Fernanda Louback, postulante ao cargo de vice-governadora do RioDivulgação

A vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL), de 46 anos, pode assumir o cargo de vice-governadora do Rio de Janeiro neste sábado (10), caso se confirme a eleição de Douglas Ruas (PL) para o governo estadual. A possibilidade ganhou força após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anular, na quinta-feira (8), os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) no primeiro turno das eleições.
Fernanda compõe a chapa do deputado estadual e policial civil Douglas Ruas. Com a exclusão dos votos de Garotinho da contagem, ele ultrapassa a marca de 50% dos votos válidos, percentual necessário para vencer a disputa em primeiro turno.

Eleita em 2024, Fernanda está no primeiro mandato como vereadora de Niterói. Católica e alinhada ao conservadorismo, tem como principais bandeiras a defesa da família, a segurança pública e os direitos das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Ao longo da atuação política, também deu declarações polêmicas e esteve à frente de projetos relacionados às suas pautas.

Antes de conquistar um mandato eletivo, ela atuou na organização partidária e se tornou a primeira presidente do PL Mulher em Niterói. Na função, participou de ações de filiação e de mobilização feminina para ampliar a presença de mulheres na política. Devido ao seu posicionamento, se tornou amiga próxima de Michele Bolsonaro, mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro e recém-eleita senadora.

A vereadora também se identifica como mãe atípica. Seu filho, de 16 anos, está no espectro autista, experiência que, segundo ela, está relacionada à defesa de políticas públicas para pessoas com TEA e seus familiares.

Da carreira de modelo ao Zorra Total

Antes de entrar para a política, Fernanda Louback teve uma trajetória ligada à carreira artística e ao empreendedorismo. Em 2003, venceu o concurso Miss Rio de Janeiro, representando Nova Friburgo. Ela também participou do concurso Super Model of the World, na etapa brasileira, e realizou ensaios fotográficos, incluindo trabalhos sensuais.

Durante parte da carreira, foi agenciada pela 40 Graus Models, do Rio de Janeiro, agência que também trabalhou com modelos e artistas como Cauã Reymond, Maria Fernanda Cândido e Isabeli Fontana.

Fernanda ainda teve uma passagem pela televisão. Ela participou do humorístico Zorra Total, da TV Globo, onde começou como figurante e, posteriormente, integrou esquetes ao lado do humorista Paulo Silvino, que morreu em 2017. A vereadora permaneceu no programa por cerca de dois anos.

Após a experiência artística, investiu no setor de joias e semijoias. Ela foi proprietária de uma loja que levava seu nome na Rua Moreira César, em Icaraí, bairro de Niterói. Segundo relato da própria Fernanda, o negócio enfrentou dificuldades financeiras após obras realizadas pela prefeitura em 2015. De acordo com ela, as intervenções prejudicaram o acesso dos clientes ao estabelecimento e afetaram o movimento comercial.

A vereadora atribui o fechamento da loja aos impactos das obras e afirma que a experiência contribuiu para sua decisão de ingressar na política.

Postura conservadora

Fernanda ganhou projeção na política de Niterói ao adotar um discurso conservador e uma postura combativa na Câmara Municipal. Um dos episódios de maior repercussão envolvendo a vereadora ocorreu durante a discussão sobre a concessão do título de cidadã niteroiense à cantora Ludmilla. Contrária à homenagem, Louback argumentou que a artista fazia apologia às drogas.

Na mesma sessão, a parlamentar declarou que "parece que é crime no Brasil você ser branco" e fez comentários sobre a aparência e a cor do cabelo da vereadora Benny Briolly (PSOL), provocando indignação entre os presentes. 

"Impressionante que hoje parece que é crime no Brasil você ser branco. Vocês me desculpem por ter nascido… Inclusive, o meu avô materno é negro, e o outro de família alemã. Uma mistura danada", afirmou.

Alinhada à agenda conservadora, Fernanda também se posicionou contra pautas progressistas. Entre suas iniciativas na Câmara, apresentou uma proposta para proibir a instalação de banheiros neutros em espaços públicos. Na área da segurança pública, defendeu medidas mais rigorosas, como a internação compulsória de pessoas em situação de rua com dependência química.
Com informações do Estadão