Material de campanha no GET Prof. Ary Quintella, Vila da PenhaReginaldo Pimenta

O primeiro turno das Eleições 2026 terminou com 1.242 ocorrências registradas pelas forças de segurança em todo o país, segundo o boletim final divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O levantamento considera os dias 3 e 4 de outubro e reúne informações de todos os estados e do Distrito Federal.
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O número da Operação de Segurança representa um aumento em relação aos balanços parciais divulgados ao longo do domingo (4). Até as 17h, por exemplo, o Ministério da Justiça contabilizava 646 ocorrências em todo o país. Naquele momento, propaganda eleitoral irregular, boca de urna e compra de votos apareciam entre os principais registros.

No levantamento consolidado, a boca de urna passou a ocupar o primeiro lugar entre as naturezas de ocorrência, com 417 registros, equivalentes a 33,6% do total. Em seguida apareceu a propaganda eleitoral irregular, com 335 casos (27%). A compra de votos ou corrupção eleitoral ficou em terceiro, com 138 registros, ou 11,1% das ocorrências.

Também foram contabilizados 87 registros classificados como outros crimes eleitorais, 61 casos de desobediência a ordens da Justiça Eleitoral, 57 ocorrências de desordem que prejudicou os trabalhos eleitorais e 45 episódios envolvendo violação ou tentativa de violação do sigilo do voto. O balanço ainda registra 19 casos de transporte ilegal de eleitores.

Ao longo da operação, foram registrados 203 termos circunstanciados e 190 autos de prisão em flagrante. As forças de segurança também apreenderam R$ 650.815 em dinheiro, 316.047 unidades de material de campanha e 13 veículos. O relatório registra ainda nove procedimentos relacionados a armas.

A estrutura empregada para garantir a segurança do pleito envolveu 321.352 agentes. Desse total, 305.355 pertenciam às forças estaduais, 6.565 à Polícia Federal, 2.726 à Polícia Rodoviária Federal e 142 à Força Nacional. A operação contou ainda com uma tropa de contingência formada por 6.564 agentes.

A logística incluiu 34.625 viaturas, 239 embarcações e 121 aeronaves, além da atuação de centros integrados de comando e controle em todas as unidades da Federação.

Minas Gerais apresentou o maior número de registros no balanço final, com 153 ocorrências. O Paraná teve 107, o Rio Grande do Sul, 104, Pernambuco, 95, e o Pará, 86. O Rio de Janeiro aparece com 67 ocorrências, ao lado de Goiás.

O Nordeste concentrou a maior parcela das ocorrências, com 356 registros, ou 28,7% do total. O Sul teve 289 (23,3%), o Sudeste, 279 (22,5%), o Norte, 189 (15,2%), e o Centro-Oeste, 129 (10,4%).

Rio de Janeiro teve boca de urna como principal ocorrência



No Rio de Janeiro, um balanço divulgado ainda durante a votação apontava 68 ocorrências registradas pelas forças estaduais até as 17h de domingo, das quais 56 eram classificadas como crimes eleitorais. O balanço final nacional contabilizou no entanto 67 ocorrências no estado. 

Na capital fluminense, o relatório nacional contabilizou oito ocorrências, o equivalente a 0,6% de todos os registros feitos no país. O Rio de Janeiro ficou atrás de Belo Horizonte, Caruaru, Manaus, Brasília, Vitória do Xingu, Recife, Juazeiro e Ipatinga entre os municípios com maior quantidade de ocorrências.

O estado também esteve entre os que mais precisaram substituir urnas eletrônicas. Segundo o balanço do Tribunal Superior Eleitoral, 226 urnas foram trocadas no Rio de Janeiro durante o primeiro turno, o segundo maior número do país, atrás apenas de São Paulo, que teve 334 substituições. Em todo o Brasil, foram 1.861 urnas substituídas, sem que fosse necessário recorrer à votação manual em nenhuma seção.

O primeiro turno no estado ocorreu em meio a um cenário político de alta disputa. Na eleição para governador, Douglas Ruas (PL) terminou à frente, com 49,27% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes (PSD) ficou com 42,76%. Anthony Garotinho (Republicanos) recebeu 3,17%, mas sua situação jurídica pode interferir na definição sobre a realização ou não de segundo turno. A questão depende da análise da Justiça Eleitoral sobre a validade ou não dos votos atribuídos ao candidato.

Outro dado que chamou atenção no estado foi a abstenção de 23,33%, acima da média nacional, que ficou em 21,08%. No país, mais de 33 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno, o maior índice de abstenção desde 1998.

No Rio, o TRE-RJ havia alterado previamente 277 locais de votação, afetando cerca de 670 mil eleitores. Entre as mudanças, 72 foram motivadas especificamente por questões de segurança, com o objetivo de afastar seções de áreas consideradas sob influência de organizações criminosas.

Apesar dos registros de crimes eleitorais e das mudanças provocadas por questões de segurança, a votação foi concluída sem necessidade de interrupção do processo eleitoral.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro, nas disputas em que nenhum candidato alcançou a maioria necessária no primeiro.