São Paulo em jogo no MorumbiRubens Chiri / São Paulo FC

Rio - O São Paulo viveu uma crise na atual temporada por conta de diversas lesões de jogadores. No total, o clube paulista teve mais de 70 ausências de atletas em partidas por conta de problemas físicos. O Tricolor do Morumbi admitiu a utilização do medicamento Mounjaro em dois jogadores em 2026. De acordo com o portal "UOL", a situação levou a uma crise interna.
Mounjaro é um medicamento inicialmente utilizado para o tratamento de diabetes tipo 2 e que atualmente vem sendo utilizado como uma caneta emagrecedora. O princípio ativo, a tirzepatida, atua em mecanismos biológicos que auxiliam na perda de peso. O medicamento está sendo receitado com acompanhamento médico, em conjunto com uma dieta e atividades físicas.
O nutrólogo Eduardo Rauen teria prescrito o Mounjaro sem o conhecimento de vários outros profissionais da área de saúde do São Paulo. A conduta teria gerado mal-estar, agravado pelo fato de ele indicar um fornecedor que entregava o medicamento com embalagem, rótulo e bula em inglês, sugerindo que o produto não havia sido adquirido no Brasil. O profissional, que montou o novo setor TecFut (focado na parte metabólica, nutrição e suplementação), atuava em um contexto de falta de integração com o DM fixo do clube.
A crise se aprofundou porque profissionais trazidos por diferentes caminhos e sem integração discordavam abertamente sobre protocolos de carga, condutas de prevenção de lesões e reabilitação. O ambiente, considerado "insustentável" por dirigentes, motivou uma reformulação profunda para 2026, que inclui um pacote de demissões de profissionais com anos de casa, em uma tentativa de reerguer a identidade do clube no tratamento de lesões.
Ainda de acordo com a publicação, o superintendente Márcio Carlomagno admitiu que a falta de alinhamento foi problemática, servindo 2025 como "exemplo de como não devemos trabalhar". A cúpula são-paulina avaliou que a raiz do alto número de lesões estava no balanceamento das cargas de treinamento na fisiologia e preparação física. A avaliação interna sugeriu que os fisiologistas e preparadores fixos não tinham iniciativa para se posicionarem frente à comissão técnica e ajustar as atividades, um fator preponderante para as lesões.

A turbulência no DM do São Paulo se arrasta há pelo menos quatro anos. Em 2021, o presidente Julio Casares prometeu reformular a área, criando um conselho de notáveis com o médico Turíbio Leite de Barros e o ex-jogador Kaká. O atrito surgiu quando a recém-criada Divisão de Excelência Médica (DEM) tentou subordinar este conselho, resultando na renúncia coletiva de seus nove membros em julho de 2022. O ciclo de instabilidade incluiu demissões de figuras importantes, como o fisioterapeuta Ricardo Sasaki (2022) e o médico Tadeu Moreno (2023).

Em meio à crise, o clube manteve o auxílio externo, frequentemente acionando o ortopedista Moisés Cohen, uma referência nacional, para casos complexos de reabilitação, como o do meia-atacante Lucas Moura, que até hoje sofre com dores no joelho direito causada por um estiramento da cápsula posterior e lesão ligamentar parcial.

Para 2026, o São Paulo está focando em dar mais autonomia e protagonismo a Rauen ao mesmo tempo em que busca garantir a integração total entre as áreas e profissionais, reconhecendo que a falta de unidade foi um fator importante para os resultados abaixo do estimado.
Em entrevista ao portal "GE", o nutrólogo Eduardo Rauen afirmou que os dois jogadores que fizeram a utilização do medicamento não estavam à disposição para entrar em campo pelo São Paulo e negou que a situação tenha gera problemas físicos.
"Foram dois usos durante a permanência destes dois atletas na fisioterapia, foram atletas que não estavam nem jogando. Foi usado com critério, de acordo com o que tem que usar. É um benefício para o atleta, para o ser humano. Ninguém entrou em campo usando. Foi para tratar o cara que estava com IMC acima de 27,5 e dor articular. Foi bem criterioso. Não tem polêmica", disse Rauen.
Além disso, o profissional afirmou que o medicamento tem indicação formal para pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 27,5, quando associado a comorbidades, como lesões articulares, e sempre com acompanhamento médico. Ele ressaltou que os dados coletados indicaram que os atletas conseguiram perder peso corporal, diminuir o percentual de gordura e melhorar a massa muscular.