Torcedores da Espanha no amistoso contra o Egito, no RCDE StadiumLluis Gene / AFP
O cântico "Quem não pular, é muçulmano" e as vaias ao hino egípcio durante a partida no estádio do Espanyol recebeu críticas da própria seleção espanhola, como a do craque do Barça Lamine Yamal, que é muçulmano e disputou a partida, aparentando se sentir abalado com a situação.
É "uma coisa intolerável", escreveu Lamine no Instagram. "Usar a religião como piada em um gramado os mostra como pessoas ignorantes e racistas", acrescentou, em alusão a quem proferiu os cânticos.
O jogador foi o único que não deu a volta para cumprimentar a torcida ao final da partida.
O ministro da Justiça da Espanha, Félix Bolaños, assegurou que "os insultos e cânticos racistas nos envergonham como sociedade".
"Investigamos os cânticos islamofóbicos e xenófobos de ontem no RDCE Stadium", o campo do Espanyol, informaram na rede X os Mossos d'Esquadra, a polícia regional catalã.
Ao contrário, o líder do partido de extrema-direita Vox, Santiago Abascal, se limitou a retransmitir a mensagem "orgulho de torcida, orgulho de país", do campeão olímpico de canoagem Christian Toro.
"Quando a Espanha joga, sobram complexos e sobra divisão", acrescentou Toro.
'Quem não pular, é muçulmano'
A partida foi manchada pelas vaias ao hino egípcio antes da bola rolar, algo "inaceitável" e uma "falta de respeito", segundo a Federação Egípcia, e pelos cânticos "Quem não pular, é muçulmano" durante o primeiro tempo por parte dos 35.000 torcedores que foram ao estádio do Espanyol.
Pelo equipamento de som e os placares eletrônicos do estádio, pedia-se precisamente que se evitassem os "cânticos ofensivos" no intervalo e no segundo tempo.
"Vergonha mundial", estampou na capa o jornal esportivo AS, com uma foto da mensagem transmitida nos placares eletrônicos.
"A extrema-direita não vai deixar um espaço livre de seu ódio e quem hoje se cala, será cúmplice. Seguimos trabalhando por um país tolerante e respeitoso com todos", acrescentou o ministro da Justiça.
'É preciso afastá-los da sociedade'
"As pessoas violentas utilizam o futebol para se fazerem presentes. É preciso afastá-las da sociedade, identificá-las e mantê-las o mais longe possível", reiterou o treinador, de 64 anos.
O presidente da Federação Espanhola, Rafael Louzán, classificou o caso como um "acidente isolado que não deve voltar a ocorrer".
O problema é que este é apenas o mais recente de uma série de episódios semelhantes que mancharam o futebol espanhol nos últimos anos, com o atacante brasileiro do Real Madrid Vinicius Júnior, em particular, sendo repetidamente alvo de insultos racistas, o que demonstra que esse tipo de comportamento não é isolado no futebol espanhol.
Episódios frequentes de racismo
Em 2025, cinco torcedores do Real Valladolid que insultaram Vini Jr. racialmente em uma partida de 2022 foram considerados culpados por um tribunal por crime de ódio, no primeiro julgamento desse tipo na Espanha relacionado a insultos em um estádio de futebol.
Vários outros incidentes foram registrados, o mais recente quando torcedores do Albacete entoaram um cântico racista contra o atacante brasileiro fora de seu estádio antes de eliminar o Real Madrid da Copa do Rei em janeiro.
Mas Vinicius não foi o único a sofrer esses ataques nos estádios espanhóis, e outros jogadores, como o próprio Lamine Yamal e os irmãos Iñaki e Nico Williams, também receberam insultos racistas em diferentes arenas.
A Espanha será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030 ao lado de Portugal e Marrocos, um torneio que também terá partidas na Argentina, no Uruguai e no Paraguai.
A imprensa espanhola afirmou que esse tipo de incidente pode afetar a organização do torneio e levar a Fifa a transferir a final para o Marrocos, embora inicialmente a decisão esteja programada para Madri.

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