Portugal venceu a Nigéria por 2 a 1 no último amistoso antes da CopaFilipe Amorim / AFP

Rio - Portugal venceu, mas não convenceu na despedida rumo à Copa do Mundo de 2026. As tantas caretas de Cristiano Ronaldo ao longo dos 64 minutos em que esteve em campo serviu para mostrar a dificuldade da despedida dos portugueses. O craque português, aliás, desperdiçou muitos gols que quase fizeram falta, mas Francisco Conceição garantiu a vitória por 2 a 1 sobre a Nigéria, nesta quarta-feira (10), em Leiria.
Com 973 gols na brilhante carreira, a estrela portuguesa queria se despedir rumo aos gramados de Estados Unidos, Canadá e México deixando sua marca e demonstrando que Portugal não está entre os favoritos por acaso. Mas os bravos africanos jogaram com seriedade e deram enorme trabalho, com marcação alta e velocidade nos contragolpes.
Cristiano Ronaldo perdeu oportunidade de ouro, cara a cara, logo no início, falhou em cabeçada livre, furou sozinho na área e viu os titulares levarem um frustrante empate por 1 a 1 ao descanso. Coube a Francisco Conceição definir já aos 30 da etapa final, para alívio da equipe e alegria do povo português.
O técnico Roberto Martínez utilizou uma escalação muito próxima da que deve utilizar na estreia da Copa, diante da República Democrática do Congo, no dia 17, em Houston, pelo Grupo K - Uzbequistão e Colômbia completam a chave. Do meio para frente, por exemplo, dificilmente João Neves, Vitinha, Bruno Fernandes, Pedro Neto e Cristiano Ronaldo não estarão entre os titulares.
Trincão, observado desde o início em Leiria, é quem não deve figurar entre os titulares por causa da presença de Bernardo Silva. O camisa 10 ganhou um descanso e começou no banco na despedida local, assim como os laterais Cancelo e Nuno Mendes (Semedo e Dalot foram observados).
Já em clima confiante para grande disputa de Copa do Mundo, a festa portuguesa começou ainda no hino nacional, cantado com emoção e sob aplauso de todos presentes no lotado estádio. Encarar a Nigéria tinha um motivo: testar a força lusa diante de um oponente que caiu na repescagem africana justamente para RD do Congo, a rival da estreia.
Aos torcedores, valiam observar o astro Cristiano Ronaldo em casa. E o camisa 7 queria retribuir todo o apoio e carinho e foi logo assustando, por duas vezes, na segunda errando cara a cara. A marcação alta nigeriana incomodava, contudo. Assim como as escapadas de Adams. A dificuldade de infiltração portuguesa foi superada em lançamento longo do meio-campo. Dalot apareceu de surpresa nas costas da marcação e serviu Pedro Neto.
Mesmo com grandes peças ofensivas, Portugal parecia querer consagrar Cristiano Ronaldo e a todo momento os companheiros buscavam o astro. A cabeçada passou raspando para nova cara de decepção. A mira de CR7 estava descalibrada. Já Adams não perdeu a chance ao sair cara a cara e deixou tudo igual. A igualdade no intervalo transformou o clima de festa em apreensão.
Contra desgaste físico ou lesões - Bruno Fernandes levou duas entradas duras -, o técnico Roberto Martínez fez nove trocas no intervalo. Apenas o goleiro Diogo Costa e o capitão Cristiano Ronaldo permaneceram. Bem mexido e não menos forte, Portugal logo criou duas vezes com João Félix. E reclamou de gol após a bola bater no travessão e quicar atrás do goleiro - após revisão do VAR, o árbitro impugnou o lance.
Cristiano Ronaldo, pouco depois de furar em lance perigoso, deixou o gramado aos 19 minutos, aplaudido de pé e retribuindo o carinho, também batendo palma às arquibancadas. Mas não escondia a frustração por não deixar sua marca. Francisco Conceição, em belo gol cortando para a área e batendo forte, salvou o dia diante de uma complicada Nigéria.