Romário volta a escrever a Coluna do BaixolaDivulgação

Romário está de volta para reforçar o time de O DIA. O craque dos gramados vai compartilhar toda sua experiência e sinceridade para falar sobre o futebol brasileiro e os clubes cariocas na 'Coluna do Baixola', que entra em campo todos os domingos, a partir do dia 11 de outubro, nas edições impressa e online.
"Estou curtindo muito! A primeira experiência foi bastante positiva porque eu pude falar de futebol do meu jeito, sem muita enrolação, na real. Quero continuar dando a minha opinião sobre assuntos que conheço bem. Falar o que eu penso, com sinceridade, e provocar o debate. O torcedor gosta de ouvir uma opinião diferente, principalmente quando ela vem de quem viveu o futebol dentro do campo como eu vivi", afirma.
Para marcar esse retorno em grande estilo, Romário concede entrevista para recordar sua carreira vitoriosa e também dar a opinião sobre algumas das polêmicas mais recentes do futebol. O Baixinho defende o direito do Vasco de mandar jogos no Maracanã, aponta o favorito ao título na Libertadores e admite querer ver um Fla-Flu na decisão.
Ele também acredita na recuperação dos clubes após a perda dos patrocínios das bets e vê a necessidade de maior equilíbrio na redução do limite de estrangeiros. O tetracampeão mundial ainda analisa a corrida de Cristiano Ronaldo pelo milésimo gol e também fala se pretende concorrer à reeleição para presidente do America.

Confira a entrevista de Romário

- Você é presidente do America e recentemente atuou como entrevistador, comentarista e volta a ser colunista. O que te motiva para essas experiências diferentes no futebol recentemente?

Eu gosto pra c... de futebol, simples assim. Tudo o que conquistei foi graças a ele. E acho que, depois de tantos anos dentro de campo, a gente também tem que aproveitar a experiência para contribuir de outras formas. Como jogador, eu dava opinião dentro de campo. Hoje, posso fazer de outras maneiras. E aprendo muito também. Cada experiência nova me traz algum aprendizado.
- Com a Copa do Mundo de 2026, o feito da sua geração em 1994 voltou a ser muito falado, por vocês terem conseguido suportar a pressão. E você ainda abraçou essa pressão, ao prometer o tetra antes. Por que tomou essa decisão de chamar a responsabilidade?

Porque eu acreditava muito naquela seleção. E sempre fui um cara que não fugiu da responsabilidade. Quando você acredita em alguma coisa, tem que ter coragem para falar e bancar o que falou. Eu sabia que tínhamos um grande time, mas também sabia que a pressão era enorme. Então, pensei que alguém tinha que assumir a responsabilidade. Eu assumi. E depois fiz a minha parte dentro de campo, claro.
- Acha que tem faltado essa atitude aos jogadores atuais? O Raphinha demonstrou muita confiança em uma entrevista a você antes de jogar contra a Argentina, gerou polêmica e parece que não conseguiu jogar bem na Seleção depois. O que acha que aconteceu?

Eu não acho que jogador tenha que ter medo de falar. Pelo contrário. O problema é que, quando você fala, tem que estar preparado para sustentar o que falou. Eu respeito muito o Raphinha e acho que ele tem muita qualidade. Mas confiança e responsabilidade têm que andar juntas. Se você fala que vai ganhar, tem que entrar em campo e tentar provar isso. Eu fiz isso em 1994.
- Você jogou por Vasco, Flamengo e Fluminense e fez sucesso neles. Como você considera a sua passagem pelos três e o que mais te marcou em cada clube?

Foram três histórias muito importantes na minha carreira. No Vasco, foi onde eu me formei como jogador e onde conquistei títulos importantes. É um clube que faz parte da minha história de uma maneira muito especial.

No Flamengo, foi uma experiência diferente, porque jogar no Flamengo é uma coisa muito grande. A torcida é apaixonada, a cobrança é enorme e você precisa estar preparado para isso. Foi um período que também me marcou muito.

