Márcio Canella e Índia Armelau, os mais votados do RioReprodução

A eleição deste domingo (4) renovou a presença de dois nomes que já têm trajetória na política fluminense. Índia Armelau (PL) foi a deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro, com 248.504 votos, e seguirá para o segundo mandato consecutivo na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj). Márcio Canella (União), segundo colocado na votação, recebeu 197.178 votos e também conquistou uma cadeira na próxima legislatura.
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Os dois chegam à Alerj com trajetórias políticas distintas. Índia consolidou sua atuação parlamentar em pautas ligadas ao conservadorismo, segurança pública, esporte, família, pessoas com deficiência e direitos das mulheres. Canella, por sua vez, construiu sua carreira na Baixada Fluminense, especialmente em Belford Roxo, onde foi vereador, deputado estadual, vice-prefeito e prefeito.

Índia Armelau

Amanda Brandão Armelau nasceu em Manaus (AM) e teve carreira como nadadora profissional antes de ingressar na política. Em 2022, foi eleita deputada estadual pela primeira vez, com 57.582 votos.

Quatro anos depois, ampliou de forma expressiva sua votação. Neste domingo, recebeu 248.504 votos, mais de quatro vezes o resultado obtido na primeira eleição para a Alerj, e terminou no topo da lista de candidatos ao Legislativo estadual.

Durante o primeiro mandato, uma das propostas de maior repercussão apresentadas pela deputada foi a que tratou da criação de banheiros e vestiários neutros em espaços coletivos públicos e privados. O projeto entrou no debate sobre identidade de gênero e provocou controvérsia durante sua tramitação.

A proposta previa espaços destinados ao uso de pessoas trans não redesignadas e pessoas não binárias. Segundo Índia, a iniciativa tinha como objetivos ampliar a segurança e a privacidade desse público e, ao mesmo tempo, preservar a segurança de mulheres nos banheiros convencionais.

Outra iniciativa associada à deputada é a Lei 10.260/2023, que criou um programa estadual de defesa pessoal para mulheres vítimas ou ameaçadas de violência doméstica.

Índia também participou de propostas relacionadas à segurança pública. Entre elas está a inclusão de policiais penais no programa Segurança Presente, em parceria com Pedro Brazão, além do Programa Prajás, voltado à assistência jurídica gratuita a agentes de segurança pública, apresentado em conjunto com Rodrigo Amorim.

A parlamentar também passou a ocupar espaço no campo eleitoral. Em 2024, foi candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Alexandre Ramagem, também pelo PL.

Investigação por suspeita de rachadinha

Em janeiro de 2025, o Ministério Público do Rio de Janeiro passou a investigar Índia por suspeita de participação em um esquema de “rachadinha” no gabinete da Alerj.

A apuração teve origem em denúncias apresentadas por um ex-chefe de gabinete. Segundo o relato, assessores seriam obrigados a repassar à deputada valores referentes ao auxílio-alimentação, que variavam entre R$ 1.470 e R$ 2.940.

Também foram relatados episódios em que o dinheiro teria sido entregue a pessoas de confiança da parlamentar. Um vídeo mencionado na investigação mostraria um assessor contando dinheiro dentro da residência da deputada.

Índia negou as acusações. Na época, afirmou que as denúncias eram mentiras e atribuiu os relatos a ex-funcionários que teriam sido demitidos por desempenho insuficiente ou quebra de confiança. A parlamentar disse ainda que tomaria as medidas judiciais cabíveis.

A investigação não impediu sua candidatura em 2026. Com a votação deste domingo, Índia garantiu mais quatro anos de mandato e terminou como a principal votação individual para a Alerj.

Márcio Canella

Segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 197.178 votos, Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, retorna à Alerj depois de ter comandado a Prefeitura de Belford Roxo.

A trajetória política começou em 2012, quando foi eleito vereador do município da Baixada Fluminense. Em 2014, chegou à Alerj pela primeira vez. Depois, foi eleito vice-prefeito de Belford Roxo e voltou ao Legislativo estadual, onde cumpriu três mandatos consecutivos.

Em 2024, Canella venceu a eleição para prefeito de Belford Roxo. No ano seguinte, porém, deixou o cargo para tentar disputar uma vaga no Senado em 2026.

A estratégia eleitoral mudou ao longo do ano. Em agosto, Canella anunciou que desistiria da candidatura ao Senado para tentar retornar à Alerj.

A decisão ocorreu semanas depois de ele ter sido preso durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana.

Durante a operação, agentes encontraram um fuzil calibre 5.56 em um veículo utilizado por Canella, em um condomínio na Barra da Tijuca. Outras armas, munições e relógios de luxo também foram apreendidos em um imóvel ligado ao político.

Canella foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sua soltura e impôs medidas cautelares. As restrições acabaram posteriormente revogadas.

Registro de candidatura

A situação eleitoral de Canella também foi alvo de disputa na Justiça Eleitoral. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) deferiu, por 6 votos a 1, o registro de candidatura do ex-prefeito para a Alerj. O julgamento ocorreu depois de a Procuradoria Regional Eleitoral mudar de posição e passar a defender o indeferimento do registro por supostos indícios de ligação com milícias na Baixada Fluminense.

A discussão envolveu as relações políticas de Canella com Fábio Augusto de Oliveira Brasil, conhecido como Fabinho Varandão, e Luiz Eduardo Santos de Araújo. Os dois ocuparam cargos na Prefeitura de Belford Roxo e tiveram candidaturas anteriormente barradas pela Justiça Eleitoral por envolvimento com milícias armadas, segundo o processo citado no julgamento.

Também foram considerados elementos relacionados à apreensão do fuzil encontrado no veículo utilizado por Canella.

O relator do processo, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, votou pelo deferimento do registro. Ao acompanhar o entendimento, o desembargador Fábio Porto afirmou que havia um “desconforto legítimo” diante das relações políticas do candidato, mas avaliou que não havia prova suficiente para impedir sua candidatura.

O único voto contrário foi do desembargador Guilherme Calmon. Para ele, os elementos reunidos no processo formavam um conjunto probatório que deveria ser considerado de forma integrada.

A defesa de Canella negou qualquer envolvimento com atividades criminosas e classificou as acusações como infundadas.

Com os resultados das urnas, Índia Armelau e Márcio Canella chegam à próxima legislatura em posições de destaque. Ela como a maior votação individual do estado e integrante da maior bancada da Alerj, o PL, que elegeu 21 deputados. Ele como o segundo mais votado e principal nome do União na disputa.

A nova composição da Assembleia terá 70 parlamentares e será marcada pela forte presença do PL, além de bancadas de PT e PSD, com nove deputados cada.

Índia e Canella, que estiveram em campos diferentes da disputa política fluminense nos últimos anos, agora passam a integrar a mesma Casa legislativa a partir de 2027.