Edmílson foi um dos pilares na campanha do penta em 2002Carl de Souza / AFP
"Tem pouco tempo, mas é muito legal, muito bom [o trabalho de Ancelotti]. É importante que tenha tempo neste momento de reformulação. Por isso que até a própria CBF deu um trabalho mais longo para ele, até 2030. Temos novos talentos, que estão indo pela primeira vez. Acho que a Seleção sempre chega forte em Copas do Mundo. A nível de favoritismo, todas as vezes em que o Brasil era muito favorito, não levou. Quando estava desacreditado, acabou levando. Espero que essa Seleção se fortaleça durante a Copa e possa trazer o hexa".
Apesar da campanha de 2002, a última conquista do Brasil, ser muito lembrada em épocas de Copa, o ex-defensor rechaçou comparações, ressaltando que cada time tem os seus talentos e desafios. "Nós tivemos dificuldades durante a Copa do Mundo, muitos chegaram desacreditados individualmente e coletivamente. Fomos nos fortalecendo durante o torneio, é importante destacar isso. O primeiro jogo foi muito difícil, contra a Turquia. Não imaginávamos que pegaríamos eles de novo na semifinal. Mas não gostaria de fazer comparações, são tempos diferentes e cada geração tem o seu valor".
Versatilidade
"A Seleção tem levado jogadores importantes a nível de fazer mais de uma função. Seja na defesa, no meio-campo, no ataque. Acho que uma das coisas que o Ancelotti observou bastante foram os jogadores que poderiam fazer mais de uma função. Assim, pode ter alternativas independentemente das situações no decorrer dos jogos. Acho que a Seleção foi bem convocada, com jogadores que fazem múltiplas funções. Foi o caso não só meu, mas também do Gilberto, do Roque, do Lúcio. Assim, formamos uma equipe sólida".
A versatilidade de Edmílson, por sinal, foi um fator importante para ele marcar um gol na Copa do Mundo de 2002, um dos mais bonitos daquela edição, na vitória por 5 a 2 sobre a Croácia, na fase de grupos. O ex-jogador relembrou como foi invadir a área adversária e chutar com maestria para o fundo das redes.
"Tínhamos liberdade porque jogávamos com três zagueiros. Quando eu jogava no meio, tinha a liberdade de chegar até o meio-campo para poder realmente jogar. A jogada do gol foi interessante, tabelei desde lá de trás e acabei indo para a área. A bola resvalou no cruzamento do Júnior, consegui voltar e fazer aquele movimento fantástico. Foi importante o gol tanto para mim quanto para o time, apesar de termos ganhado o jogo de 5 a 2".
'Todos no mesmo foco'
"A nível de foco, tínhamos certeza de que precisávamos fechar bem o grupo. Felipão foi um grande professor. Era zero vaidoso, não tinha ambiente ruim. Os bastidores de jogo foram muito importantes, a liderança dele. Deixava todos com o mesmo foco. Aquela Seleção tinha quatro laterais muito ofensivos [Cafu, Roberto Carlos, Belletti e Júnior]. Assim, surgiu a possibilidade de ter os três zagueiros e conseguimos, cada um com um perfil diferente, segurar a zona central".
"Depois, quando o Kleberson entrou, a partir das quartas de final, ganhamos uma solidez maior. Tínhamos o corredor direito do Cafu, que com o Juninho Paulista, que era um atacante, não conseguia fazer muito corretamente a recomposição. Mas fez um grande trabalho também. Penso que jogamos com três zagueiros por isso, pelas características dos laterais disponíveis à época".
'Trabalho sério'
"A presença de jogadores que fizeram história não só na nossa geração, mas nas mais antigas, é muito importante. A nova gestão da CBF dá abertura não só aos jogadores, mas vimos o Felipão, por exemplo, que foi à Granja Comary para falar com o elenco, opinar. É importante. Alguns jogadores da Seleção não eram nem nascidos quando fomos campeões. Essa aproximação é importante".
Um dos temas mais debatidos nos últimos meses antes da convocação final foi a presença de Neymar na lista definitiva. Edmílson não se esquivou da pergunta sobre o craque e afirmou que, há anos, ele vem fazendo grandes jogos pela Seleção e chamando a responsabilidade. "Acredito muito que vá agregar para os jovens, para os mais experientes. Com toda a bagagem que tem, acho que pode ajudar muito tanto dentro quanto fora de campo". O craque sofreu uma lesão grau 2 na panturrilha direita às vésperas da Copa e desfalca o Brasil na estreia, neste sábado (13), contra o Marrocos.
'O Brasil tem sempre que ganhar'
"Para mim, quando você é campeão do mundo, será para sempre lembrado. Ganhar a Copa do Mundo fica para uma porcentagem muito pequena de jogadores. Não só aqui no Brasil, mas em todos os países. É uma brincadeira do Vampeta, eu não tenho essa visão. Vivo do futebol, do ecossistema do futebol, assim como os treinadores, jornalistas, preparadores físicos, entre outros. O futebol brasileiro em exposição, pode ter certeza que gera muito mais demandas de contratações do próprio futebol brasileiro. Todos ganham. Se pensássemos só em nós, seríamos muito egoístas. Quando a Seleção é campeã de qualquer torneio, o mercado do futebol ganha. Por isso, não penso assim. Para mim, o Brasil tem sempre que ganhar, estar na liderança. É assim que deve ser".





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