John Textor com o presidente do Botafogo, João Paulo Magalhães: relação entre SAF e social não é boaVitor Silva / Botafogo
Organizadas do Botafogo cobram presença de Textor e salários dos jogadores em dia
Torcedores do Glorioso mostram insatisfação com condução da SAF e pedem solução
Sete torcidas organizadas do Botafogo se uniram para cobrar John Textor e a SAF do Botafogo pela crise atual. Em nota oficial conjunta, os torcedores exigiram maior transparência e participação do empresário estadunidense, assim como o pagamento em dia de salários de jogadores e funcionários, bem como de outras obrigações financeiras.
O texto ainda reclama que o Glorioso é "tratado como peça descartável de um portfólio internacional" e que "cenário atual é inadmissível". Ao afirmar que a crise não é pontual, lembra que outros clubes da Eagle Holding passaram pelo mesmo problema e não vê perspectiva de melhora.
Ainda assim, os torcedores do Botafogo não pedem a saída imediata de Textor do comando da SAF. Pelo contrário, exigem mais participação do empresário, em um recado direto.
"Você desaparece. Não se faz presente. Não dialoga com a torcida. Não presta esclarecimentos. Enquanto o clube sangra semana após semana, você se mantém distante e em silêncio, como se o Botafogo fosse um problema secundário em sua agenda. isso não é gestão. Isso é omissão. Exigimos sua presença imediata", diz parte da nota.
As organizadas ainda pedem que Textor seja mais transparente sobre o futuro e fazem exigências: pagamento dos salários atrasados, regularização fiscal, contratação urgente de uma comissão técnica e definição de um projeto esportivo.
"Não queremos promessas. Queremos ação e queremos agora", complementam.
"Caso não haja condições, disposição ou capacidade para gerir o Botafogo com a seriedade que sua história exige, que haja ao menos a honestidade de reconhecer isso e abrir espaço para quem esteja verdadeiramente comprometido com o clube".
A nota das organizadas do Botafogo na íntegra
“As torcidas organizadas do Botafogo de Futebol e Regatas manifestam seu repúdio público, veemente e irrestrito à condução da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do clube, sob o comando de John Textor.
O Botafogo é, antes de tudo, uma instituição centenária. Sua história foi construída por gerações de torcedores, jogadores e trabalhadores que dedicaram suas vidas a este clube. A transição para o modelo SAF foi aceita pela torcida como uma aposta no futuro, jamais como autorização para que o Botafogo fosse tratado como peça descartável de um portfólio internacional.
O cenário atual é inadmissível. Há atletas com salários em atraso, obrigações fiscais não cumpridas, ausência de comando técnico, falta de um projeto esportivo consistente e nenhuma perspectiva imediata de estabilidade. Enquanto isso, a holding controladora, a Eagle Football Holdings, acumula dívidas bilionárias e enfrenta processo de administração judicial no Reino Unido.
Não se trata de uma crise pontual. Trata-se de um padrão de gestão que já comprometeu outros clubes sob o mesmo comando e que, agora, se repete no Botafogo. A torcida que lotou o Estádio Nilton Santos, que acreditou e que investiu seu apoio neste projeto, não pode ser a única a arcar com as consequências.
DIRETAMENTE A VOCÊ, JOHN TEXTOR
Você desaparece. Não se faz presente. Não dialoga com a torcida. Não presta esclarecimentos. Enquanto o clube sangra semana após semana, você se mantém distante e em silêncio, como se o Botafogo fosse um problema secundário em sua agenda. isso não é gestão. Isso é omissão.
Exigimos sua presença imediata. Exigimos um pronunciamento público, claro e objetivo sobre o futuro do clube. Exigimos um plano concreto: pagamento dos salários atrasados, regularização fiscal, contratação urgente de uma comissão técnica e definição de um projeto esportivo minimamente estruturado para a temporada. Não queremos promessas. Queremos ação e queremos agora.
Caso não haja condições, disposição ou capacidade para gerir o Botafogo com a seriedade que sua história exige, que haja ao menos a honestidade de reconhecer isso e abrir espaço para quem esteja verdadeiramente comprometido com o clube.
O Botafogo é maior do que qualquer gestor. Sempre foi.
As torcidas organizadas do Botafogo exigem total transparência sobre o passivo que recai sobre o clube. Exigem que atletas, funcionários e fornecedores sejam devidamente honrados em seus contratos. E exigem que qualquer processo de reestruturação preserve, acima de tudo, a integridade esportiva e institucional do Botafogo de Futebol e Regatas.
Sabemos que, diante deste cenário, muitos torcedores clamam por respostas à altura da indignação que sentimos. As organizadas ouvem esse clamor, compreendem essa revolta e compartilham integralmente desse sentimento.
No entanto, é necessário responsabilidade. Vivemos sob um novo marco legal. O modelo SAF impõe restrições que não existiam anteriormente, e qualquer ação que envolva invasões, confrontos ou perturbação da ordem pode resultar em punições severas, inclusive prisões, além de prejudicar diretamente o clube que juramos defender. Não abrimos mão de nenhum dos nossos.
Se houvesse a certeza de que uma ação mais contundente, ainda que custosa, garantiria o futuro do Botafogo, não hesitaríamos, nunca hesitamos. Mas, neste momento, nossa força está na mobilização consciente, na pressão organizada e na união.
E é com essa força que seguimos.
O Botafogo pertence à sua história e ao seu povo. Nenhum modelo societário mudará isso. E é em nome dessa história que nos posicionamos: com firmeza, responsabilidade e sem recuo".

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