St. Andrew Society organiza bloco de carnaval inspirado na cultura escocesaDivulgação / St. Andrew Society
Em São Paulo, a St. Andrew Society, sediada no bairro de Pinheiros, serve como um dos principais pontos de encontro para exaltar as tradições escocesas - incluindo o apreço por esportes. Ao DIA, o presidente do grupo, Ian Cook, deu detalhes sobre as preparações da associação para receber imigrantes e brasileiros no último jogo da fase de grupos e ressaltou como o futebol tem um lugar especial na cultura e no dia a dia da Escócia.
"Embora a seleção esteja há 28 anos sem ir para a Copa e nunca tenha conquistado um título internacional de relevância, o futebol está no dia a dia do escocês. O escocês vibra e vive futebol de uma forma muito legal. Historicamente, se a gente for olhar, o primeiro jogo internacional entre seleções foi disputado na Escócia, em 1872, entre Escócia e Inglaterra. E hoje apesar de ter uma liga que não tem um equilíbrio tão grande, há times locais, as crianças jogando, tem uma cultura do escocês ao redor do futebol que é muito legal de ver, de viver", disse.
Ian nasceu em São Paulo, mas sua família por parte de pai é escocesa. Ele sempre viajou muito à Escócia e possui laços íntimos com a cultura da região. Na questão do futebol, seu coração é dividido entre o Fluminense - já que a sua família por parte de mãe é carioca - e o Aberdeen, time que acaba tendo o papel de coadjuvante frente aos protagonismo dos dos maiores da Escócia, Celtic e Rangers.
No entanto, apesar das rivalidades locais, quando se trata de torcer para a seleção, os escoceses pregam a união. A torcida do time nacional se chama "Tartan Army" e é conhecida mundialmente pela cordialidade, educação e apoio a instituições de caridade. "Existe, obviamente, uma questão de 'hooliganismo' na Escócia, especialmente em relação à rivalidade entre Rangers e Celtic, que é o lado não tão legal assim, que envolve questões políticas e religiosas e, portanto, é uma das rivalidades mais sangrentas que a gente conhece. Mas quando a gente tá falando da seleção, acho que tem essa essa característica do torcedor escocês ser super bem recebido, educado."
Expectativa
Desde 2019, a seleção escocesa é comandada por Steve Clarke, ex-jogador do Chelsea e da equipe nacional nos anos 1980 e 1990. O time conseguiu a vaga para o Mundial, a primeira vez do país no torneio desde 1998, após um suado jogo contra a favorita Dinamarca, nos playoffs das Eliminatórias da Europa. Ian classifica este como um dos maiores jogos da história da Escócia e considera o meia Scott McTominay, ex-Manchester United e atualmente no Napoli, a principal referência técnica do elenco.
Sobre a sociedade
"Nós temos, obviamente, escoceses e descendentes, mas hoje, grande parte dos nossos membros vêm de outras nacionalidades, sem ter qualquer vínculo familiar com a Escócia e sim, esse interesse pela nossa cultura, pelas danças, pela música, pela gaita de fole. Pela nossa culinária toda a parte também relacionada a bebida, whisky. São vários elementos que unem as pessoas em torno desses interesses."
Eventos da Copa
"No final vai ser isso, estar entre amigos, sejam escoceses ou não, e é isso que acho o mais legal da Copa do Mundo: essa oportunidade de ter o futebol como pano de fundo para uma celebração, uma reunião entre amigos, e no nosso caso, celebrar a cultura da Escócia, receber pessoas que tenham interesse na nossa cultura", ponderou.
Quando perguntado se vai torcer para o Brasil ou a Escócia, Cook reconheceu os conflitos de sentimentos que envolvem o amor pelos dois países. "Eu, metade brasileiro, metade escocês, quero que os dois se classifiquem. Então, espero que ambos precisem só de um empate para seguir. O empate tá de bom tamanho. Mas o que eu quero mesmo é poder celebrar entre amigos, com todo mundo que queira conhecer e viver a cultura da Escócia, vai ser muito legal estar junto. Tomara que ambos se classifiquem."




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