Maradona, em março de 2020Alejandro Pagni / AFP
Maradona morreu no dia 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, enquanto recebia cuidados domiciliares após uma cirurgia no cérebro.
Aníbal Domínguez, cuidador que conviveu com ele nas semanas anteriores ao seu falecimento, contou que o ex-craque comia pouco, tinha dificuldade para urinar e passava dias inteiros sem se levantar da cama, além de sofrer com sintomas de abstinência alcoólica.
O depoimento foi ouvido em uma nova audiência do julgamento que acontece em San Isidro, a 26 quilômetros de Buenos Aires, e que busca apurar a responsabilidade da equipe médica que cuidou de Maradona durante sua recuperação após a cirurgia. O astro morreu de parada cardiorrespiratória e edema pulmonar, em uma casa em Tigre, ao norte da capital.
Domínguez mantinha diálogo constante com o médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque, principal réu do caso, e contou que, naqueles dias, pediu que ele fosse ver o paciente: "Ele tinha que vir e não vinha."
Além de Luque, outros seis profissionais de saúde estão sendo julgados por homicídio com dolo eventual, que implica que eles estavam cientes de que suas ações ou omissões poderiam provocar a morte de Maradona. Todos alegam inocência.
"Diego estava recém-operado, então tinha que haver alguém responsável ali. Luque era o médico e amigo dele; ele expulsava o Luque, chegava a cuspir nele, e Luque esperava um pouco, voltava, e eles conversavam", contou o cuidador.
Durante a audiência, foram reproduzidas gravações de áudio nas quais Domínguez disse a Luque que Maradona estava "perdido e tinha tremores" no dia 20 de novembro, o que ambos atribuíram à abstinência alcoólica. No entanto, ele lembrou que, naquela mesma noite, Maradona pediu para dar uma volta de carro, e assim o fizeram.
"Não se podia entrar em conflito com Diego e dizer 'não' a ele, porque era pior, ele explodia (...) Diego era o chefe", disse o cuidador, diante de uma plateia que incluía duas das filhas de Maradona, Dalma e Gianinna.

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