Douglas Ruas (PL) pode ser eleito com resultado do primeiro turnoDivulgação
Ruas pode ser eleito no 1º turno caso votos em Garotinho sejam anulados
Candidato do PL terminou apuração com 49,27% dos votos válidos; se a candidatura do ex-governador for invalidada, percentual de Ruas supera 50%
A eleição para governador do Rio de Janeiro pode ter um desfecho diferente do indicado pela apuração das urnas neste domingo (4). Embora Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) tenham sido oficialmente encaminhados para o segundo turno, uma decisão da Justiça Eleitoral sobre os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) ainda pode alterar o resultado da disputa. Caso a candidatura do ex-governador seja definitivamente anulada, Ruas ultrapassará a marca de 50% dos eleitores e poderá ser declarado governador ainda no primeiro turno.
Com 100% das urnas apuradas, Ruas recebeu 4.271.199 votos, o equivalente a 49,27%. Paes ficou em segundo lugar, com 3.706.984, ou 42,76%. Garotinho terminou a disputa em terceiro, com 274.411, correspondentes a 3,17%. Os votos atribuídos ao ex-governador, porém, foram registrados pela Justiça Eleitoral como "anulados sub judice".
A situação decorre do indeferimento do registro da candidatura de Garotinho pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). O colegiado manteve, por unanimidade, a decisão na última terça-feira (29), mas a defesa recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, Garotinho continuou aparecendo na urna eletrônica e o eleitor pôde registrar normalmente o voto em seu nome.
Em nota enviada à reportagem, a assessoria do ex-governador afirmou que "o processo ainda não terminou" e que existe recurso pendente de julgamento. Segundo a defesa, a situação jurídica ainda pode ser modificada pelas instâncias competentes e, por isso, o eleitor que escolheu Garotinho pôde comparecer às urnas e registrar normalmente seu voto.
A regra da Justiça Eleitoral prevê justamente esse tratamento para candidaturas indeferidas que ainda são alvo de recurso. Segundo o TRE-RJ, quando o registro está indeferido com recurso, os votos aparecem nos sistemas de divulgação com a identificação "Anulado sub judice". Eles são contabilizados separadamente na totalização até o julgamento definitivo do processo.
A Resolução TSE nº 23.677/2021 estabelece ainda que esses votos são considerados no cálculo dos percentuais divulgados para a eleição majoritária enquanto a situação estiver sub judice. A norma também determina que a validade da votação fica condicionada à eventual reversão da decisão que negou o registro.
É justamente essa situação que mantém aberta a possibilidade de mudança no resultado do primeiro turno. Atualmente, os 274 mil votos de Garotinho integram a base utilizada para apresentar os percentuais da disputa, embora estejam identificados como anulados sub judice. Com a exclusão definitiva dessa votação, o universo de votos válidos seria reduzido e o percentual de Ruas subiria para mais de 50%.
Considerando os números finais da apuração, a retirada dos votos de Garotinho faria Ruas passar de 49,27% para aproximadamente 52,6% dos votos válidos. Paes, por sua vez, ficaria próximo de 45,7%. Dessa forma, o candidato do PL superaria o patamar necessário para a eleição em primeiro turno.
A situação judicial de Garotinho se arrasta desde agosto. O registro foi inicialmente indeferido pelo TRE-RJ em setembro, em razão do entendimento de que o ex-governador permanecia com os direitos políticos suspensos por oito anos após uma condenação por improbidade administrativa. A decisão também levou em consideração os efeitos da Lei da Ficha Limpa.
Em agosto, uma liminar do TSE havia permitido que Garotinho continuasse a campanha, com acesso a recursos públicos, propaganda eleitoral e debates. A decisão, no entanto, foi posteriormente derrubada pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, que determinou que os votos eventualmente recebidos pelo candidato fossem registrados como anulados sub judice enquanto permanecesse o indeferimento de seu registro.
No domingo, após votar no Catete, Garotinho afirmou que sua defesa havia apresentado novo recurso para tentar garantir a validade de seus votos. A assessoria reforçou que a decisão sobre o registro ainda não é definitiva.
O presidente do TRE-RJ também afirmou que a definição sobre o destino dos votos cabe ao TSE. Segundo ele, a Corte Superior é quem deverá decidir se haverá ou não uma nova totalização dos votos após o julgamento do processo.
Assim, apesar de o TSE ter divulgado oficialmente Ruas e Paes como os candidatos que avançaram ao segundo turno, marcado para 25 de outubro, a configuração definitiva da eleição para o Governo do Rio ainda depende do julgamento do recurso de Garotinho. Se o registro for mantido indeferido de forma definitiva e os 274.411 votos forem retirados da contagem dos válidos, Ruas poderá ser considerado eleito sem a necessidade de uma segunda votação.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.