Edílson Pereira de Carvalho em ação durante partida como árbitro FIFAReprodução/Sportv

Rio - Edílson Pereira de Carvalho voltou ao centro do debate ao falar, mais uma vez, sobre a "Máfia do Apito", escândalo que abalou o futebol brasileiro em 2005. Em participação recente no podcast "Canal do Cosme Rímoli", exibido nesta quarta-feira (4), o ex-árbitro revisitou o esquema de manipulação de resultados que o tornou símbolo do caso.
Segundo ele, as consequências das próprias escolhas ainda são sentidas diariamente. A carreira na arbitragem chegou ao fim, o casamento se desfez e o vínculo com a filha foi rompido. Edílson ainda revelou que tentou tirar a própria vida em três ocasiões após o escândalo vir à tona.
"Eu não me perdoo. Nenhum dia, nenhuma noite", afirmou, ao relatar que revive com frequência o período em que atuava nos gramados e a convivência com antigos colegas. Na avaliação do ex-árbitro, o erro ultrapassou o âmbito pessoal e atingiu diretamente a paixão do brasileiro pelo futebol.
Edílson admitiu ter recebido dinheiro para interferir nos resultados e reconheceu que, por uma quantia relativamente baixa, perdeu tudo o que havia construído dentro e fora do esporte. O esquema resultou na anulação de 11 partidas do Campeonato Brasileiro daquela temporada. 
Preso temporariamente por cinco dias em 2005, ele também relembrou o período em que esteve detido e as marcas deixadas pela exposição pública. De acordo com o relato, o episódio fechou portas e tornou inviável qualquer tentativa de reconstrução profissional, sensação que resume ao afirmar viver uma "pena perpétua".