Oliver Bearman bateu no GP do Japão e machucou o joelhoPhilip Fong / AFP

Rio - O acidente de Oliver Bearman, da Haas, no GP do Japão de Fórmula 1, já era uma preocupação dos pilotos antes mesmo de acontecer. As mudanças da principal modalidade do automobilismo mundial em 2026 ligaram alertas de integrantes da categoria assim que os carros foram concebidos. O principal ponto de críticas é a necessidade de gerir a energia do motor.
Em 2026, houve um aumento na participação elétrica na potência total, de 15% para 50%. Há, ainda, um impulso extra, usado para aumento de potência, caso haja energia disponível. Além disso, ainda existe o modo ultrapassagem, ativado quando o piloto estiver a menos de um segundo do carro à frente, sustentando a velocidade alta por mais tempo.
O acidente deste domingo aconteceu em meio a uma dinâmica de gestão de energia. Franco Colapinto, da Alpine, perdia velocidade enquanto recarregava a bateria. Já Bearman acelerava e vinha atrás do adversário. O britânico iria bater no argentino, mas tirou o carro da trajetória. Ele foi para a grama, bateu em placas de sinalização, rodou, atravessou a pista e só parou na barreira de proteção.
No momento, Bearman estava a 262 km/h, cerca de 100 km/h a mais que Colapinto. O piloto da Haas saiu apenas com uma contusão no joelho. Ainda antes da corrida, Fernando Alonso, da Aston Martin, havia criticado as mudanças do motor e alertado para um possível cenário em que uma colisão aconteceria por um piloto mais rápido encontrar outro mais lento à frente.
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) prometeu uma "revisão estruturada" do regulamento técnico da Fórmula 1 durante a pausa da categoria em abril. Os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, que ocorreriam neste mês, foram cancelados por causa dos conflitos no Oriente Médio.
"Quaisquer possíveis alterações, especialmente aquelas relacionadas ao gerenciamento de energia, exigem simulações cuidadosas e análises detalhadas. A FIA continuará trabalhando em estreita e construtiva colaboração com todas as partes envolvidas para garantir o melhor resultado possível para o esporte, e a segurança continuará sendo um elemento central da missão da FIA", diz um trecho.

Veja o comunicado oficial da FIA:

"Após o acidente envolvendo Oliver Bearman no Grande Prêmio do Japão e a contribuição das altas velocidades de aproximação no acidente, a FIA gostaria de fornecer os seguintes esclarecimentos:
Desde a sua introdução, o regulamento de 2026 tem sido objeto de discussões contínuas entre a FIA, as equipes, os fabricantes de unidades de potência, os pilotos e a FOM. Por definição, este regulamento inclui diversos parâmetros ajustáveis, principalmente em relação à gestão de energia, que permitem a otimização com base em dados reais.
A posição consistente de todas as partes interessadas tem sido a de que uma revisão estruturada seria realizada após a fase inicial da temporada, para permitir a coleta e análise de dados suficientes. Portanto, várias reuniões estão agendadas para abril para avaliar o funcionamento dos novos regulamentos e determinar se são necessários ajustes.
Quaisquer ajustes potenciais, particularmente aqueles relacionados à gestão de energia, exigem simulação cuidadosa e análise detalhada. A FIA continuará a trabalhar em estreita colaboração construtiva com todas as partes interessadas para garantir o melhor resultado possível para o esporte, e a segurança sempre permanecerá um elemento central da missão da FIA. Nesta fase, qualquer especulação sobre a natureza das possíveis mudanças seria prematura. Mais informações serão comunicadas oportunamente."