Flamengo e Palmeiras decidiram a Libertadores em 2025Cesar Greco / Palmeiras

Rio - Nos últimos anos, o Brasil dominou o futebol sul-americano. Porém, o domínio tem gerado incômodo entre dirigentes da Conmebol. Em painel da Fifa realizado em Budapeste, na Hungria, a diretora jurídica e secretária-geral adjunta Montserrat Jiménez apontou a distância financeira dos brasileiros para o restante do continente e não aprovou a dinastia na Libertadores.
"Marcos (Motta, advogado e vice-presidente do Flamengo, presente no painel) me dizia que até 2029 somente um clube não vai ser SAF no Brasil (na Série A). Só um. Isso significa que clubes brasileiros vão entrar em MCOs (sigla em inglês para redes multiclubes) a 500 km/h. Hoje já há diferença econômica do Brasil pra os outros nove países sul-americanos", disse Jiménez.
Montserrat Jiménez destacou que o modelo de SAFs "veio para ficar", mas alertou para a possibilidade dos brasileiros aumentarem a distância. Nas últimas 15 edições da Libertadores, 11 campeões são do Brasil. Nos últimos sete anos, todos os campeões foram brasileiros: Flamengo (2019, 2022 e 2025), Palmeiras (2020 e 2021), Fluminense (2023) e Botafogo (2024).
"Isso significa que o descolamento vai ser muito maior, por mais que a diretora jurídica diga "eu não gosto" e que adoraria poder dizer que esse não é o caminho para a América do Sul (...) Acho que há muito trabalho a ser feito. Porque se o Brasil se distanciar muito mais do que está hoje, vamos mesmo continuar tendo finais totalmente brasileiras. Ou vamos deixar o resto dos clubes para trás?", completou.
O Football Law Annual Review (FLAR) é um congresso anual que este ano discutiu as redes multiclubes. Na mesa para discutir MCOs, estavam também representantes de outras federações pelo mundo, como um dirigente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), que defendeu a rejeição ao modelo de SAF no seu país alegando tradição local e função social de clubes na Argentina.