Presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado de Gianni Infantino, da Fifa, recebe o troféu da Copa do Mundo na Casa BrancaAndrew Caballero-Reynolds / AFP
Irã estuda desistir de disputar a Copa do Mundo de 2026 após sofrer ataque dos Estados Unidos
Fifa monitora a situação e fará reuniões
Rio - A guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel coloca em dúvida a participação do Irã na Copa do Mundo de 2026. Os três jogos da seleção iraniana na fase de grupos estão programados para acontecer em solo americano. Com isso, há um alerta ligado quanto a participação do país na competição. A Fifa monitora a situação e ainda não se manifestou.
A possibilidade de um boicote iraniano ao Mundial surgiu poucas horas após o início da operação israelense-americana. O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, levantou essa possibilidade, mas esclareceu também que a decisão final caberia às "autoridades esportivas". Além disso, o dirigente ressaltou que a participação na Copa do Mundo não pode ser encarada com "esperança".
"Estes acontecimentos não ficarão sem resposta... Mas o que é certo agora é que, com esse ataque e essa crueldade, a Copa do Mundo não pode ser encarada com qualquer esperança", declarou o dirigente na televisão iraniana no último sábado (28), acrescentando que todas as partidas do campeonato nacional foram suspensas.
O 'Team Melli', como a seleção do Irã é conhecida, se classificou para sua sétima Copa do Mundo e está no Grupo G, junto com Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Os iranianos vão jogar uma partida em Seattle e duas em Los Angeles, cidade que abriga uma grande diáspora iraniana desde a Revolução Islâmica, muitos dos quais apoiam a causa da monarquia Pahlavi, deposta em 1979.
A Fifa se mantém cautelosa em relação à possível desistência do Irã de disputar a Copa do Mundo de 2026. Recentemente, o secretário-geral da entidade Mattias Grafstrom revelou que tem reuniões acontecendo, mas que ainda nada foi definido. Ainda não houve conversas com a Federação Iraniana de Futebol sobre um possível abandono
A menos de 100 dias do jogo de abertura da competição, a situação no Irã é, em todo caso, extremamente desconfortável para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que continua demonstrando seus laços estreitos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Isso se torna ainda mais evidente considerando que o conflito também afeta outros países classificados para a Copa do Mundo, como Arábia Saudita, Catar e Jordânia, que são alvos de ataques aéreos iranianos.
O boicote de uma das seleções participantes em sua principal competição não é uma situação prevista pelo regulamento da Fifa. O Artigo 6º do regulamento da Copa do Mundo de 2026 menciona o conceito de "força maior" e concede aos organizadores "total discricionariedade" para tomar "as medidas necessárias". Em caso de desistência ou exclusão de um país, a Fifa tem total liberdade para reagir e "pode decidir substituir a associação membro participante em questão por outra associação".
A ausência do Irã poderia logicamente beneficiar uma seleção da zona asiática, que já conta com oito equipes classificadas para esta primeira Copa do Mundo com 48 seleções. Um nono país da Ásia poderia se classificar se o Iraque vencer a final da repescagem intercontinental em 31 de março, em Monterrey, no México. Os iraquianos se juntariam então à França no mesmo grupo que Noruega e Senegal.
Embora os Jogos Olímpicos tenham enfrentado boicotes ao longo de sua história — os mais emblemáticos ocorrendo durante a Guerra Fria em 1980 em Moscou e em 1984 em Los Angeles — a Copa do Mundo nunca passou por uma situação semelhante, apesar de algumas ameaças. A mais notável foi em 1978, quando alguns jogadores quiseram protestar contra a ditadura militar na Argentina, mas o boicote nunca se concretizou.
Turquia, Escócia e Índia tiveram que se retirar da Copa do Mundo de 1950 no Brasil, mas os motivos foram financeiros, e esses três países não foram substituídos. Há também exemplos de exclusões que afetam países em guerra: em 1992, a Iugoslávia foi retirada da Eurocopa pela Uefa devido ao conflito nos Balcãs e foi substituída pela Dinamarca duas semanas antes do início do torneio. Mais tarde os dinamarqueses se sagrariam campeões da competição com uma vitória sobre a Alemanha na final.

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