Maria Clara Dias dos Santos, 18 anos, está ansiosa para votar pela primeira vez nas eleições Reginaldo Pimenta
Aos 18 anos, quando o voto passa a ser obrigatório, a quantidade variou pouco: de 120.835 para 121.618 eleitores. Por trás dos números estão jovens que se preparam para uma experiência inédita, entrar em uma cabine de votação, escolher seus candidatos para presidente, governador, senadores, deputado federal e estadual.
A jovem conta que o interesse pela política começou dentro de casa. "Eu sempre tive muita referência dentro de casa. Desde cedo, a minha irmã já vem me ensinando sobre a importância de pesquisar, se manter informado, estudar etc. Então eu pesquisei muito, vi todos os debates, li as propostas e, assim, escolhi o meu candidato", detalha.
Ao contrário de Maria Clara, a jovem Angélica, de 16 anos, não tem o voto obrigatório, mas optou por exercer o direito antes dos 18. Ela lembra como fez para tirar o próprio título de eleitor. "Eu procurei sozinha no site do TSE como era o esquema para fazer meu título. Preenchi tudo, pedi para os meus pais o que era preciso da ajuda deles e depois fui com meu pai fazer a minha biometria. Poucos meses depois do meu aniversário de 15 anos, eu já tinha feito o título", comemora.
Segundo a estudante, votar é sinônimo de ter voz: "É ter o meu espaço, é poder defender o que eu acredito e, até pode parecer um pouco clichê, mas me sinto ajudando a defender a democracia do nosso país. E, sobre a hora de votar, está sim me dando um nervoso. Eu já vi vários vídeos sobre o que pode ou não fazer, mas, mesmo assim, dá um nervoso".
Para se preparar para esse momento, Angélica consumiu informações nas redes sociais e em podcasts. "Eu já vinha vendo conteúdos de política há um tempo e já pensava em que eu poderia votar. Mas agora, em época de eleição, dei uma valorizada a mais em pesquisar o que cada cargo faz e também as propostas daqueles que me interessavam. E, no círculo social que eu vivo, é comum conversar sobre política. Em casa, sempre que uma pauta surge, nós conversamos e discutimos de acordo com a opinião de cada um e, com meus amigos, também é muito rotineiro dialogar sobre que candidato cada um vai votar, propostas e afins", opina.
"Aqui em casa, a gente sempre teve uma linha muito aberta para falar de política. Já rolaram umas discussões bem acaloradas, inclusive, e isso bem antes de a Angélica poder votar. Acho que até por isso ela está bem ansiosa por esse dia da votação, que calhou de ser logo em um dia que envolve tantas escolhas, em tantos níveis de poder, e num momento em que o país e o mundo estão passando por uma situação tão crítica. Vejo que ela procurou se informar sobre quem defende o que ela acredita e quem tem propostas nesse sentido. Fico muito feliz e orgulhoso com essa postura dela", diz.
A estudante também está ansiosa para este domingo. Ela diz que conversou com familiares e acompanhou notícias e informações sobre política para escolher os seus candidatos. "Apesar de não estar completamente satisfeita com todas as opções, fico feliz por poder participar desse processo e escolher o que considero melhor para o país. Votar, para mim, significa exercer meu papel como cidadã e passar a participar diretamente de uma decisão que irá influenciar a minha vida e a de muitas pessoas nos próximos anos. Estou curiosa para saber como é a experiência", afirma.
A jovem explica que a ansiedade não está relacionada ao processo de votação em si, mas à curiosidade para entender como funciona a urna eletrônica. Nas Eleições 2026, Thaís conta que se preparou para escolher seus candidatos pesquisando as propostas e os posicionamentos de cada um. "Me preparei buscando candidatos que se alinham com minhas expectativas e desejo para um futuro melhor", afirma.
Primeiro título
A pessoa menor de idade pode solicitar o título eleitoral diretamente, sem necessidade de autorização ou acompanhamento da mãe, do pai ou de representante legal. Para as Eleições 2026, os pedidos iniciados pela internet deveriam ser feitos até 6 de abril, com posterior comparecimento a uma unidade da Justiça Eleitoral. O atendimento presencial ficou disponível até 6 de maio.
Para obter o título, é necessário apresentar um documento de identificação, um comprovante de residência atualizado e, quando for o caso, o documento relacionado ao serviço militar obrigatório. Certidões de nascimento ou casamento também podem ser usadas no alistamento, assim como outros documentos públicos que comprovem a identidade, a nacionalidade e a idade mínima.
Quem não solicitou o título até 6 de maio não poderá votar nas Eleições 2026. Os serviços de alistamento, transferência e revisão serão retomados após o processamento dos dados do pleito.
Voto facultativo
A facultatividade não impede que esses jovens participem das eleições. Com o título eleitoral, eles podem exercer o direito de votar e participar da escolha de representantes para os Poderes Executivo e Legislativo.
A partir dos 18 anos, o alistamento e o voto passam a ser obrigatórios. A legislação prevê multa para brasileiras e brasileiros que não se alistarem até os 19 anos, ressalvadas as exceções previstas em lei.















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