Entrevista coletiva do presidente da Fifa, Gianni Infantino, na Cidade do MéxicoAlfredo Estrella / AFP

A ausência na Copa do Mundo do árbitro Omar Artan, que foi barrado de entrar nos Estados Unidos, esteve em pauta na entrevista coletiva do presidente da Fifa, Gianni Infantino, nesta quarta-feira (10), véspera do início do torneio. O mandatário lamentou o ocorrido e reforçou que a entidade sempre busca soluções, mas pontuou que ela não pode controlar tudo. 
"Claro que é lamentável o que aconteceu com Omar, o árbitro da Somália. Mas, mais uma vez, nós não controlamos tudo. Nós tentamos, vamos discutir, vamos falar e vamos ver. Talvez, às vezes, seja bom também, você sabe, relaxar. Nós trabalhamos em tudo, nós tentamos resolver tudo. Às vezes, imediatamente gritar e reclamar têm o efeito oposto a encontrar uma solução".
"Acredite em mim quando digo, ou não acredite se não quiser: nós sempre tentamos achar soluções, sempre. Só que também precisamos respeitar que não somos os donos do mundo, que podem mandar sobre governos, forças policiais... Somos uma organização esportiva, tentamos fazer o melhor com o meio que temos para fazer o máximo possível".
A notícia de que Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos repercutiu na imprensa internacional. O árbitro foi recebido como herói ao chegar em Mogadíscio, capital da Somália.

Irã na Copa do Mundo

Infantino também celebrou a presença da seleção iraniana para a Copa do Mundo. Em meio à guerra com os Estados Unidos, a participação dos persas no torneio foi colocada em dúvida várias vezes. Em março, o ministro Ahmad Donyamali chegou a dizer que o país não participaria do Mundial.
''Sobre o Irã, eu estou muito feliz, porque eu mesmo visitei o time iraniano na Turquia em março deste ano. Quando as pessoas disseram que seria impossível eles virem para a Copa do Mundo, eu prometi que viriam. E se eu precisasse ir com um ônibus para Teerã e os dirigisse para cá, eu faria isso".
''Claro que há desafios, claro que não é fácil. Quando o Irã jogar, o estádio estará cheio e espero que terá uma atmosfera positiva, porque isso é futebol. Isso é sobre pessoas esquecerem por um momento suas realidades e poderem focar numa partida e num time. Estou muito feliz conseguimos trazer o Irã para vir e disputar esta Copa do Mundo. Estou orgulhoso do trabalho do meu time e grato às administrações dos três países-sede por cooperarem para fazer isso acontecer".
Apesar disso, o ministro de esportes do país, Ahmad Donyamali, ameaçou que a seleção iraniana vai interromper os jogos e deixar o campo em caso de protestos políticos contra o país durante as partidas.