Camisa rara de Branco usada em amistoso na Guatemala foi encontrada numa feira na Praça XV, no centro do Rio de JaneiroMatheus Falcão

Rio - Já pensou estar aproveitando os brechós no centro do Rio de Janeiro e, sem saber, comprar uma peça rara do futebol? Pois é, essa é a história de Matheus Falcão. O baiano, de 25 anos, estava de férias com os amigos na Cidade Maravilhosa, quando decidiram aproveitar a feira da Praça XV. Foi assim que ele adquiriu uma camisa relíquia utilizada por Branco, em amistoso disputado na Guatemala, em 1998.
"Encontrei completamente por acaso. Estava no Rio de Janeiro com uns amigos e decidimos ir na Praça XV, principalmente por causa dos brechós. Chegando lá, foquei em ir atrás de camisas de times, mas estava difícil achar pro meu tamanho. E aí perto de ir embora, achei essa barraca e vi essa camisa pendurada. Achei ela muito bonita e diferente, nunca tinha visto o 'time'. Então decidi comprar", disse ao DIA.
Em setembro de 1998, Branco foi convidado para disputar um amistoso entre as estrelas do futebol sul-americano e a seleção da Guatemala. Além do tetracampeão mundial, nomes como colombiano Higuita e os argentinos Etcheverry e Goycoechea confirmaram presença, mas furaram. O brasileiro, no entanto, marcou presença. E foi um dos destaques da partida, mesmo sendo expulso no segundo tempo.
Estudante de jornalismo na Universidade Federal do Ceará (UFC), Matheus Falcão não sabia da história da camisa, mas ficou curioso. Por isso, procurou uma de suas referências: o jornalista Andrey Raychtock, que possui um canal chamado "Por onde Andrey", no YouTube e demais redes sociais. Conhecido por suas pesquisas e histórias curiosas, Andrey não decepcionou o fã.
"Comprei a camisa em setembro de 2024 e, no mesmo dia, pesquisei para ver de onde era, mas não achei. Aí pensei: 'só tem um cara que consegue me ajudar'. No caso, era o Andrey (Raychtock). Quando descobri que possivelmente era da Guatemala, eu só consegui pensar nele", contou Matheus, que não coleciona camisas, mas gosta de comprar por estilo.

A pesquisa

Encontrar a história por trás de uma camisa única e utilizada por um tetracampeão mundial não era uma missão fácil. Andrey Raychtock, no entanto, conseguiu desenrolar. Em contato com a reportagem, o jornalista revelou que precisou mais de "sorte" para obter uma ajuda diretamente da Guatemala para descobrir mais detalhes do amistoso.
"Vários veículos do mundo disponibilizam o acervo pra consulta, mas especificamente na Guatemala eu não consegui achar nada. Acabei conseguindo esse contato, que se disponibilizou a ir na Hemeroteca Nacional arrumar", disse o jornalista, em referência a uma página sobre o futebol da Guatemala.
"Deu certo, mas poderia não ter dado e a investigação provavelmente estacionaria aí, já que esse material não estava disponível online. O mais interessante é o fato de ser uma camisa única, usada por um jogador brasileiro em outro país em um jogo não-oficial e extremamente específico", completou.
Quem segue Andrey nas redes sociais sabe que o jornalista é conhecido por contar e trazer curiosidades do mundo esportivo que, ao menos no primeiro momento, não estão nos holofotes dos torcedores.
"Sobre curiosidade, já é meio que parte do meu trabalho. Eu vivo de fazer vídeos com histórias curiosas do futebol e essa chegou como mais uma delas. Era impossível prever o desfecho (muitas dessas pesquisas acabam sem desfecho), mas quando dá certo, é muito legal. Tem esforço, mas tem sorte também", contou Andrey.

Amistoso

Na época, Branco encantou os guatemaltecos durante o amistoso e recebeu uma proposta para permanecer no país. Mas ele recusou para seguir no Fluminense, o seu time do coração. O tetracampeão mundial tinha acabado de retornar para o clube após quatro anos e, poucos meses depois, encerrou a carreira.
O mistério sobre como uma camisa utilizada por Branco foi parar na feira da Praça XV continua. No vídeo de Andrey Raychtock sobre a história da peça rara, o tetracampeão mundial deu uma pista do que poderia ter acontecido.
"Alguém vendeu o meu presente", comentou Branco na publicação.
*Colaborou: João Alexandre Borges.