Zinho foi um dos pilares da conquista do tetra, em 1994Reprodução / Instagram

Rio – A seleção brasileira sagrou-se tetracampeã do mundo em 17 de julho de 1994, ao superar a Itália na disputa de pênaltis no estádio Rose Bowl, na Califórnia, Estados Unidos. O meia Zinho, que teve passagens marcantes por Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro, foi um dos pilares da conquista e titular absoluto da equipe então comandada por Carlos Alberto Parreira. Ao DIA, o ex-jogador e comentarista da 'ESPN' abriu o jogo sobre o trabalho de Ancelotti, a convocação de Neymar e deu dicas para o time buscar a tão sonhada taça. No entanto, apesar da expectativa faltando poucos dias para a estreia do Brasil, o ídolo não considera a equipe uma das favoritas à conquista.
"O Brasil tem a tradição, camisa, história, e isso torna o Brasil sempre uma equipe que entra na competição como uma possível postulante ao título, mas eu acho que o Brasil não entra na top 3 de favoritas. O Brasil é mais pela tradição, porque a gente ainda não tem um time montado. O Ancelotti está buscando isso agora", disse.
Na avaliação de Zinho, o trabalho do treinador italiano ainda é aquém do que os jogadores podem render. O ex-jogador também opina que o comando técnico da Seleção ainda foi prejudicado devido às constantes trocas de técnicos desde 2023.
"O presidente anterior [Ednaldo Rodrigues] queria trazer o Ancelotti, mas não conseguiu. E aí, nessa coisa de não trazer, acabou colocando o Ramon Menezes, o Fernando Diniz como interinos. Depois, tentou com Dorival e a coisa não aconteceu. Pressão, cobrança. O presidente Ednaldo sai, e aí entra uma nova gestão que, junto com Ancelotti, começa um novo trabalho que encurtou muito o ciclo. Um trabalho que era para ser de quatro anos, vira um ano. Por isso tudo, acho que o Brasil não chega como favorito."

Organização e disciplina

Zinho lembra que ao contrário do ciclo atual, marcado pela troca de técnicos, a base da seleção de 1994 foi montada durante as Eliminatórias. Na época, a equipe ainda teve que superar a desconfiança da imprensa: o ex-meia ressaltou como a conquista do título foi importante para enxergar a forma como o público e os especialistas no Brasil enxergam o futebol até hoje.
"Era um modelo de jogo diferente. Houve uma mudança radical taticamente de postura de equipe. Isso trouxe muita crítica da imprensa conservadora antiga que ainda tava vivendo nos anos 70, 80 e não entendeu que o Parreira queria montar uma seleção nos anos 90 que sem a bola, fosse organizada como futebol europeu. Acho que a seleção do tetra foi fundamental para mudar essa postura, conduta, como ver o futebol aqui pro nosso lado, de que o futebol não era só com a bola no pé, tem que saber jogar sem a bola também, tem que ter organização e disciplina. Por isso a gente estava há 24 anos sem ganhar título", disse.

'A estrela é a Seleção'

O jejum citado por Zinho também atinge a seleção atual. Antes da conquista de 1994, a última vez que a Seleção havia ganhado a Copa era em 1970. Depois, o Brasil voltou a levantar a taça em 2002 e, desde então, a equipe nacional não venceu o torneio novamente. No entanto, o meia do tetra acredita que isso não deve ser uma questão para o time, recheado de jogadores estreantes na competição.
"A maioria do grupo está indo para a primeira Copa. Então, não são eles os responsáveis [pelo jejum]. Eles têm o privilégio de representar o Brasil, que está há 24 anos sem ganhar e tentar dar a volta por cima. Foi o que nós fizemos. A gente focou nisso. Eu não fiquei pensando em 1974, 1978, 1982", ponderou.
Na avaliação do ex-jogador e comentarista, a Seleção tem ótimos jogadores que se estiverem unidos, podem ir longe. " A estrela é a Seleção. A estrela é a camisa da seleção. Sem vaidade. Cada um botando seu talento em prol do conjunto. Eu acho que a gente tem chance."

'Combo Neymar'

Zinho também comentou sobre a convocação de Neymar, um dos temas mais debatidos entre os fãs de futebol no país ao longo dos últimos meses. O meia tetracampeão do mundo analisou o momento do camisa 10 e avaliou como a presença do jogador pode impactar nos jogos da Seleção.
"O futebol que ele apresentou no Santos, se ele for não fosse o Neymar, eu diria que seria difícil ele ser convocado. Mas no combo Neymar, o objetivo era ele estar bem fisicamente para que com a seleção montada e organizada, o talento dele pudesse contribuir em um momento importante do jogo. O cara fazer um toque diferente, uma jogada diferente, achar algo diferente. Ele tem essa capacidade, mesmo fisicamente não estando o Neymar de 10 anos atrás", explicou.
Ancelotti também não pode montar um time para jogar em função do Neymar, como aconteceu nas últimas Copas, na opinião de Zinho. O tetra também explicou como o jogador do Santos pode ter uma função importante no vestiário
"Mais do que nunca, agora que ele não pode começar jogando, pelos problemas dessa contusão, ele tem que ser um Ricardo Rocha de 1994 pra seleção de 2026. Aquele cara experiente, de várias Copas, com astral bom, que todo mundo gosta, respeita, tem como um ídolo. É aquele papel do líder, do cara que está motivando, incentivando os mais jovens, como Rayan, Endrick. É um papel fundamental, já que o Ancelotti vai permanecer com ele, mesmo ele não tendo condição de atuar nesse início."

Rumo ao hexa

O Brasil estreia na Copa do Mundo neste sábado (13), às 19h, contra o Marrocos, pelo grupo C. A Seleção ainda enfrenta o Haiti no dia 19 e a Escócia no dia 24.