Vini Jr em treino do Real MadridDivulgação / Real Madrid

O episódio de racismo envolvendo os torcedores espanhóis no amistoso entre Espanha e Egito, em partida válida pela Data Fifa, voltou ao centro das atenções nesta segunda-feira (6), durante coletiva do atacante Vini Jr como prévia do encontro entre Real Madrid e Bayern de Munique pelo jogo de ida das quartas de final da Liga dos Campeões.

Alvo de manifestações deste tipo desde que trocou o Flamengo pelo gigante espanhol, ele mais uma vez condenou ações de cunho racista e procurou dar apoio ao atacante Lamine Yamal. No duelo entre as duas seleções, torcedores ofenderam os egípcios aos gritos de "quem não pula é muçulmano". Seguidor do islamismo, o astro do Barcelona externou seu descontentamento nas redes sociais.

"Infelizmente é um assunto muito complicado de se falar, mas que acontece muitas vezes. Espero que possamos continuar nessa luta e acho importante que Lamine também fale, pois isso pode ajudar os demais [que se sintam atingidos]", afirmou o atacante.

Na conversa com os jornalistas, o jogador foi mais profundo em sua análise e afirmou que personalidades esportivas precisam aproveitar a sua influência e visibilidade para se posicionar e dar voz e respaldo aos menos favorecidos.
"Somos famosos, temos dinheiro e podemos equilibrar melhor essas coisas, mas os pobres e os negros, que estão em todos os lugares, seguramente enfrentam mais dificuldades do que nós. Então, precisamos estar juntos", afirmou o jogador.

Ele destacou ainda que esse tipo de preconceito existe não só nos países mais desenvolvidos da Europa, mas em todos os continentes e reforçou seu ponto de vista.

"Não estou dizendo que Espanha, Alemanha ou Portugal sejam países racistas, mas existem racistas em todos os países, sobretudo no Brasil. E se continuarmos essa luta juntos, acredito que num futuro os jogadores mais novos e todas as pessoas deixem de passar por isso também".

Logo após o amistoso em que a Espanha empatou em 0 a 0 com o Egito na última terça-feira (31), Lamine Yamal usou as redes sociais para criticar os cânticos islâmofóbicos entoados nas arquibancadas e classificou os envolvidos nas manifestações como "ignorantes e racistas".