A Copa do Mundo de 2026 está a milhões de quilômetros de distância do Brasil, mas para muitos brasileiros será no quintal de casa. Eles fazem parte de comunidades espalhadas em cidades de Estados Unidos, Canadá e México, o que vai ajudar a assistir a algumas partidas dos estádios e curtir um pouco da festa que o torneio costuma levar, mesmo sem sentirem tanto o clima de Copa.
Estreia em jogos da seleção brasileira
Um desses brasileiros é Túlio Simões, de 24 anos, quevai acompanhar a estreia do Brasil na Copa do Mundo contra o Marrocos, no sábado (13), no estádio de Nova Jersey. Nascido em Itabuna, Bahia, ele se mudou para Chicago para estudar e jogar futebol na universidade. Decidiu permanecer definitivamente no país depois da pandemia, e passou a trabalhar como barbeiro.
A profissão acabou abrindo portas para o esporte: ele deu um tapa no visual de nomes como Maurício Meirelles e Gil do Vigor, o que fez o Botafogo, seu clube de coração, entrar em contato para que ele cortasse o cabelo dos jogadores durante o Mundial de Clubes, em 2025.
E agora, vivencia novas experiências especiais. Túlio assistiu a um jogo da seleção brasileira pela primeira vez no amistoso contra o Egito, vencido por 2 a 1 em Cleveland, no sábado (6). Além disso, também estreará como torcedor em um jogo de Copa do Mundo, com esperança de ser pé-quente na busca pelo hexa.
"Por mais que a gente não tenha confiança nem nada, o mundo tem medo da seleção brasileira, a mais temida. A nossa camisa é muito pesada e eu creio que o título pode vir", disse.
Torcedor do Botafogo, Túlio Simões mora em Chicago, nos Estados UnidosArquivo Pessoal
Nova chance de ver Cristiano Ronaldo em campo
Já para Thiago Vieira, de 36 anos, o foco desta Copa não é o Brasil, mas sim Portugal de Cristiano Ronaldo. O gerente de produtos mora em Vancouver, no Canadá, há 8 anos e é fã declarado do craque português, tendo viajado à Europa para vê-lo na Eurocopa e na final da Liga das Nações.
Desta vez, os jogos serão mais perto, mas ainda assim não deu sorte de Portugal jogar no Canadá ou em uma cidade próxima na fase de grupos. Ainda assim vai viajar a Houston para os dois primeiros jogos e torce para a seleção portuguesa ser a primeira para jogar em Vancouver nas oitavas de final. De qualquer maneira, irá onde Cristiano Ronaldo jogar, de preferência até a final.
"Eu vou para os dois primeiros jogos e depois eu tenho ingressos condicionais para o caminho de Portugal de oitavas de final até a final. Eu tenho os ingressos se a seleção passar de fase, mas ainda não sei em qual cidade vai jogar. E se não passar, a Fifa vai reembolsar", explica o vascaíno Thiago.
Thiago Vieira em frente ao estádio de Vancouver para a Copa do MundoArquivo Pessoal
Alto custo da Copa do Mundo gera reclamação
Mas nem todos os brasileiros vão assistir a jogos dos estádios. Nem por isso pretendem curtir menos a Copa do Mundo 'em casa'. Deborah Calazanz, de 40 anos, também mora em Vancouver há quase oito anos, mas não se animou muito com os jogos que acontecerão na cidade ou em Seatle, que é próximo.
Principalmente pelo valor cobrado de ingressos. Ainda assim, a assistente jurídica pensa em tentar ir a algum jogo se conseguir uma oportunidade, como Bélgica x Nova Zelândia, e também torce para Portugal jogar as oitavas de final na cidade.
"Não achei vantagem para os jogos que eles colocaram para esse lado. Achei que não valeria a pena apesar eu sei a Copa do Mundo, ficou um pouco fora do que eu estava esperando. Tem muita gente revendendo e estou tentando", afirmou a botafoguense Deborah.
Mesmo assim, ela pretende aproveitar a Fan Fest na cidade canadense. Mas a maioria dos jogos deve acompanhar de casa mesmo, reunindo-se com amigos.
"A gente não tem folga aqui como no Brasil para poder assistir aos jogos. Os que aconteceram fora do horário de trabalho no final de semana a gente vai tentar ir para algum lugar, como a FanFest, até mesmo para vivenciar essa experiência. Mas eu acho que a maioria dos jogos eu vou ver em casa mesmo, vou fazer meu churrasquinho na varanda, colocar a minha bandeira do Brasil pendurada do lado de fora", explicou.
A questão dos ingressos, inclusive, tem sido reclamação não apenas dos brasileiros. Túlio não vê os estadunidenses tão empolgados com a Copa do Mundo e argumenta que um dos motivos que causa o afastamento são os altos preços.
"Eles fazem a revenda no valor que eles querem. Então, bota o valor de acordo com a demanda. Como a demanda é altíssima, eles botam o valor de 1600, 1500 dólares (cerca de R$ 8 mil, na cotação atual)", diz o barbeiro, que explica como os preços iniciais dos ingressos, de 300 (R$ 1515) a 500 dólares (R$ 2520), são mais acessíveis a quem mora por lá.
Clima de Copa do Mundo longe do ideal
Mas a questão dos ingressos não é o único motivo e também tem a ver com a cultura esportiva nos Estados Unidos, que não tem o futebol como um dos principais: "Talvez o futebol seria a quinta categoria de esporte", destaca.
"Você vê muitas pessoas que são descendentes de italianos, alemães, irlandeses, mexicanos, tendem muito a falar sobre a Copa. Mas o americano, a linha média mesmo, você vê que eles não comentam tanto."
Mesma sensação acontece em Vancouver e no Canadá de maneira geral. Com o hóquei sobre gelo como principal esporte no gosto dos canadenses, a Copa do Mundo não tem tanto impacto no dia a dia.
"Não tem muito clima, futebol não é o forte aqui no Canadá. A cidade está tentando, o governo em si está fazendo algumas coisas, botando decoração nas ruas mas não me sinto num clima de Copa. Não vai ser o que muito imigrante está esperando ou como no Brasil. A gente não vê bandeiras na janela", conta Deborah.
Thiago também tem percepção parecida. Ele vê ruas decoradas perto do estádio em Vancouver e entende haver uma certa ansiedade dos moradores, mas não pelos jogos em si.
"Eu vejo as pessoas bem receptivas e bem ansiosas para saber como vai ser a Copa do Mundo. Porém, eu acho que é mais por conta do evento e não tanto pela paixão pelo futebol que nós temos aí no Brasil. Acho que essa é a diferença. É pelo maior evento de futebol do planeta. Acho a Copa do Mundo vai ajudar muito no sentido de atrair mais pessoas a gostarem de acompanhar futebol", avalia.
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