Carlo Ancelotti conversa com os jogadores em último treino da seleção brasileira antes de amistoso com Senegal Rafael Ribeiro / CBF
O cenário chama atenção não só pela posição, mas pelo recorte histórico: entre os países campeões mundiais e os cabeças de chave, o Brasil aparece com o pior desempenho. No topo da lista está a Argentina, atual campeã do mundo, com 83,8% de aproveitamento no mesmo intervalo.
O rival albiceleste é seguido por seleções como Marrocos (82,4%), Espanha (81,2%) e Japão (80,2%). Na outra ponta, equipes como Gana, Paraguai e Bósnia e Herzegovina aparecem com os piores índices.
O Brasil, com seus 52,4%, figura na parte inferior da tabela, superando apenas nove seleções classificadas para o Mundial, como Escócia, Catar e Nova Zelândia.
INSTABILIDADE APÓS O CATAR
A campanha brasileira no ciclo pós-Copa tem sido marcada por mudanças frequentes no comando técnico e resultados oscilantes. Desde 2023, a seleção foi dirigida por quatro treinadores diferentes: Ramon Menezes (interino), Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti, que assumiu a equipe na segunda metade de 2025.
Nesse período, o Brasil disputou 35 partidas, com 15 vitórias, 10 empates e 10 derrotas. O saldo de gols também reflete a irregularidade: foram 58 marcados e 39 sofridos.
COMPARAÇÃO COM RIVAIS SUL-AMERICANOS
Entre as seleções da América do Sul, que enfrentaram adversários semelhantes no período, o Brasil aparece atrás de quatro equipes:
- Argentina - 83,8%
- Colômbia - 66,7%
- Equador - 56,8%
- Uruguai - 55,3%
A posição reforça a dificuldade da seleção em manter consistência competitiva desde a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo do Catar, quando caiu para a Croácia.
Além da queda de rendimento nos amistosos e nas Eliminatórias, o Brasil teve desempenho abaixo do esperado em competições oficiais. Na Copa América de 2024, a equipe foi eliminada nas quartas de final pelo Uruguai.
Já nas Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial de 2026, terminou na quinta colocação, com 28 pontos, atrás de Argentina (39), Equador (29), Colômbia (28) e Uruguai (28).
O desempenho atual contrasta diretamente com o ciclo anterior à Copa de 2022. Sob o comando de Tite, a seleção disputou 50 jogos entre 2019 e 2022, com 37 vitórias, 10 empates e apenas duas derrotas, alcançando 80,7% de aproveitamento.
Naquele período, o Brasil foi líder das Eliminatórias, conquistou a Copa América de 2019 e terminou como vice na edição de 2021, evidenciando um nível de consistência que ainda não foi repetido no atual ciclo.
RANKING DE APROVEITAMENTO DAS SELEÇÕES CLASSIFICADAS PARA A COPA (2023-2026):
1º - Argentina - 83,8%
2º - Marrocos - 82,4%
3º - Espanha - 81,2%
4º - Japão - 80,2%
5º - Senegal - 75,4%
6º - Irã - 74,4%
7º - Argélia - 74%
8º - Portugal - 72,8%
9º - Inglaterra - 72,6%
10º - França - 71,9%
11º - Áustria - 70,4%
12º - Uzbequistão - 69,7%
13º - Colômbia - 66,7%
14º - Austrália - 66,7%
15º - Costa do Marfim - 66%
16º - Noruega - 65,6%
17º - Egito - 65,3%
18º - Croácia - 64,8%
19º - Coreia do Sul - 64,3%
20º - Holanda - 63,2%
21º - Alemanha - 62,4%
22º - Turquia - 62,2%
23º - Bélgica - 62%
24º - República Tcheca - 61,9%
25º - RD do Congo - 61,6%
26º - Iraque - 60,4%
27º - Tunísia - 60,1%
28º - México - 59,3%
29º - Haiti - 58,8%
30º - Suécia - 58,1%
31º - Panamá - 57,2%
32º - Canadá - 57,1%
33º - Equador - 56,8%
34º - África do Sul - 55,9%
35º - Estados Unidos - 55,8%
36º - Uruguai - 55,3%
37º - Suíça - 55%
38º - Cabo Verde - 53,2%
39º - Brasil - 52,4%
40º - Jordânia - 51,3%
41º - Nova Zelândia - 50%
42º - Arábia Saudita - 48,8%
43º - Catar - 48%
44º - Curaçau - 47,9%
45º - Escócia - 45,7%
46º - Paraguai - 43,8%
47º - Gana - 41,7%
48º - Bósnia e Herzegovina - 35,5%
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.