E no Fluminense eu vivi uma fase mais madura, já mais experiente. Fiz gols importantes e vivi momentos nas Laranjeiras que guardo com muito carinho.
- O que acha que faltou conquistar pelos três?

Sempre dá para conquistar mais. Jogador que acha que já conquistou tudo está errado. Mas eu sou muito feliz com a minha história nos três clubes.
- Atualmente o Vasco briga com Flamengo e Fluminense para poder jogar no Maracanã. O que pensa dessa disputa?

O Maraca é do futebol brasileiro e do carioca. Eu, particularmente, tenho história naquele estádio e acho que o mais importante é preservar isso. É claro que existe uma administração, existem regras e contratos, mas não acho legal transformar o Maracanã em um estádio apenas de um ou dois clubes. O Vasco tem história no Maracanã, assim como Flamengo e Fluminense também têm. O que precisa existir é bom senso e respeito entre os clubes.
- Na semana que vem começam os confrontos de semifinal da Libertadores. Quem você acha que é o favorito ao título?

Eu vejo, hoje, o Flamengo como o favorito. É o atual campeão, tem um elenco muito qualificado e está acostumado a jogar esse tipo de competição. Mas Libertadores não se ganha só com nome. Tem que jogar. O Estudiantes vai ser muito duro. Fluminense e, principalmente o Palmeiras, correm por fora.
- Pelo fato de você ter jogado nos dois, torce por um Fla-Flu na final?

"Eu acho que seria uma final histórica para o Rio de Janeiro. Flamengo e Fluminense numa final de Libertadores seria f..."
- E se houver esse jogo, vai torcer para alguém?

"Se você me perguntar para quem eu vou torcer, aí eu vou deixar essa resposta para depois (risos). Tenho história nos dois clubes e respeito muito os dois. Prefiro primeiro ver quem chega".
- O futebol brasileiro viveu duas polêmicas recentes, que são o fim das bets e o limite para jogadores estrangeiros. Como avalia essas decisões que muitos dizem que farão os clubes perderem força no continente? Como podem afetar o futebol brasileiro?

Eu acho que qualquer decisão que mexa diretamente com a indústria do futebol precisa ser muito bem discutida. Ela gera muitos recursos e empregos. E os clubes, para poderem gerar mais receitas, precisam ser bem geridos. Eu hoje sei bem disso, como presidente do America.

Sobre as bets, os clubes perdem, por enquanto, pois se trata de uma medida provisória, de uma fonte importante de recursos. Agora precisamos encontrar outras alternativas. Uma coisa é certa, o futebol jamais vai acabar.

E sobre os estrangeiros, eu acho que é importante proteger e desenvolver o jogador brasileiro, mas também não podemos fechar o mercado. O Brasil sempre foi grande porque revelou jogador pra outros países. Tem que haver equilíbrio. O estrangeiro é importante, mas não pode ter exagero".
- Como é acompanhar a corrida do Cristiano Ronaldo pelo milésimo gol quase 20 anos depois de você alcançar esse objetivo? Vê alguma semelhança que te faz lembrar daquele período?

Claro que me faz lembrar. É uma marca muito especial. Eu sei exatamente a pressão que existe quando você começa a se aproximar de um número desses. Todo mundo só fala nisso, cada gol vira notícia. Chegar aos mil gols é muito f...! Eu torço para que ele consiga, porque sei o tamanho que essa conquista representa.
- Pretende buscar a reeleição no America?
Eu ainda estou avaliando. Ser presidente de clube é muito diferente de ser jogador. Você enfrenta problemas todos os dias e precisa tomar decisões que nem sempre agradam a todo mundo.
- Como avalia a sua experiência nesse triênio de 2024 a 2026 no clube?

Está sendo uma experiência do c... pra mim. Aprendi muito e também consegui enxergar o futebol do outro lado. Tenho muito carinho pelo America, mas talvez seja a hora de renovar com outras pessoas. Enfim, estou pensando.