Escola de Mulheres e Bioeconomia certifica mulheres de Duque de CaxiasCarolina Gaia/Divulgação
O projeto é realizado pelo Instituto BR e Sebrae-RJ, com a coordenação acadêmica da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Movimento Cidade no Feminino, e os eixos de capacitação trabalham a cidadania, cultivo de ervas medicinais e saboaria natural, entendendo que, ao cultivar hortas comunitárias, manipular ervas medicinais e produzir sabonetes e cosméticos naturais, as mulheres se conectam com a terra e resgatam valores ancestrais e práticas tradicionais, construindo caminhos de resistência que resultam em geração de trabalho e renda e regeneração ambiental.
As participantes aprenderam sobre identidade, bioeconomia, empreendedorismo, comunicação, finanças e autocuidado, sempre a partir de uma perspectiva interseccional e inclusiva.
O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, e essa desigualdade se expressa de forma ainda mais dura quando atravessa o corpo das mulheres, especialmente das negras que são maioria nas periferias das cidades brasileiras. Elas enfrentam a pobreza não só em sua dimensão material, mas também nas barreiras cotidianas que limitam o acesso à renda, à saúde, à mobilidade e à dignidade. É nesse contexto que o projeto ARTEMÍSIA - Escola de Mulheres e Bioeconomia surge como contribuição.
Leila Araújo, Coordenadora do Projeto Artemísia, explica ainda que após a qualificação, o projeto entra na fase de mentoria de negócios, fomento ao associativismo e estratégias de acesso ao mercado, prospectando a marca Artemisia Biocosmética para gerar renda digna e mobilidade social.
“Nosso propósito prevê a cooperação entre mulheres de diferentes perfis, da floresta, que são extrativistas e fornecem a matéria prima usada por Artemisia; da periferia urbana, que produzem a saboaria e a cosmética natural, e mulheres de classe média, que consomem com responsabilidade socioambiental. Nossa visão é ser uma marca importante de saboaria e cosmética natural, produzida por mulheres da periferia”, pontua Leila.
A iniciativa está alinhada com a proposta da Organização das Nações Unidas (ONU) de reconhecer e fomentar projetos de promoção da sustentabilidade como Soluções Baseadas na Natureza (SBN) - práticas que conciliam o fortalecimento de comunidades com a conservação dos ecossistemas e o enfrentamento das mudanças climáticas.
“Todos os materiais utilizados na formação seguem princípios ecológicos, reforçando o compromisso com a sustentabilidade em todas as etapas do projeto, fazendo com que essa formação seja única. Essas mulheres precisam entender o valor que elas têm e que carregam consigo”, finaliza Vinicius Wu.
Sobre o projeto Artemísia
Artemísia é uma iniciativa do Instituto BR em parceria com o Movimento Cidade no Feminino, o SEBRAE/RJ e a Universidade Federal Fluminense (UFF), cujo foco está na qualificação social de mulheres para autonomia socioeconômica, em territórios periféricos do Estado do Rio de Janeiro. São ofertados 216 cursos e oficinas, distribuídos em 12 núcleos de formação, contemplando linguagens e competências técnicas essenciais para a atuação profissional no setor cultural.

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