Nunes Marques permitiu que 'Exército do Lula' voltasse ao ar desde que fosse registrado como comunicação de campanhaRafa Neddermeyer / Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a reativação do canal "Exército do Lula" no WhatsApp. A iniciativa de mobilização de eleitores pela internet, capitaneada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), estava suspensa por decisão da própria Corte e voltou ao ar na noite desta quarta-feira (14).

Nesta terça-feira (13), o próprio Nunes Marques já havia permitido que o canal retornasse ao ar desde que fosse registrado junto à Justiça Eleitoral como meio de comunicação oficial da campanha do presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A exigência foi cumprida, mas ainda seria necessário aguardar prazo de 48 horas até a retomada do canal.

Em decisão desta quarta-feira, Nunes Marques determinou ao Facebook, que é dono do WhatsApp, que promova o "restabelecimento integral do funcionamento do referido canal, inclusive quanto à possibilidade de novas publicações e de ingresso de seguidores".

'Tropa do Flávio'

A coligação petista havia pedido mais cedo ao TSE que o canal de WhatsApp "Tropa do Flávio" fosse suspenso por 48 horas, ou pelo mesmo período que o canal "Exército o Lula" ficasse fora do ar. A campanha de Lula alegava que era preciso conferir o mesmo tratamento aos dois canais para proteger a isonomia e paridade de armas no processo eleitoral.
De acordo com a equipe do PT, o canal pró-Lula sofreu punição do TSE por falta de registro na Justiça Eleitoral como meio oficial da campanha, o que deixou o grupo fora do ar. Enquanto isso, diz a campanha de Lula, o Tropa do Flávio permanecia ativo, apesar de ter sido registrado em momento posterior.

"Não é compatível com a integridade do processo eleitoral que a aplicação de medidas restritivas varie conforme a identidade política do beneficiário da ferramenta digital", diz a petição da equipe do PT. 

Meta

O senador Camilo Santana (PT-CE), que atua na coordenação da campanha de Lula, afirmou nesta quarta-feira que vai denunciar indícios de interferência eleitoral da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e à Organização dos Estados Americanos (OEA). A empresa não se manifestou.

Segundo Camilo, há, nas redes sociais da Meta, registros de interrupções de funcionamento e de visualizações de postagens da campanha de Lula. Ele disse ainda que a inteligência artificial da big tech fornece cartazes para Flávio e nega para Lula. Ainda de acordo com a campanha, quando usuários pesquisam no WhatsApp o grupo Exército do Lula, é sugerido o canal Tropa do Flávio.

"Não podemos admitir essa interferência que está ocorrendo aqui com as big techs, principalmente com a Meta, nestas eleições. A gente está tomando várias medidas importantes, medidas na área judicial, junto ao TSE, e pedindo que o TSE tome as medidas cabíveis e as providências em relação a isso. Nós não podemos desequilibrar essa eleição, ela precisa ser imparcial em relação a isso", declarou Camilo.