Anitta será a Rainha de Bateria da Grande Rio do Carnaval de 2027Ewerton Pereira/Grande Rio
Falo também com o coração de quem tem uma história com essa escola. Estou na Grande Rio desde 2013 e, há quatro anos, tenho a alegria e a honra de ocupar o posto de musa.
São muitos carnavais, ensaios, encontros, alegrias, tensão antes de entrar na Avenida e, principalmente, muito amor por essa comunidade. A gente aprende que uma escola de samba não é apenas aquilo que o público vê durante pouco mais de uma hora na Sapucaí.
Existe uma família, uma comunidade e uma história que pulsa o ano inteiro.
Que está na escola tem que entender que não é só aparecer, é suar de verdade. Se doar, carnaval e o ano inteiro.
Por isso, celebro a chegada da nossa nova rainha.
E quero deixar registrado: seja muito bem-vinda, Anitta! Que seja um reinado feliz, intenso e verdadeiro.
Anitta é uma mulher que construiu uma das trajetórias mais impressionantes da música brasileira contemporânea. Larissa saiu de Honório Gurgel, no subúrbio do Rio de Janeiro, e foi conquistando espaços até transformar Anitta em um nome conhecido internacionalmente.
Ela cantou e encantou quando ainda existia muito preconceito contra quem vem das comunidades e periferias. Aprendeu idiomas, atravessou mercados, cantou em português, espanhol e inglês, fez parcerias internacionais, subiu em alguns dos maiores palcos do mundo e ajudou a colocar os ritmos brasileiros diante de uma audiência global.
Mas existe uma característica em sua trajetória que, para mim, merece ser destacada: coragem.
Coragem para querer mais. Para não aceitar que dissessem até onde uma menina do subúrbio poderia chegar. Coragem para administrar a própria carreira, mudar caminhos, se reinventar, enfrentar críticas e continuar.
Anitta nunca foi uma artista que passou despercebida.
Ela provoca opiniões, concordâncias e discordâncias. E talvez isso também faça parte da história das mulheres que decidem ocupar espaços sem pedir licença.
Além disso, Anitta canta, dança, tem presença de palco, conhece o ritmo e tem uma relação antiga com o samba e com o Carnaval.
Não chega simplesmente para vestir uma fantasia bonita. Chega trazendo a experiência de quem cresceu no Rio de Janeiro e conhece a força cultural dessas manifestações.
E há ainda uma sintonia interessante com o universo que a Grande Rio levará para a Avenida.
Anitta já tornou pública, em diferentes momentos de sua carreira, sua aproximação com a espiritualidade, a ancestralidade e referências das religiões de matriz africana. Em seus trabalhos artísticos, essas referências também já apareceram de maneira explícita.
Em um país no qual a intolerância religiosa ainda é uma realidade, considero importante que manifestações de fé e ancestralidade sejam tratadas com respeito.
O Carnaval, aliás, sempre soube fazer isso de uma maneira muito particular. Uma escola de samba fala de história, fé, resistência, ancestralidade, arte, identidade e povo. É uma manifestação cultural que consegue transformar memória em música, corpo e imagem.
E é por isso que acredito que Anitta pode dialogar tão bem com esse momento da Grande Rio.
Rainha de bateria não é apenas um título. Existe uma bateria inteira atrás dela, uma comunidade ao redor e milhares de pessoas carregando aquele pavilhão no coração. É preciso presença, respeito, entrega e vontade de pertencer.
E pertencimento se constrói.
Quem chega precisa conhecer, ouvir, participar, aprender e, principalmente, respeitar quem mantém uma escola viva durante todos os meses do ano.
Tenho uma relação longa com a Grande Rio e sei a força dessa comunidade. Sei o tamanho da emoção quando a bateria começa a tocar, quando o coração acelera e quando percebemos que chegou a hora de atravessar novamente aquela Avenida.
É uma emoção difícil de explicar para quem nunca viveu. Estava fora da cidade e não fui à coroação, porém, vibrei de longe e muito.
Por isso, recebo essa nova fase com alegria.
Anitta chegou. Chegou com sua história, sua coragem, seu talento, sua dança, sua relação com a música brasileira e toda a potência de uma mulher que saiu do subúrbio carioca para conquistar o mundo.
Agora existe um novo desafio: conquistar também, cada vez mais, o coração da comunidade.
Seja bem-vinda à nossa família, Rainha Anitta.
Que você seja feliz.
Que respeite e seja respeitada. Que ame e seja amada. Que dance, cante, aprenda, se emocione e permita que a Grande Rio também faça parte da sua história.
Que venha um lindo reinado.
Porque, pelo que vimos na chegada, uma coisa já ficou clara:
Eu sou do amém, mas respeito muito o seu Axé, Rainha!



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