Em publicações apagadas, Flávio Bolsonaro também critica benefício estadual para combate à extrema pobrezaSergio Lima / AFP
"Fui o único voto contra na @alerj ao projeto ‘Renda Melhor’, q chamei de "bolsa-farelo", pelo seu caráter clientelista eleitoral", escreveu o então deputado estadual Flávio Bolsonaro em resposta ao perfil do jornalista Ancelmo Gois no Twitter no dia 24 de novembro de 2011. A publicação não está mais disponível.
A reportagem questionou a campanha de Flávio Bolsonaro o motivo dos posts terem sido excluídos. Não houve resposta até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.
A exclusão de posts só pôde ser constatada porque, em junho deste ano, a reportagem fez o download de todas as publicações de Flávio Bolsonaro no X. A planilha contém o texto, a data e o horário em que cada post foi feito, assim como os links para as postagens originais na plataforma. Na ocasião, o material serviu de base para uma matéria que mostrou como o candidato mudou de posicionamento em relação ao Bolsa Família nos últimos anos.
Na época, ao ser procurado, Flávio negou que tivesse mudado de posição. Em um vídeo publicado no Instagram nesta segunda-feira (19), ele disse que quem recebe o Bolsa Família pode ficar "tranquilo" porque o "benefício está garantido".
Todas as publicações citadas na reportagem publicada há quatro meses foram apagadas da conta de Flávio no X. Entre elas, está uma postagem de junho de 2013 em que o senador afirmava que o PT "perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência para não perder seus votos".
No ano seguinte, em referência à comissão responsável por investigar violações de direitos humanos durante a ditadura militar, Flávio escreveu:
"#ComissãoDaVerdadeDescobre que dinheiro cai do céu e ninguém precisa trabalhar dobrado para manter quem vive de bolsa família". A publicação também foi excluída.
Uma outra publicação feita em 2014 também foi excluída. Nela, Flávio questionava a metodologia para calcular a taxa de desemprego no Brasil. "Os milhões que recebem bolsa-família ou auxílio-desemprego, não procuram emprego. Para o PT, estão empregados", afirmou ele.
Anos antes, em 2011, o senador já havia criticado o PT por costurar um acordo com a oposição para aprovar um reajuste do auxílio. Na ocasião, resumiu a iniciativa como "financiamento público de campanha do PT", em outra publicação apagada.
No caso do Renda Melhor, Flávio fez cinco publicações sobre a aprovação do projeto em novembro de 2011. Em todas elas se referiu ao programa como "bolsa-farelo". "Fiz emendas ao projeto, q foram rejeitadas, p/ limitar em 2 anos o tempo p/ a pessoa receber o ‘bolsa-farelo’", escreveu ele, sempre mencionando o perfil de Ancelmo Gois.
"Se houvesse o limite de tempo p/ pessoa receber o ‘bolsa-farelo’ poderia até ser favorável…", acrescentou na publicação seguinte.
Candidato do PL propõe regra de transição para o Bolsa Família
"As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família; aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada, e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade. É justamente nisso que a gente quer focar, esse é o coração do plano do Flávio", afirmou Marques.
Após a entrevista, perfis do PT e de apoiadores do presidente Lula passaram a divulgar nas redes sociais que Flávio pretendia desligar beneficiários do Bolsa Família após dois anos. Com a repercussão das publicações, Daniella gravou um vídeo desmentindo a informação e explicando sua fala de mais cedo. Já o senador acusou a esquerda de espalhar mentira.
"A sua família hoje se aumentar a renda ou aceitar um emprego de carteira assinada, com o Lula mantém o Bolsa Família só por um ano. Com o Flávio, vai manter por dois anos. Com o Lula o retorno é em até 36 meses. Com o Flávio, seu retorno [ao programa] é automático", afirmou Daniella Marques.
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