Donald Trump ao lado de presidente da Fifa, Gianni InfantinoMandel Ngan / AFP

Rio - O chefe da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo de 2026 defendeu nesta terça-feira (9) a decisão dos Estados Unidos de não conceder vistos a um árbitro somali e a parte da delegação da seleção iraniana. Em um evento organizado pelo Atlantic Council em Washington, Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa, explicou a decisão.
"Até este momento, tivemos 35 equipes que vieram aos Estados Unidos. Não foi negada a entrada a nenhum jogador nem a nenhum treinador. Houve alguns dirigentes aos quais a entrada foi negada, e por razões muito boas. Estamos buscando esse equilíbrio entre garantir que qualquer agente mal-intencionado que tente entrar no país sob o pretexto da Copa do Mundo não tenha acesso aos Estados Unidos", disse.
Giuliani, filho do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, foi questionado especificamente sobre a decisão de proibir a entrada no país do árbitro somali Omar Artan, de 34 anos, que foi eleito árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol em 2025, e deveria ser o primeiro somali a apitar em uma Copa do Mundo.
"Por razões muito boas. Embora eu não possa entrar em detalhes, o que posso dizer, em linhas gerais, é que foi por uma razão muito boa", afirmou Giuliani sobre Artan, cuja entrada foi negada no aeroporto de Miami no sábado.
A Somália é um dos vários países cujos cidadãos são afetados por uma proibição de entrada nos Estados Unidos imposta pela administração de Donald Trump. O Irã, que disputará suas três partidas da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 em território americano, foi obrigado a transferir sua base de treinamentos de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México, devido à guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro após os ataques dos Estados Unidos e de Israel a Teerã.
A federação iraniana de futebol informou nesta terça-feira (9) que sua cota de ingressos para torcedores foi revogada e que alguns membros da equipe de apoio da seleção tiveram seus vistos negados. Giuliani afirmou que "toda a comissão técnica iraniana vai entrar" nos Estados Unidos, mas que há "alguns dirigentes iranianos que não vão entrar, novamente, por razões muito boas". Ele ressaltou que "não pode entrar em detalhes", mas que "há algumas pessoas que dizem ser treinadores e talvez não sejam".
O funcionário afirmou que Trump quer garantir que haja "igualdade de condições" para todas as seleções participantes da Copa do Mundo de 2026 e, ao mesmo tempo, assegurar que pessoas que trabalhem diretamente, digamos, com o CGRI (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica) não tenham qualquer possibilidade de entrar nos Estados Unidos.
O enviado da Casa Branca acrescentou ainda que atualmente "não há ameaças críveis" contra o torneio, mas que a comunidade de inteligência "triplicou" seus esforços e continuará monitorando a situação "daqui até que seja marcado o último gol, em 19 de julho".