhador passa muitas horas do dia em contato direto com a saliva. Nesse tempo, resíduos de alimentos, proteínas e microrganismos podem se prender à superfície e formar o chamado biofilme.

E essa camada pode se acumular não apenas nos dentes e gengivas, mas também no próprio dispositivo. Quando isso acontece, pode contribuir para mau hálito, inflamações gengivais e alterações na microbiota da boca. O acúmulo de resíduos também pode deixar o alinhador mais opaco ou manchado.

“É comum que o paciente retire o alinhador, escove os dentes e acredite que isso seja suficiente. Mas o dispositivo volta para a boca cheio de microrganismos que aderiram à superfície. O ideal é que dentes e alinhadores sejam higienizados separadamente, respeitando os cuidados indicados para cada tipo de material”, explica Dra. Brunna Bastos, mestre e cirurgiã-dentista pela Faculdade de Odontologia da USP e especialista da GUM.

Afinal, posso usar creme dental para limpar o alinhador?

Aqui está uma dúvida bastante comum. Muita gente pega a mesma escova e o mesmo creme dental usados nos dentes para limpar o alinhador. Só que esse hábito pode não ser uma boa ideia.

De acordo com Brunna, a escovação consegue retirar parte dos resíduos, mas não necessariamente alcança todas as regiões do dispositivo. Além disso, alguns cremes dentais possuem componentes abrasivos que podem provocar pequenos riscos e aumentar a rugosidade da superfície.

Com o passar do tempo, uma superfície mais áspera pode facilitar a retenção de resíduos e pigmentos, contribuindo para manchas, odores e até mais dificuldade para manter o aparelho realmente limpo.

Como limpar o alinhador do jeito certo?

A orientação é simples, mas precisa fazer parte da rotina. O dispositivo deve ser lavado com água corrente fria ou morna e sabão neutro transparente. Para a limpeza, podem ser usadas as pontas dos dedos ou uma escova de cerdas extremamente macias, exclusiva para essa finalidade.

E atenção a um detalhe importante: água quente, não! Temperaturas elevadas podem deformar o material e comprometer o encaixe do alinhador.

Para uma limpeza mais profunda, também existem métodos específicos para aparelhos e próteses. Nesse caso, vale conversar com o dentista e seguir tanto a orientação profissional quanto as recomendações do fabricante.

E quem usa aparelho fixo?

Nos aparelhos tradicionais, o cuidado também precisa ser redobrado. Fios, bráquetes e outras estruturas podem dificultar o acesso da escova a alguns cantinhos e facilitar o acúmulo de resíduos e biofilme.

Por isso, a higiene entre os dentes também deve fazer parte da rotina, principalmente nas regiões ao redor do aparelho e nos espaços em que a escova convencional não consegue chegar tão bem.

“Cada tipo de aparelho apresenta desafios específicos de higiene. Por isso, além da escovação, é importante que o paciente receba orientação individualizada sobre como limpar as áreas de difícil acesso e os dispositivos utilizados durante o tratamento”, explica a especialista.

No fim das contas, não tem muito segredo: escovar os dentes e limpar o aparelho são cuidados diferentes, mas que precisam andar juntos. Manter essa rotina ajuda a evitar o acúmulo de biofilme, odores, manchas e inflamações na gengiva, deixando o tratamento ortodôntico mais confortável e seguro.