Sinal do Vale, em Caxias, recebe projeto de formação em restauração ecológicaDivulgação
O estado ainda guarda cerca de 60% das espécies da Mata Atlântica e florestas que armazenam aproximadamente 50 milhões de toneladas de carbono. Mas esse patrimônio convive com um passivo enorme: apenas um terço da vegetação nativa que resta corresponde de fato à cobertura florestal. O restante é fragmento, degradação, paisagem que já não cumpre sua função ecológica.
Restaurar não é simples. Não se trata apenas de plantar árvores. A recuperação de ecossistemas exige diagnóstico, planejamento, manejo contínuo e decisões específicas para cada ambiente — da floresta à restinga, do manguezal à encosta. E exige, sobretudo, gente capacitada para fazer isso no território. Com 88% das propriedades rurais tendo até quatro módulos fiscais, a restauração depende de mobilizar milhares de pequenos proprietários, não de grandes operações centralizadas. É aí que está o nó.
"A gente conseguiu construir um mecanismo financeiro — o problema hoje não é mais a ausência de recurso. O gargalo é outro: criar uma cultura florestal e capacitar tecnicamente quem atua no território. Temos municípios com uma necessidade gigantesca de restaurar e não têm um viveiro, nem público nem privado", explica Telmo Borges, superintendente de Mudanças do Clima e Florestas da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS-RJ).
Para Thais Corral, fundadora e diretora do Instituto Sinal do Vale, a saída passa por uma mudança de lógica: conectar restauração, formação e bioeconomia em uma abordagem territorial integrada — de forma que comunidades e proprietários de terra deixem de ser beneficiários e se tornem protagonistas da transformação.
Foi dentro dessa lógica que o Sinal do Vale realizou, no Recôncavo da Baía da Guanabara, uma formação voltada a profissionais, gestores públicos, agricultores e estudantes interessados em atuar na restauração ecológica. A iniciativa integra o projeto Recôncavo da Guanabara – Escola de Restauração de Ecossistemas, realizado em parceria com a Petrobras. Ao longo de dois meses, os participantes percorreram o ciclo completo de um projeto de restauração — do planejamento à prática de campo — em áreas como a REGUA, a Maloca Florestal em Cachoeiras de Macacu e o Parque Natural Municipal Barão de Mauá, em Magé e no campus do Sinal do Vale.
Para Ébersson Conceição, guarda-parque na Serra da Tiririca, o curso chegou na hora certa:]
A coordenadora executiva do projeto, Mari Chiba, resume o que está em jogo:


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.