Espetáculo 'Repertório N.3' se apresenta no Gomeia Galpão CriativoDivulgação
Última parte da trilogia Repertório, iniciada em 2018, a peça investiga a violência como condição histórica e estrutural que atravessa corpos negros e dissidentes, propondo a dança como um treino de autodefesa física, imaginária e epistemológica. Concebido, dirigido e performado pelos dois artistas, o trabalho mobiliza elementos como mimese, representação e estudos de imagens coreografadas por corpos dissidentes, criando um arquivo de ações que elabora resistências e modos de permanência no mundo.
A pesquisa parte do reconhecimento de que a violência não é incólume aos corpos negros e que cada corpo desenvolve estratégias próprias de defesa. A partir disso, Repertório N.3 fabrica possibilidades coreográficas que confrontam violências autorizadas e estruturais, posicionando o corpo como ferramenta política e poética capaz de interromper a lógica cruel que sustenta a sociedade moderna desde o século XIX.
A obra teve sua estreia nacional na 35ª Bienal de São Paulo, em dezembro de 2023, e desde então vem consolidando Davi Pontes e Wallace Ferreira como dois dos artistas brasileiros mais presentes no circuito internacional da dança contemporânea. Em 2025, a dupla integrou a programação da Bienal de Dança de Lyon, na França, um dos maiores festivais de dança do mundo, além de ter apresentado Repertório N.3 no Kinani, Bienal de Dança na África, em Maputo, Moçambique.
Após dois anos de estreia e circulação internacional, a estreia carioca aconteceu em novembro de 2025, dentro da programação do Festival Panorama, uma das principais plataformas de dança contemporânea do país. A atual circulação no Rio de Janeiro, viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc, PNAB, acontece entre compromissos internacionais, após as apresentações no estado, a dupla segue para o Chile, onde apresenta a obra no Santiago OFF, um dos festivais mais relevantes de artes cênicas da América Latina.
Segundo Davi Pontes, apresentar o trabalho no Rio de Janeiro carrega uma dimensão particular.
Wallace Ferreira também comenta sobre os desafios de apresentar a obra em sua cidade de origem.
Mais do que uma metáfora, Repertório N.3 se afirma como uma prática direta de enfrentamento à violência colonial e racial. A pesquisa, desenvolvida ao longo de mais de cinco anos, posiciona a coreografia como resposta às suas próprias condições ontológicas e políticas, propondo a dança como elaboração tática para redistribuir socialmente a violência e criar estratégias de sobrevivência coletiva.
A circulação de Repertório N.3 tem gestão da Quafá Produções e conta com realização do Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc.
Gomeia Galpão Criativo
Data: 22 de janeiro (quinta-feira)
Horário: 20h
Endereço: Rua Dr. Lauro Neiva, 32, Duque de Caxias
Entrada gratuita (retirada de senha 1h antes)
Duração: 45 minutos
Classificação indicativa: 18 anos

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