Zé Ricardo treinou o Shimizu S-Pulse, da segunda divisão do JapãoReprodução / Instagram
Na avaliação do treinador, as diferenças entre Brasil e Japão vão muito além das quatro linhas. Para ele, a cultura é o principal contraste entre os dois países, mas há distinções importantes também na formação dos atletas, na organização dos clubes e campeonatos e na relação de torcedores e imprensa com o esporte.
Organização como marca
"Não há dúvidas quanto à tabela, aos critérios e até às punições que clubes e torcidas podem sofrer durante a temporada", explicou. Ele acrescentou ainda que "o treinador é muito respeitado, com menor questionamento de suas decisões".
Outro aspecto que impressionou o brasileiro foi a forma como os japoneses encaram o espetáculo esportivo. Práticas como a cera e o antijogo são amplamente rejeitadas por serem vistas como uma falta de respeito ao público que acompanha as partidas nos estádios ou pela televisão.
"Eles se formam sabendo disso e se sentem pertencentes desse processo todo. Lógico que isso tem muito a ver com a sua cultura formativa, é uma educação milenar, mas teríamos muitos exemplos que poderíamos usar aqui no Brasil pra fazermos um futebol mais 'saudável' em todos os sentidos", ressaltou.
O legado do 'Spirit of Zico'
Na visão de Zé Ricardo, esses ensinamentos ainda sustentam parte importante da identidade esportiva nipônica.
"O futebol japonês sofreu muitas influências do exterior, mas o Zico é, sem dúvida, a maior delas. O profissionalismo, a dedicação, o respeito, a persistência, o espírito de equipe, o respeito às regras e ao adversário são alguns dos aspectos que tornam o nosso Galinho de Quintino tão importante e especial para eles. Uma verdadeira lenda e referência nessa relação", destacou.
Ele também atribui o crescimento recente da modalidade ao chamado Plano de 100 Anos, criado junto à fundação da J-League, em 1992. O projeto previa um intenso intercâmbio com as principais ligas do planeta, algo que hoje se reflete na quantidade de jogadores japoneses atuando na Europa e no amadurecimento da seleção nacional.
Apesar de acreditar na classificação brasileira, Zé Ricardo espera um confronto equilibrado nos 16 avos de final e destaca que os japoneses já não encaram as grandes potências com o mesmo receio do passado.
"Eles respeitam e admiram muito o Brasil, mas não temem como outrora. Como vêm conquistando grandes resultados e avanços no seu jogo, apostando em continuidade e na, sem dúvida, melhor geração de atletas disponíveis, acredito que hoje eles têm condições de disputar de igual para igual com as grandes seleções do mundo, inclusive o Brasil. Mas acho que ainda não será dessa vez", concluiu.
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