Nascido em Madrid, Hakimi comemora classificação sobre a Espanha na Copa de 2022Javier Soriano / AFP
Rival do Brasil na estreia desta Copa do Mundo, Marrocos é uma seleção recheada de jogadores naturalizados. Nos últimos anos, a federação aproveitou para "dar um gás" na captação de talentos e o resultado foi surpreendente: um elenco reforçado e uma campanha semifinalista no último Mundial. Por isso, O DIA tratou de investigar as "contratações" marroquinas, que têm gerado tantos resultados positivos.
Protagonistas 'estrangeiros'
Maior destaque do Marrocos, o lateral-direito Achraf Hakimi, de 27 anos, atualmente no PSG, é tido como um ídolo geracional no país. Nascido em Madrid, na Espanha, escolheu jogar pela seleção dos pais, marroquinos, pois cresceu imerso na cultura muçulmana e muito identificado com a nação dos genitores.
O goleiro Yassine Bounou, de 35 anos, e o ponta Brahim Díaz, de 26, são dois dos maiores destaques naturalizados do país. Nascido em Québec, no Canadá, e criado no Marrocos, Bounou foi protagonista na Copa de 2022 e hoje joga no Al-Hilal (SAU). Brahim nasceu em Málaga, na Espanha, defende o Real Madrid e escolheu a nação ancestral do pai em 2024. Desde então, é o craque do setor ofensivo marroquino.
Nascidos na Holanda, Sofyan Amrabat e Noussair Mazraoui, ambos de 29 anos, defenderam a base holandesa antes de escolherem a nação de seus pais. Amrabat nasceu em Huizen, defende o Real Betis (ESP) e é o 'motor' do meio-campo do Marrocos. Mazraoui nasceu em Leiderdorp, joga pelo Manchester United e é um dos principais defensores da geração.
Os meias Ismael Saibari, de 25 anos, e Ayyoub Bouaddi, de 18, optaram por defender o Marrocos em moldes parecidos. Nascido em Terrassa, na Espanha, e criado na Bélgica, Saibari é um dos mais valiosos da seleção e vive ótima fase no PSV (HOL). Bouaddi é visto como a maior promessa do país africano, mas nasceu em Senlis, na França, e joga pelo Lille (FRA). Ambos têm pais marroquinos.
Resultados positivos
Após campanha decepcionante na Copa do Mundo de 2018, na qual terminou no último lugar do seu grupo, a seleção marroquina acelerou a reformulação e cresceu radicalmente de rendimento. Nas eliminatórias para a edição seguinte, carimbou a vaga de maneira invicta.
Em 2022, o Marrocos desfilou a melhor campanha de uma seleção africana na história dos Mundiais. Classificada em primeiro lugar, em um grupo com Croácia e Bélgica, finalista e semifinalista da última Copa, a seleção marroquina eliminou a Espanha nas oitavas e Portugal nas quartas. A eliminação só viria na semifinal, para a atual campeã França.
Nos anos seguintes, a seleção africana garantiu a medalha de bronze nas Olimpíadas de 2024, com o sub-23, e viveu mais uma campanha irretocável nas eliminatórias, com oito vitórias em oito partidas, para garantir a terceira classificação seguida para Mundiais.
Na Copa do Mundo de 2026, a seleção africana defenderá uma invencibilidade de 29 partidas — 25 vitórias e 4 empates. Além disso, vem da quebra de um jejum de quase 50 anos, com o título da Copa Africana de Nações de 2025, que teve polêmica, mas foi reconhecido oficialmente pela confederação.
Duelo com o Brasil
A soma de craques naturalizados, um elenco organizado, campanhas importantes em campeonatos recentes e uma invencibilidade de quase 30 jogos, serve para, no mínimo, acender um alerta na seleção brasileira, a poucas horas de encarar os marroquinos pela estreia da Copa do Mundo.
Brasil e Marrocos promete ser o jogo mais difícil desta fase de grupos, já que a seleção africana vem mostrando experiência ao jogar contra as nações mais tradicionais.
O duelo acontecerá neste sábado (13), às 19h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Ambas as seleções estão no grupo C, que também conta com Escócia e Haiti.
*Matéria de João Vitor Cravo sob supervisão de Rodrigo Souza








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